O empate em 1 a 1 contra o Red Bull Bragantino, disputado na Ligga Arena, deixou a torcida do Athletico visivelmente frustrada. O sentimento de frustração é plenamente compreensível sempre que uma equipe atua em seus domínios, impõe um ritmo dominante, joga bem, mas acaba desperdiçando a oportunidade de sair de campo com os três pontos.
Foi exatamente esse o enredo da partida. Organizado taticamente, com muita intensidade e proativo desde o apito inicial, o Athletico não esperou o confronto se desenhar de forma passiva. Pelo contrário, o Furacão acumulou tantas oportunidades claras de gol que poderia ter construído uma goleada expressiva sobre o adversário de Bragança Paulista, tamanho foi o volume de jogo imposto ao longo dos noventa minutos.
No entanto, a própria ineficácia ofensiva se encarregou de complicar a vida dos mandantes. Jogadores como Mendoza, João Cruz, Leozinho e, de maneira mais evidente, Viveros passaram a desperdiçar finalizações em série. No encerramento da primeira etapa, o volume de gols perdidos era tão grande que remetia àquela velha expressão popular sobre desperdício capaz de encher a caçamba de um caminhão.
Houve, em momentos específicos, uma dose de soberba por parte de alguns atletas athleticanos. É o caso de Mendoza que, logo na primeira oportunidade, tentou uma finalização plástica de cabeça na trave, buscando um protagonismo individual desnecessário em vez de dominar a bola e concluir com maior segurança. Faltou também concentração a Viveros em duas ocasiões claras, nas quais não levantou a cabeça antes de arrematar, permitindo o desarme da zaga rival. Para piorar o cenário ofensivo, o goleiro Tiago Volpi teve uma atuação excepcional, operando defesas fundamentais em chutes desferidos por Leozinho e João Santos.
Mesmo com a reação do Red Bull Bragantino e com o gol marcado pelo zagueiro Pedro Henrique — figura lembrada pela torcida por conta de sua expulsão na final da Copa Libertadores em Guaiaquil —, o panorama da partida continuou favorável ao time rubro-negro. O Furacão seguiu pressionando e criando chances até que Kerwin Vargas finalmente balançou as redes para igualar o marcador.
Apesar do bom desempenho coletivo, o trabalho da comissão técnica comandada por Odair Hellmann ainda possui margens de ajuste. Atletas como Leozinho, por vezes, demonstram apatia em campo, apostando excessivamente em firulas e aguardando a bola diretamente nos pés, sem a movimentação necessária. Em contrapartida, Kerwin Vargas demonstra exatamente as virtudes opostas: vontade inesgotável, velocidade, inteligência tática e forte presença na área.
A torcida do Athletico precisa reconhecer que a equipe tem plenas condições de apresentar um futebol de alto nível, muito em função do trabalho do técnico Odair Hellmann. Contudo, existem aspectos que fogem ao alcance do comando técnico, como a conversão de um sistema de jogo organizado em gols efetivos, algo que reside estritamente na esfera de execução individual de cada atleta.
A exibição do Furacão foi tão consistente em termos de criação que remeteu a episódios marcantes do futebol internacional, como a postura adotada por Jorge Valdano quando dirigia o Real Madrid. No ano de 1994, após uma derrota do clube merengue para o Sporting de Gijón em circunstâncias de grande domínio, Valdano reuniu seu elenco e proferiu uma frase que sintetiza noites como essa: “Quando se joga assim, temos permissão para perder”.
Fonte:: umdoisesportes.com.br


