O meia Nikão abriu o jogo sobre os bastidores que culminaram no rebaixamento do Athletico para a Série B do Campeonato Brasileiro em 2024. Em entrevista concedida ao canal Trétis, o jogador afirmou que o clube paranaense não teria sofrido a queda caso o presidente Mario Celso Petraglia estivesse plenamente recuperado e atuando de forma ativa no dia a dia da instituição durante toda a temporada.
De acordo com o atleta, a forte liderança exercida pelo dirigente faz diferença em todas as instâncias do clube. “Eu acho que um dos pontos foi a grande troca de treinadores. Muita coisa aconteceu. Minha opinião: se ele [Petraglia] tivesse bem ali, no dia a dia, o time não tinha caído. Ele é um cara que, do menor para o maior, a cobrança é igual. É um cara que, a vida dele é aquele clube”, declarou o meia durante a conversa.
Os problemas de saúde de Mario Celso Petraglia se intensificaram em setembro de 2019, quando o dirigente passou por uma cirurgia de emergência no intestino devido a uma obstrução. A complicação o impediu de viajar para Porto Alegre, onde o Furacão conquistou o título inédito da Copa do Brasil contra o Internacional no Estádio Beira-Rio.
A recuperação daquele procedimento inicial gerou uma série de desdobramentos médicos graves. Apenas quatro dias após a primeira intervenção, Petraglia precisou ser submetido a uma nova cirurgia para corrigir uma aderência intestinal. Pouco depois, o presidente apresentou uma fístula intestinal, o que motivou uma transferência urgente para São Paulo. No Hospital Vila Nova Star, na zona sul da capital paulista, o dirigente passou por mais uma cirurgia, a terceira em um intervalo de apenas 11 dias.
Duas semanas mais tarde, em outubro de 2019, uma quarta intervenção cirúrgica foi realizada para o fechamento definitivo da parede abdominal e correção da fístula. O tratamento obteve sucesso e o presidente recebeu alta após 47 dias de internação. Anos mais tarde, em 2023, aos 79 anos, o mandatário passou por um novo procedimento para resolver sequelas das cirurgias anteriores, resultando em um afastamento temporário da presidência por tempo indeterminado em junho daquele ano, antes de retornar em outubro. Contudo, em 2024, novas orientações médicas limitaram sua presença constante na rotina do clube.
Bastidores da pressão e desgaste do elenco em 2024
Fazendo uma autocrítica sobre o desempenho da equipe na campanha do rebaixamento, Nikão reconheceu sua parcela de responsabilidade, mas destacou que os principais ídolos do elenco rubro-negro acabaram carregando o peso maior pelo fracasso esportivo. Além dele próprio, o zagueiro Thiago Heleno, o volante Fernandinho e o atacante Pablo sentiram o impacto histórico da queda.
Durante a entrevista, o meia revelou um episódio delicado vivido internamente pelo grupo de jogadores. Segundo Nikão, a pressão física e psicológica foi tão intensa que um dos zagueiros do elenco pediu para não entrar em campo, o que obrigou o experiente Thiago Heleno a atuar mesmo lidando com lesões.
“O Thiago jogou alguns jogos machucado. É verdade [que teve zagueiro que pediu para não jogar]. Não vou falar quem é, mas eu tava do lado”, confirmou o jogador ao comentar a informação levantada pelos jornalistas André Fontana e Vinicius Furlan.
Com o rebaixamento sacramentado, a diretoria optou pela reformulação e pela saída dos quatro atletas históricos do clube. No entanto, Nikão revelou que mantinha tratativas avançadas para permanecer na Arena da Baixada para a temporada seguinte, caso o objetivo da permanência na elite tivesse sido alcançado.
“Eu tinha um acordo com o Athletico. Se a gente permanecesse na Série A, era pra continuar. Já tinha esse acordo, conversado com o Lara e o Lucho. Não com o presidente porque ele não estava todos os dias. Depois que aconteceu, aí não fui mais procurado por ninguém. Acabou meu contrato com o Athletico e também acabou meu contrato com o São Paulo. Após a queda, ninguém me procurou e não tive nenhuma conversa com o clube em cima disso”, explicou o meia.
Relação histórica com o clube e reflexões sobre o retorno
A história de Nikão com a camisa rubro-negra é marcada por grandes conquistas, incluindo o bicampeonato da Copa Sul-Americana em 2018 e 2021 — sendo dele o gol solitário na final contra o Red Bull Bragantino, realizada em Montevidéu —, além da Copa do Brasil de 2019 e dos Campeonatos Paranaenses de 2016 e 2020. O jogador ocupa a quarta posição na lista de atletas que mais vestiram a camisa do Furacão, com 343 partidas oficiais.
Diante desse histórico vitorioso, o retorno do atleta em abril de 2024 gerou enorme expectativa na torcida. Em baixa no São Paulo e com uma passagem apagada pelo Cruzeiro, o meia aceitou a proposta para voltar a Curitiba, sem imaginar o desfecho trágico da temporada.
“Pra mim, naquele momento, quando eu recebi o convite, não pensei duas vezes por tudo que tinha sido construído dentro do clube e o que a gente tinha vivido naqueles sete anos. Sempre deixei claro que o Athletico foi a minha casa. Eu sempre conversava com o presidente, a gente estava sempre em contato”, recordou.
O jogador reforçou que a decisão de retornar foi tomada em conjunto com seus empresários, motivada pela solidez do projeto esportivo apresentado. “Quando surgiu a possibilidade, eu dei o ok para os meus empresários naquele momento. Achei um projeto muito bom. Naquele momento, ninguém imaginaria ou falava que aconteceria o que aconteceu. Eu vim sem nem pensar por tudo que eu já tinha vivido, por tudo que eu tinha passado dentro do clube, mas não imaginaria que chegou onde chegou. Acho que são coisas que fazem parte do futebol. Uma pena e, infelizmente, foi aqui no clube no qual eu construí uma tão bonita que é no Athletico”, concluiu.
Fonte:: umdoisesportes.com.br


