O peso histórico e a mriada camisa do Boca Juniors voltaram a falar alto em solo brasileiro. Ao despachar o Vasco da Gama na noite de uma terça-feira, em pleno Estádio do Maracanã lotado, a equipe de Buenos Aires adicionou mais um capítulo à sua longa trajetória de terror para os clubes do país na Copa Sul-Americana.
O revés por 3 a 1 diante de cerca de 66 mil torcedores sacramentou a 19ª classificação dos hermanos em 27 duelos eliminatórios e finais contra rivais brasileiros, alcançando um índice de aproveitamento impressionante de 70,4% em mata-matas desse tipo.
Apesar de equipes como Santos, Atlético-MG, Corinthians, Cruzeiro e Fluminense terem conseguido equilibrar um pouco mais os confrontos diretos recentemente — e de o próprio Boca amargar um jejum de vitórias no Brasil que durava desde 2010, quando superou o Internacional no Estádio Beira-Rio —, o clube argentino prova que sua casca grossa em torneios continentais permanece intacta.
Na atual edição da Sul-Americana, os comandados de Buenos Aires já haviam deixado pelo caminho outro gigante nacional. Nas quartas de final, após vitória mínima na Bombonera, os argentinos seguraram um empate por 1 a 1 no Estádio do Morumbis para eliminar o São Paulo.
O drama no Rio de Janeiro e o golpe final
A definição do palco para o duelo decisivo foi marcada por semanas de intensa disputa jurídica entre a diretoria do Vasco e o consórcio administrador do Maracanã, composto por Flamengo e Fluminense, chegando a sofrer ameaças da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) de realocação para o Paraguai.
Dentro das quatro linhas, contudo, a vantagem que o Cruzmaltino havia construído ao vencer o jogo de ida por 1 a 0 em Buenos Aires durou apenas quatro minutos. Na cobrança de escanteio executada pelo lateral Lautaro Blanco, o zagueiro Lautaro Di Lollo cabeceou para o fundo da rede, igualando o marcador agregado.
A situação ficou ainda mais dramática para os mandantes aos 33 minutos da etapa inicial. Após falha na saída de bola defensiva, o atacante Miguel Merentiel recebeu lançamento em profundidade, avançou livre e finalizou na saída do goleiro Léo Jardim para ampliar a vantagem argentina.
Na volta do intervalo, as alterações promovidas pela comissão técnica do Vasco surtiram efeito. Com mais volume ofensivo, o time carioca diminuiu a desvantagem aos 20 minutos, quando o lateral Puma Rodríguez aproveitou cruzamento da esquerda para fuzilar o canto do goleiro Álvaro Montero, inflamando a torcida no Maracanã.
Quando a pressão cruzmaltina parecia indicar uma virada histórica, o volante Leandro Paredes arriscou um chute de média distância com força e efeito. A bola surpreendeu o arqueiro Léo Jardim, selando o placar de 3 a 1 e decretando a eliminação precoce do time carioca do torneio internacional.
Agora, o tradicional clube argentino aguarda a definição do seu adversário na grande decisão da Copa Sul-Americana, que poderá contar com mais um representante do futebol brasileiro na disputa pelo título continental.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br


