Uma jovem brasileira de 26 anos permanece detida há mais de um mês em território norte-americano após ser abordada por autoridades de imigração. A atriz Renata Alves Mietto foi interceptada por agentes à paisana do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) no aeroporto de Los Angeles, na Califórnia, em um caso que tem mobilizado familiares e profissionais da área jurídica.
O episódio ocorreu no dia 27 de agosto. Na ocasião, a artista se preparava para embarcar em um voo com destino ao Havaí, onde planejava celebrar o aniversário da mãe. De acordo com o relato de Márcia Rilda Alves dos Reis à imprensa, a jovem já havia passado por todos os procedimentos tradicionais de segurança, incluindo o controle de raio-x e a apresentação do passaporte, sendo surpreendida pela abordagem no próprio portão de embarque.
“Nós achávamos que, nessa questão de pegar voo, eles só estavam pegando quem tivesse algum tipo de crime. Mas a gente não sabia que eles estavam prendendo qualquer pessoa. Quando você passa na segurança, eles têm essa ligação direta com o ICE, essa impressão que a gente tem”, declarou a mãe da brasileira ao relembrar o momento da prisão.
A trajetória de Renata nos Estados Unidos começou em 2016, quando ela tinha apenas 16 anos. Ao longo dos anos, completou o ensino médio no país e cursou Artes Cênicas na Utah Valley University. Estabelecida em Los Angeles há pouco mais de três anos, ela também se tornou empreendedora ao abrir uma empresa de limpeza, além de atuar no meio artístico, com participação na série norte-americana The Cool Kids.
Segundo os familiares, a perda da regularidade migratória ocorreu há cerca de dois anos, motivada por uma orientação jurídica inadequada recebida na época. A defesa destaca que a jovem não possui antecedentes criminais e que a detenção decorre exclusivamente da situação migratória irregular.
Após a abordagem inicial em Los Angeles, Renata foi transferida para o centro de detenção de Adelanto, onde permaneceu por vinte dias. Após uma audiência realizada em 18 de setembro, ela foi transferida novamente, desta vez para a cidade de El Paso, no Texas. A equipe jurídica solicitou que ela pudesse responder aos trâmites em liberdade, mas o pedido foi rejeitado sob a justificativa de que ela representaria risco.
A família também relatou condições severas durante o processo de transferência entre os estados. Conforme o relato materno, a jovem passou horas dentro de uma van e algemada nas mãos, nos pés e na cintura, além de enfrentar longas horas de espera em instalações no Texas antes de ser direcionada a um alojamento restrito.
Diante do cenário adverso, a orientação seguida pela defesa é solicitar a saída voluntária do país, alternativa que a família considera a mais viável para encerrar o confinamento, apesar da resistência inicial da própria jovem. Parentes e advogados buscam agora autorização para realizar visitas presenciais, processo que ainda enfrenta burocracias junto ao centro de detenção.
“Apesar de ela ter ficado esse tempo fora de status, não é ilegal, é fora de status. Ela é uma menina que entrou aqui com 16 anos, estudou aqui. Eu pagava todos os estudos dela. Paguei muito caro para ela estudar. Então, ela fez faculdade. E, infelizmente, a gente teve uma orientação errada de um advogado. Ela está emocionalmente devastada, descontrolada”, lamentou a mãe.
Especialistas na área apontam que o rigor nas fiscalizações tem se intensificado nos terminais aeroportuários norte-americanos. Gisele Ambrósio, advogada de imigração e representante legal do Consulado de Los Angeles, destacou que o volume de detenções em aeroportos cresceu de maneira significativa desde o mês de junho, abrangendo inclusive rotas de voos domésticos, a exemplo do que ocorreu com a atriz brasileira.
Fonte:: estadao.com.br


