Nos últimos três anos, a Copel destinou R$ 846,7 milhões para intervenções voltadas à prevenção de interrupções no fornecimento de energia elétrica causadas por eventos climáticos. Os recursos também contemplam medidas de mitigação planejadas estrategicamente para minimizar os impactos de fenômenos meteorológicos sobre a rede de distribuição no estado do Paraná.
Somente entre janeiro e setembro deste ano, a companhia aplicou cerca de R$ 260 milhões nessas frentes de trabalho. O valor médio investido mensalmente em manutenção e eliminação de vegetação próxima aos cabos elétricos nesses primeiros nove meses alcançou R$ 28,8 milhões. Esse ritmo representa um aumento de 7,2% em relação ao ano anterior e supera em 31,2% os patamares registrados em períodos passados.
“O que importa é que o cliente tenha energia no seu imóvel, na sua propriedade. Ações preventivas evitam danos maiores e permitem que possamos restabelecer a energia mais rapidamente em casos de interrupções por eventos externos”, destaca Denis Mollica, diretor-geral de Distribuição da Copel.
Mutirões de poda e manejo de vegetação
Em uma atuação conjunta com prefeituras municipais e a Defesa Civil, as equipes operacionais da empresa realizaram 730 mutirões de poda, roçada e manutenção na infraestrutura elétrica ao longo dos últimos meses. Por meio da Divisão de Poder Público da companhia, foram firmados 81 acordos de cooperação técnica com administrações municipais para otimizar o manejo da vegetação urbana e rural.
“Foram feitas 860 mil podas de árvores junto à rede elétrica em todo o estado e executados 66 milhões de metros quadrados de roçada em áreas rurais, eliminando a vegetação próxima de linhas de energia. Somado a isso, as equipes de campo realizaram mais de 20 mil pontos de manutenção preventiva na rede elétrica. Tudo para evitar danos maiores com a chegada dos temporais”, reforça Mollica.
A área total de 66 milhões de metros quadrados de roçada, que abrange a abertura de faixas livres junto às linhas de transmissão e distribuição nas regiões do interior paranaense, equivale a aproximadamente 10 mil campos de futebol.
Impactos de eventos climáticos extremos
O estado do Paraná tem enfrentado os reflexos de uma sequência intensa de temporais provocados por fenômenos climáticos. Em um intervalo de 45 dias, entre o início de setembro e meados de outubro, sete eventos climáticos severos consecutivos atingiram diferentes regiões paranaenses, desafiando a infraestrutura de distribuição.
Durante a ocorrência de tempestades sucessivas entre o final de setembro e meados de outubro, a instabilidade climática contínua impediu janelas de tempo estável para a recuperação ágil dos danos. O solo encharcado pelas chuvas persistentes, sobretudo nas zonas rurais, dificultou o tráfego de caminhões pesados no transporte de postes e equipamentos, impactando diretamente o tempo de execução dos serviços de campo para o religamento das unidades.
O pico de interrupções no fornecimento de energia provocado pelas tempestades ocorreu no fim de semana dos dias 3 e 4 de outubro, quando 325 mil unidades consumidoras ficaram sem luz. Mesmo com a severidade do quadro, as equipes técnicas conseguiram restabelecer a eletricidade para mais de 90% desse total em um prazo inferior a 24 horas.
Entre o começo de setembro e a primeira semana de outubro, os profissionais da companhia substituíram 3.400 postes quebrados pela força dos ventos, além de sete torres de alta tensão e mais de 200 quilômetros de cabos rompidos. No ápice de cada intempérie, mais de 3 mil colaboradores de campo foram mobilizados para atuar na reconstrução da rede danificada.
Os investimentos voltados especificamente para a infraestrutura de contingência somam R$ 30 milhões, englobando a aquisição de subestações móveis, torres de emergência, renovação da frota e a manutenção de estoques estratégicos de materiais e equipamentos.
Historicamente, o estado tem registrado um acréscimo expressivo na frequência de intempéries severas. Entre 2020 e 2022, a média anual era de 12 grandes temporais de alto impacto. O volume saltou para 20 ocorrências anuais no ciclo entre 2023 e 2025, exigindo maior preparo das equipes de planejamento, operação e campo.
O plano de contingência adotado pela empresa integra processos que vão desde o monitoramento meteorológico permanente até a prontidão operacional e a recomposição rápida dos circuitos afetados.
Automação e tecnologia na rede
Como complemento aos trabalhos manuais de campo, a concessionária tem ampliado os investimentos em automação para conferir maior agilidade ao restabelecimento do serviço. Atualmente, os sistemas de autocorreção de rede, conhecidos como *self-healing*, estão presentes em 1,5 mil pontos no Paraná e beneficiam cerca de 3 milhões de unidades consumidoras, o equivalente a 56% do total atendido pela companhia.
A estrutura conta com 25.700 religadores automáticos integrados que viabilizam o retorno da energia em até três minutos após quedas provocadas por fatores externos. Os dispositivos identificam, isolam e restauram o fluxo elétrico de forma autônoma, sem intervenção humana direta.
Além disso, a rede automatizada está integrada a 2 milhões de medidores inteligentes instalados em 157 municípios paranaenses, o que corresponde a 38% da área de concessão, permitindo a detecção de interrupções em tempo real.
Capacitação e preparação contínua
Para mitigar os efeitos de fenômenos intensos associados ao ciclo de instabilidade climática, os profissionais da Copel participaram de treinamentos e oficinas especializadas, a exemplo do Workshop de Eventos Extremos realizado em julho na sede da empresa, com a presença de meteorologistas e gestores de infraestrutura de todas as regiões do estado.
A companhia também compartilhou suas diretrizes operacionais em âmbitos nacionais, como no seminário promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em Brasília, focado em debater a resiliência do setor elétrico brasileiro diante de variações climáticas drásticas.
Fonte:: parana.pr.gov.br


