Dólar dispara a R$ 5,44 e tem maior alta semanal desde 2008

Marcelo Borges
7 min. de leitura
Foto: © REUTERS/Willy Kurniawan/ Proibido reprodução

O mercado financeiro brasileiro encerrou o mês de outubro sob forte pressão, refletindo uma disparada expressiva na cotação do dólar e uma queda acentuada na bolsa de valores. Na sexta-feira (30), a moeda norte-americana avançou cerca de 1% e fechou cotada perto de R$ 5,45, ao passo que o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, recuou 0,75%, encerrando o dia aos 167,9 mil pontos.

No balanço semanal, o cenário foi de turbulência aguda. O dólar acumulou uma valorização superior a 9%, marcando a maior alta semanal desde o período crítico da crise financeira global em 2008. Em contrapartida, o principal indicador da B3 registrou a sua pior queda semanal desde março de 2020, momento que coincidiu com o início oficial da pandemia de covid-19.

No âmbito doméstico, o comportamento dos ativos financeiros foi fortemente ditado pelos ajustes promovidos pelos investidores após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além das incertezas persistentes em torno da condução da política fiscal brasileira. Paralelamente, no cenário internacional, uma forte onda de baixa nas ações de grandes empresas de tecnologia e de inteligência artificial acabou por pressionar ainda mais o câmbio e as bolsas de diversos países emergentes.

Panorama dos indicadores financeiros do dia

  • Dólar à vista: R$ 5,446 (alta de 1,09%);
  • Cotação máxima do dólar no dia: R$ 5,463, registrada por volta das 16h;
  • Ibovespa: 167.921,80 pontos (baixa de 0,75%);
  • Desempenho do dólar na semana: +9,15%;
  • Desempenho do Ibovespa na semana: -18,12%;
  • Desempenho do dólar no mês de outubro: +5,27%;
  • Desempenho do Ibovespa no mês de outubro: -9,88%.

Dinâmica do mercado cambial e fatores de pressão

O dólar comercial encerrou o último pregão útil da semana com avanço de 1,09%, cotado a R$ 5,446, alcançando assim o seu maior patamar de fechamento para o ano de 2026. Ao longo da sessão de negócios, a moeda chegou a tocar a marca de R$ 5,463 antes de perder parte do fôlego e reduzir os ganhos acumulados.

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Durante a semana que sucedeu o segundo turno das eleições presidenciais, a moeda americana acumulou um salto de 9,15%. Esse movimento representou a maior valorização semanal registrada desde outubro de 2008, época em que o planeta enfrentava o auge da crise financeira internacional.

No acumulado de outubro, a divisa avançou 5,27%, fazendo com que o saldo positivo da moeda no ano passasse a ser de 0,81%. Uma parcela da volatilidade observada na primeira metade da sessão esteve diretamente associada à formação da Ptax de fim de mês — taxa calculada diariamente pelo Banco Central e utilizada como referência para a liquidação de contratos futuros de câmbio.

A pressão exercida sobre o real também encontrou respaldo na reavaliação de portfólios por parte dos agentes econômicos logo após o desfecho eleitoral. A expectativa em torno da definição dos nomes que comporão a equipe econômica do próximo mandato presidencial, bem como a apresentação de medidas concretas voltadas para o controle das contas públicas, manteve o mercado financeiro em estado de alerta permanente quanto aos rumos fiscais do país.

Outro elemento que contribuiu para o encarecimento da moeda norte-americana foi a tradicional busca por proteção cambial por parte dos investidores, visando mitigar riscos antes do fim de semana prolongado pelo feriado nacional de Finados, comemorado na segunda-feira (2). No mercado externo, o dólar retomou sua trajetória de alta frente às moedas de economias emergentes, em um dia marcado por instabilidades no setor tecnológico global.

Bolsa de valores acumula perdas expressivas

O Ibovespa fechou a sessão desta sexta-feira registrando queda de 0,75%, estacionando nos 167.921,80 pontos. O resultado consolidou o quinto pregão consecutivo de baixa para o principal índice acionário do mercado brasileiro.

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Considerando o intervalo semanal, o indicador acumulou uma desvalorização de 18,12%, configurando o pior resultado desde março de 2020, quando o mercado despencara 18,88% sob o impacto inicial da crise sanitária global.

O balanço mensal também fechou no vermelho. Ao longo de outubro, o Ibovespa cedeu 9,88%, configurando o pior desempenho para o mês desde junho de 2022, período em que as perdas haviam atingido 11,5%.

O movimento de forte pressão sobre as ações nacionais ganhou tração logo após a confirmação da reeleição de Lula. No primeiro dia útil de negociações após o pleito, realizado na segunda-feira (26), a queda acentuada do índice acionou o circuit breaker, mecanismo de segurança da B3 que paralisa temporariamente os negócios diante de perdas drásticas.

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Ao longo da semana, a fuga expressiva de capital estrangeiro também funcionou como catalisador de baixa para os ativos locais. Dados divulgados pela B3 apontaram uma retirada líquida de quase R$ 7,6 bilhões do mercado secundário de ações apenas nos três primeiros pregões do período.

Cenário internacional desfavorável

Além das turbulências de natureza doméstica, o mercado brasileiro operou sob forte influência de um ambiente externo adverso. Os investidores globais demonstraram cautela redobrada diante do desempenho das gigantes de tecnologia nos Estados Unidos e das incertezas persistentes acerca dos desdobramentos da inflação e das taxas de juros em âmbito global.

Em Nova York, o índice S&P 500 encerrou o dia com baixa de 1,82%, refletindo as preocupações do mercado com os balanços corporativos de empresas ligadas ao setor tecnológico e com a sustentabilidade dos pesados investimentos direcionados à inteligência artificial.

No mercado internacional de câmbio, o índice do dólar — que compara a força da moeda norte-americana com uma cesta composta por seis das principais divisas globais — operava com leve alta de 0,01%, cotado aos 101,890 pontos por volta das 17h31.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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