Com sete medalhas de ouro Brasil lidera Open das Américas de halterofilismo

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Foto: © Douglas Magno/CPB

O Brasil vem se destacando de maneira impressionante nas disputas do Open das Américas de halterofilismo, competição internacional sediada na Cidade do México que distribui pontos cruciais para o ranking de classificação rumo aos Jogos Paralímpicos de Los Angeles, nos Estados Unidos, previstos para 2028. Após três dias intensos de provas, a delegação brasileira já acumulou um total de 14 pódios, subindo ao topo sete vezes e garantindo a liderança isolada no quadro geral de medalhas do torneio.

O ritmo forte da equipe nacional foi consolidado durante as jornadas de competição, com atletas de diversas regiões do país mostrando alta performance, quebras de recordes e garantindo dobradinhas históricas para o esporte paralímpico brasileiro no cenário internacional.

Destaques femininos e recordes continentais

Entre os momentos mais marcantes da campanha brasileira na Cidade do México, a paulista Mariana D’Andrea, atual bicampeã paralímpica, confirmou o seu absoluto favoritismo na categoria para atletas até 73 quilos (kg). Além de garantir a medalha de ouro, a halterofilista estabeleceu um novo recorde das Américas em sua categoria, ao levantar impressionantes 146 kg, superando em um quilo a marca que pertencia a ela mesma desde 2024. O pódio dessa mesma disputa teve ainda a presença da mineira Caroline Fernandes, que assegurou a medalha de prata após erguer 119 kg.

Em entrevista concedida antes do embarque para solo mexicano, Mariana destacou a dificuldade de se manter no topo após alcançar a glória paralímpica. “O meu treinador sempre fala que é difícil chegar, mas o mais difícil é se manter, porque a gente vira alvo de todo mundo. Então, a gente tem que estar bem disciplinada, que isso faz diferença na hora de buscar uma medalha. E quando você sente o gosto do ouro, de ser uma campeã paralímpica, isso te motiva a querer mais e manter seu espaço”, declarou a atleta, que possui nanismo.

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Outra grande atuação veio da amazonense Maria de Fátima Castro. Medalhista de bronze nos Jogos Paralímpicos de Paris, na França, em 2024, competindo entre atletas até 67 kg, ela migrou para a categoria de até 79 kg neste novo ciclo. No Open das Américas, a mudança rendeu frutos imediatos com a conquista da medalha de ouro ao erguer 135 kg. A segunda colocação ficou com a brasiliense Gabrielle Lima, consolidando mais uma dobradinha verde e amarela.

O país também celebrou o topo do pódio na antiga categoria de Maria de Fátima. A paulista Laira Guimarães faturou o primeiro lugar com uma marca de 109 kg, superando a paraense Naira Cruz, que ficou com a prata ao erguer 106 kg entre as atletas até 61 kg.

Força masculina no pódio

No masculino, o paraibano Ailton de Souza deu um verdadeiro show na categoria até 80 kg. Superando sequências difíceis de sua trajetória pessoal — ele sofreu com paralisia infantil em decorrência de um erro médico no nascimento —, o atleta levantou 201 kg para garantir a medalha de ouro. A vantagem sobre os concorrentes foi expressiva, deixando o equatoriano Sebastian Ayala com a prata (166 kg) e o mexicano Jairo Santiago com o bronze (161 kg).

Trajetória vitoriosa desde o primeiro dia

A campanha vitoriosa do Brasil começou a ser desenhada logo nos primeiros dias de evento. Na segunda-feira, a potiguar Maria Rizonaide da Silva faturou o ouro na categoria até 50 kg. No mesmo dia, a gaúcha Ana Paula Marques (até 61 kg) e a mineira Cristiane Reis (até 55 kg) conquistaram medalhas de bronze. O rondoniense Kauê Motta, que estreava em competições internacionais após migrar do fisiculturismo para o halterofilismo, obteve um excelente quarto lugar entre os atletas até 65 kg, ficando a apenas um quilo de alcançar o pódio.

A abertura oficial da participação brasileira, no último domingo, já havia rendido quatro pódios importantes. Os mineiros Marco Túlio Cruz (até 49 kg) e Lara Lima (até 45 kg) conquistaram o ouro, enquanto o potiguar João Maria França (até 59 kg) ficou com a prata e a paulista Brenda Pepe (até 41 kg) garantiu o bronze.

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Caminho rumo a Los Angeles 2028

O Open das Américas funciona como uma etapa obrigatória para os halterofilistas do continente que almejam uma vaga nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles. As exigências da World Para Powerlifting (WPPO), braço vinculado ao Comitê Paralímpico Internacional (IPC), estipulam que os atletas cumpram metas de participação em eventos oficiais.

No próximo ano, o calendário exigirá presença nos Jogos Parapan-Americanos de Lima, no Peru, e no Campeonato Mundial, que será realizado novamente na Cidade do México. O fechamento do ranking classificatório ocorrerá em 2028, com a obrigatoriedade de participação em ao menos duas etapas da Copa do Mundo de halterofilismo. Apenas os oito melhores colocados de cada categoria de peso que preencherem todos os critérios da entidade garantirão a sonhada vaga paralímpica.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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