Conflito entre Paquistão e Afeganistão deixa vítimas civis após ataques aéreos

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Redação

Novos ataques aéreos atribuídos ao Paquistão atingiram regiões do Afeganistão nesta quinta-feira, dia 1º, resultando em vítimas e aprofundando a crise diplomática e de segurança entre as duas nações vizinhas. A escalada ocorre em meio a versões totalmente divergentes sobre os alvos atingidos e o perfil das vítimas.

Enquanto autoridades de Cabul relatam que os bombardeios mataram civis, incluindo mulheres e crianças, o governo de Islamabad sustenta que a operação teve como foco exclusivo acampamentos e combatentes de grupos extremistas. A tensão na fronteira compartilhada tem apresentado episódios recorrentes de instabilidade nos últimos meses, impulsionada por antigos desentendimentos territoriais e acusações mútuas de tolerância ao terrorismo.

Divergências sobre o impacto e as vítimas da operação

De acordo com Zabihullah Mujahid, porta-voz do governo talibã no Afeganistão, as investidas aéreas alcançaram residências civis localizadas na província de Helmand, situada no sul do país, e na província de Kunar, no leste. O representante afegão detalhou que três casas foram completamente destruídas, resultando na morte de nove pessoas, entre mulheres e crianças, além de deixar outras 11 feridas.

Diante do ocorrido, o governo de Cabul manifestou repúdio veementemente à ação militar em seu território. “Consideramos isso um ato de agressão e um crime que viola todos os princípios universalmente aceitos”, declarou o porta-voz em pronunciamento oficial condenando a ofensiva.

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Em contrapartida, o Ministério da Informação do Paquistão apresentou uma narrativa distinta sobre os acontecimentos. A pasta informou que os ataques foram planejados de forma estratégica e calibrada, visando alvos específicos de militantes. Segundo o ministério, as ações foram conduzidas com alta precisão no território afegão, resultando na eliminação de 22 combatentes de acordo com avaliações preliminares, além da destruição de grande volume de armamentos e munições armazenados nos locais.

Acusações cruzadas e o fator Tehrik-e-Taliban Pakistan

O pano de fundo para a recorrência de operações militares paquistanesas em solo afegão reside na acusação persistente de Islamabad de que o governo de Cabul permite que facções insurgentes utilizem o território afegão como base de retaguarda para planejar e executar atentados dentro das fronteiras paquistanesas.

O principal foco de atrito é o Tehrik-e-Taliban Pakistan, comumente conhecido como TTP. Trata-se de uma organização distinta, porém ideologicamente alinhada ao Talibã afegão, grupo que retomou o controle do poder no Afeganistão em 2021. Enquanto o governo paquistanês insiste que o grupo opera livremente a partir do país vizinho, Cabul nega categoricamente a existência de refúgios para militantes e rejeita todas as imputações de cumplicidade.

“O perigo para o Paquistão emana do Afeganistão”, pontuou o ministério paquistanês por meio de nota oficial, reiterando que a intervenção teve como foco exclusivo a desarticulação de centros terroristas. A pasta também assegurou que medidas cautelares foram adotadas para evitar danos paralelos e garantiu que a campanha militar prosseguirá de forma contínua até que a ameaça extremista seja neutralizada.

A situação humanitária na região segue alarmante. Dados divulgados recentemente pela missão das Nações Unidas no Afeganistão indicam que mais de 1,1 mil civis já foram mortos ou sofreram ferimentos em decorrência do prolongado conflito apenas no transcorrer deste ano.

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Fonte:: estadao.com.br

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