O setor agrícola do estado registra um momento de expressiva transformação, impulsionado pelo avanço na área cultivada e pela modernização das técnicas de manejo no Noroeste paranaense. Como reflexo desse dinamismo, a cidade de Umuarama se prepara para sediar um evento técnico voltado a reunir agricultores, especialistas e profissionais da área para debater os rumos, os desafios e as novas oportunidades comerciais para a cultura.
O Seminário de Produtores de Alho de Umuarama ocorre das 9h às 15h30, no Auditório da Sociedade Rural do município. A iniciativa é promovida pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), em conjunto com diversas entidades e organizações ligadas à cadeia produtiva. O acesso à programação é totalmente gratuito, abrangendo palestras estratégicas focadas na valorização do produto perante o mercado consumidor e em orientações práticas para o campo.
Crescimento expressivo na região
A escolha de Umuarama como sede do encontro reflete diretamente a forte expansão que a atividade vem experimentando em toda a região Noroeste. Os dados estatísticos evidenciam um salto impressionante nos últimos ciclos agrícolas. Em apenas um ano, o valor bruto da produção regional saltou de R$ 128,8 mil, registrados em 2024, para impressionantes R$ 2,2 milhões em 2025, o que representa um crescimento de aproximadamente 16 vezes.
No mesmo período, o volume total colhido experimentou um avanço expressivo, subindo de 8 toneladas para 128 toneladas. Paralelamente, a área dedicada ao plantio quintuplicou, passando de 3 para 15 hectares. Para especialistas do setor, esse ritmo acelerado demonstra a viabilidade econômica da cultura e a urgência de capacitar os agricultores para otimizar os processos produtivos.
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Segundo o engenheiro agrônomo e técnico do IDR-Paraná, Ednilson Simone, o avanço rápido da atividade evidencia o potencial da região e a importância de preparar os produtores para ampliar a produtividade, aprimorar o manejo e conquistar espaço no mercado. A programação do evento foi estruturada para unir orientações técnicas e discussões sobre a valorização comercial, garantindo que o crescimento venha acompanhado de sustentabilidade financeira para quem investe na lavoura.
Tecnologia e inovação no campo
Um dos pilares fundamentais para esse novo momento da olericultura paranaense é o Projeto Alho Livre de Vírus, desenvolvido em uma parceria estratégica entre o IDR-Paraná e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A iniciativa tecnológica, que visa elevar o teto produtivo e a qualidade sanitária dos bulbos, será um dos principais destaques durante o seminário em Umuarama, onde serão apresentados os resultados obtidos até o momento e as perspectivas futuras.
Tradicionalmente, a multiplicação do alho ocorre por meio do plantio de dentes retirados do próprio bulbo colhido na safra anterior. No entanto, o cultivo sucessivo sem o devido isolamento sanitário faz com que o material acumule cargas virais ao longo dos anos, resultando em plantas enfraquecidas e quedas drásticas na produtividade das lavouras. Com o uso de sementes certificadas e livres de patógenos, o cenário muda completamente.
Para viabilizar o acesso a essa tecnologia de ponta, o IDR-Paraná e a Embrapa realizam o repasse de material inicial a associações e organizações de produtores. Cabe a essas entidades multiplicar as sementes em ambientes controlados, utilizando estufas protegidas por telas antiafídeos que impedem a entrada de insetos vetores de vírus, preservando a sanidade dos bulbos.
Produtividade duplicada
O impacto dessa tecnologia na lavoura é direto e mensurável. Enquanto plantios tradicionais com materiais contaminados costumam registrar médias de 4 a 5 toneladas por hectare, as lavouras implantadas com alho livre de vírus alcançam cerca de 10 toneladas por hectare. De acordo com o assessor estadual de olericultura do IDR-Paraná, João Reis, o projeto colabora na redução dos custos operacionais e eleva a oferta de insumos qualificados, favorecendo a rentabilidade e a competitividade comercial.
Os reflexos práticos dessa política já aparecem nas estatísticas locais. Na safra de 2026, 23 produtores integrados ao sistema cooperativo cultivaram alho livre de vírus na região, obtendo índices de colheita que variaram de 8 a 10 quilos de produto para cada quilo de semente lançado à terra. Para a safra seguinte, em 2027, a projeção oficial aponta para a ampliação do programa, alcançando 30 produtores exclusivos na área de abrangência de Umuarama.
O engenheiro agrônomo Antônio de Pádua reforça que a adoção de boas práticas agrícolas combinada com sementes de baixa carga viral eleva a probabilidade de ganhos expressivos por hectare. O trabalho de assistência técnica continuada garante que os agricultores locais produzam com mais eficiência, agregando valor e qualidade superior ao produto final entregue aos consumidores.
Programação técnica e palestras
Além da discussão sobre o projeto sanitário, o evento programou debates aprofundados sobre todas as etapas operacionais da cadeia, englobando o preparo do solo, as melhores práticas de colheita e os cuidados essenciais no período pós-colheita, além de detalhar os termos do acordo de cooperação técnica firmado entre as instituições de pesquisa.
Entre os nomes de destaque na programação científica está o pesquisador Francisco Vilela, da Embrapa, considerado uma das principais referências nacionais na cultura do alho. Ele conduzirá a palestra magna com o tema “Tecnologia para a produção de alho de qualidade”, trazendo orientações práticas para o aprimoramento dos cultivos locais. O evento também contará com palestras de técnicos do IDR-Paraná e de representantes da Associação Nacional dos Produtores de Alho (ANAPA).
Serviço
Evento: Seminário de Produtores de Alho de Umuarama
Data: 22 de outubro de 2026 (quinta-feira)
Horário: Das 9h às 15h30
Local: Auditório da Sociedade Rural de Umuarama (Parque de Exposições, Rodovia PR-323, Umuarama – PR)
Fonte:: idrparana.pr.gov.br


