Exceção à regra, Odair Hellmann completa um ano de Athletico; veja a linha do tempo

Marcelo Borges
8 min. de leitura
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No Athletico, a permanência de técnicos no cargo é rara. Desde a contratação de Odair Hellmann, em 21 de maio de 2025, o clube registrou uma média de 3,4 treinadores por ano, desde o início da gestão de Petraglia em 1995. Essa instabilidade, contudo, é um problema que antecede a atual administração.

The last coach to complete a full season with the club was Geraldo Damasceno, em 1982, há mais de 40 anos, o que representa 43% do tempo que o Athletico, centenário e rubro-negro paranaense, existe.

Por isso, nesta quinta-feira (21), Odair Hellmann pode celebrar com orgulho. Ao longo desse tempo, ele se une a Paulo Autuori (entre 2016 e 2017) e Tiago Nunes (de 2018 a 2019) como os únicos técnicos deste século a completar um ano à frente do Athletico, desafiando as estatísticas e se firmando como uma exceção à regra no clube da Baixada.

“Estou muito feliz no clube, honrado por ser o treinador do Athletico. Estou adaptado e feliz com a cidade, o que gera alegria e confiança para que eu possa desenvolver o trabalho. Sabemos que não é fácil no futebol brasileiro, mas estamos conseguindo.”

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O sucesso de Odair se deve à forte colaboração com a diretoria e à evidente conexão com a torcida, elementos que explicam sua longevidade no CT do Caju. “As coisas se encaixaram”, ele costuma afirmar. A campanha de recuperação na Série B e a conquista de acesso são resultados que, se não continuarem na elite, podem comprometer sua continuidade, mas até agora, os resultados estão acima das expectativas. Atualmente, o time ocupa a quinta colocação do Campeonato Brasileiro, com 24 pontos, embora o elenco tenha recebido poucos reforços. Se essa tendência continuar, Odair pode igualar a marca de Geraldo Damasceno após 40 anos.

Desafios e Números de Odair

Desde que assumiu, Odair Hellmann comandou o Athletico em 55 partidas, contabilizando 25 vitórias, 12 empates e 18 derrotas, o que resulta em um aproveitamento de 52,7%. A equipe marcou 71 gols e sofreu 53.

No entanto, a trajetória não foi isenta de desafios. Na Série B, o Athletico enfrentou uma difícil sequência de oito jogos sem vencer, colocando o acesso em risco. No Campeonato Paranaense deste ano, o clube foi eliminado na fase semifinal, na Arena da Baixada. Porém, Odair, que vem de um pequeno município em Santa Catarina, superou esses percalços com perseverança, engajando tanto os jogadores quanto a torcida. Assim, conseguiu dar a volta por cima.

“Gostaria de estar em uma fase ainda melhor e continuarei a trabalhar para isso. Este ano foi de um bom trabalho. Agora, é hora de manter a estabilidade e seguir competindo na Copa do Brasil. O futebol não para; não podemos achar que está tudo certo. É preciso manter a concentração”, resume.

Linha do Tempo de Odair no Athletico

Odair: Tira leite de pedra com jovens talentos

Entre os torcedores do Athletico, há um consenso de que Odair Hellmann tem o talento de “tirar leite de pedra”. O desempenho e os resultados positivos, apesar das oscilações normais de uma equipe, são notáveis dentro do que pode ser considerado um elenco limitado. Em um cenário onde os investimentos para 2026 são modestos, Odair se volta para os jovens talentos e para o artilheiro Kevin Viveros, buscando extrair o máximo de cada jogador.

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Seus métodos podem ser resumidos em três pilares. Primeiro, Odair estabeleceu um padrão de jogo e aprimorou tanto o sistema defensivo quanto as jogadas de bola parada, além de trabalhar na mentalidade dos jogadores. Em segundo lugar, mantém um ambiente controlado no vestiário, cultivando um relacionamento estreito e de confiança com a diretoria. Por último, ele conquistou o apoio maciço da torcida ao demonstrar transparência e autenticidade em sua liderança.

Não é exagero afirmar que Odair Hellmann é o técnico mais marcante do clube desde Tiago Nunes, que levou o time aos títulos da Sul-Americana em 2018 e da Copa do Brasil em 2019. Nem mesmo Felipão, que teve passagem marcante na final da Libertadores de 2022, ou outros campeões como Alberto Valentim e Paulo Autuori conseguiram alcançar o mesmo nível de prestígio que Odair conquistou.

Odair Hellmann, técnico do Athletico. (Foto: Luis Miguel Ferreira/Athletico).

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Reinventando a imagem

Uma das principais surpresas foi a transformação da imagem de Odair, que não se restringe ao aspecto físico, visto que ele emagreceu bastante desde sua chegada ao clube. A fama de “retranqueiro”, associada a suas passagens por outros clubes, diz respeito ao estilo de jogo que ficou para trás. Ao chegar ao Athletico, ele imediatamente se deparou com a necessidade de mudar de abordagem, dada a responsabilidade de levar o time à Série A, armando estratégias para superar os adversários.

“Com minha família, especialmente minha esposa, tomei boas decisões. Não fui um treinador que se deixou levar apenas pela questão financeira. Esperei pelas oportunidades certas, tanto para sair quanto para voltar ao Brasil, no momento e lugar adequados”, diz Odair.

O técnico busca um time equilibrado e adaptável às diversas situações de jogo, defendendo e atacando com eficiência, como destaca Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira. O desafio atual é lidar com a discrepância de desempenho em casa e fora. O Athletico se reconstruiu como uma força em casa, com o quinto melhor aproveitamento na Série A (74%), mas enfrenta dificuldades fora de Curitiba, onde ocupa a quinta posição na tabela de visitantes, com cinco derrotas em sete jogos.

Essa questão é a principal preocupação de Odair e será um foco para o segundo semestre, onde o objetivo primário é assegurar a permanência na Série A. Qualquer vaga em competições internacionais será um bônus, embora isso já comece a parecer um objetivo provável.

Odair possui a confiança de Mario Celso Petraglia, o que é crucial para sua continuidade no clube. Seu objetivo agora é escrever seu nome na história do Athletico, sendo o primeiro treinador a permanecer no cargo de janeiro a dezembro e finalizar o ciclo.

“Um dos pilares do meu trabalho é o relacionamento. É fundamental ter respeito e responsabilidade. A diretoria precisa cobrar, e nós, como técnica, precisamos cobrar os jogadores. Embora nem tudo saia como planeado, sempre procurei manter um ambiente de respeito no clube e com todos que aqui trabalham”, finaliza.

Fonte: umdoisesportes.com.br

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