A tarde desta terça-feira (19) foi marcada por uma atmosfera de celebração cultural na Colônia Penal Industrial de Maringá (CPIM). O motivo foi a comemoração dos 30 anos de fundação do Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (Ceebja) Professora Tomires Moreira de Carvalho, uma instituição que se tornou referência ao levar o conhecimento para dentro do sistema prisional.
Para marcar as três décadas de história, o público teve a oportunidade de conferir uma exposição de trabalhos artísticos e pedagógicos desenvolvidos pelos alunos privados de liberdade (PPL) ao longo dos anos. Além disso, houve uma apresentação teatral que sintetizou o verdadeiro propósito do projeto.
O ponto alto das apresentações culturais foi um monólogo encenado por um egresso do sistema prisional, que descobriu e desenvolveu suas habilidades cênicas durante o cumprimento de sua pena. A peça tocou profundamente os presentes, ao revisitar memórias, dores e os desafios do recomeço na vida pessoal do ator, evidenciando que a verdadeira liberdade começa a florescer quando o indivíduo volta a acreditar em seu próprio potencial.
O coordenador regional da Polícia Penal do Paraná em Maringá, Júlio César Vicente Franco, expressou grande satisfação ao recordar a trajetória da instituição. “A escola dentro das unidades penais é um dos principais pilares de sustentação do tratamento penal, capaz de proporcionar aos apenados novas perspectivas de futuro que vão muito além das grades do cárcere”, destacou ele.
Esse impacto transformador foi o fio condutor dos discursos das autoridades que contribuíram para a construção dessa trajetória e ganhou vida nas palavras de quem presenciou o início do projeto. O diretor da Casa de Custódia de Maringá, Ronaldo Oliveira Guerra, que ingressou no sistema prisional em 1996, protagonizou o momento mais emocionante da realização ao relembrar o início do projeto. “Ver a evolução desse trabalho traz a certeza de que a educação é a ferramenta mais poderosa de reinserção social que temos, devolvendo dignidade e cidadania a quem mais precisa. Precisamos valorizar o esforço de todos, especialmente dos professores que começaram e mantêm esse projeto até hoje”, afirmou.
O que teve início em 1996 na Penitenciária Estadual de Maringá (PEM) rapidamente expandiu suas fronteiras para atender à crescente demanda por transformação social. Em 2013, o Ceebja passou a acolher também os custodiados da Colônia Penal Industrial e, em 2016, consolidou sua presença na Casa de Custódia de Maringá. De acordo com dados da instituição, atualmente, esse esforço conjunto resulta no atendimento simultâneo de aproximadamente 600 alunos na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) nas três unidades penais de Maringá.
Ao encerrar a solenidade, a diretora da instituição de ensino, Vilma Biadola, fez um resgate histórico da trajetória da escola e expressou sua gratidão aos professores, policiais penais, servidores e parceiros. “Celebrar esses 30 anos significa reconhecer o esforço coletivo de uma grande equipe e, acima de tudo, homenagear cada estudante que, diante de todas as adversidades, escolheu os livros e a educação como o caminho definitivo para reescrever a sua própria história”, concluiu.
Fonte: policiapenal.pr.gov.br


