Ator marco nanini enfrenta vaias e xingamentos do público no sul do país

Marcelo Borges
4 min. de leitura

Você imaginaria que uma apresentação teatral respeitada terminaria com revolta generalizada da plateia? Foi exatamente o clima de tensão que tomou conta do Teatro Simões Lopes Neto, localizado em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, durante uma exibição da peça “Fim de Partida”. O consagrado ator Marco Nanini acabou sendo alvo de vaias intensas e xingamentos pesados desferidos por espectadores indignados após um impasse envolvendo a profissional de tradução em Libras, que acabou se retirando do palco antes do término programado do espetáculo.

O incidente que gerou toda a polêmica começou a se desenrolar quando a montagem teatral já estava em andamento por aproximadamente dez minutos. De acordo tvpop.com.br/302766/luis-miranda-volta-as-novelas-apos-11-anos-e-herda-papel-de-marco-nanini/”>o ator Marco Nanini teria optado por interromper o fluxo da atuação e se retirou momentaneamente da cena após apontar que o esquema de iluminação montado para destacar a intérprete de Língua Brasileira de Sinais estava gerando sombras indesejadas, prejudicando diretamente a sua visibilidade no palco. Diante da reclamação, profissionais da técnica, produtores e colaboradores da casa de espetáculos precisaram intervir rapidamente na tentativa de buscar uma alternativa viável para o problema de visibilidade.

Apesar dos esforços da equipe técnica nos bastidores, não foi possível alcançar um consenso operacional naquele momento específico. Como consequência do impasse, a equipe responsável pela tradução e acessibilidade em Libras optou por deixar o estabelecimento cultural. Minutos depois, uma representante da administração do teatro tomou a palavra para comunicar formalmente aos presentes que o restante da peça prosseguiria normalmente, porém sem o recurso de tradução simultânea para surdos.

A revelação gerou imediata indignação em parte da plateia. Espectadores começaram a protestar ruidosamente contra a ausência da ferramenta de inclusão social, direcionando a insatisfação também ao elenco. Parte do público presente na sala de espetáculos se voltou contra o artista principal, proferindo ofensas verbais diretas e gritos de cunho pejorativo, como “horroroso” e “sem vergonha”, transformando o ambiente cultural em um cenário de hostilidade explícita.

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Diante da grande repercussão negativa que o episódio ganhou nas redes sociais e nos portais de notícias, a Pequena Central de Produções Artísticas, empresa responsável pela realização da peça e gerida por Marco Nanini em parceria com Fernando Libonati, viu-se na obrigação de emitir um pronunciamento oficial para esclarecer os fatos aos fãs e à opinião pública. No documento, a produtora justificou que o atrito ocorreu devido a uma falha técnica de compatibilidade entre o posicionamento estipulado para a profissional de Libras e o projeto de luzes concebido para a encenação.

No texto da nota oficial, a administração da companhia teatral admitiu abertamente que falhou ao não conferir antecipadamente se a estrutura física e luminosa daquela sessão específica comportaria adequadamente a interpretação em Libras sem gerar conflitos visuais para o elenco principal. “Assumimos inteira responsabilidade por essa falha e por suas consequências”, pontuou a empresa em trecho do comunicado, reconhecendo que o contratempo acabou privando o público surdo do direito fundamental ao acesso à cultura e à arte apresentada.

Por fim, a produtora cultural formalizou pedidos de desculpas públicos direcionados à comunidade surda que se sentiu lesada pela ausência da acessibilidade, às profissionais de interpretação que precisaram deixar o local e aos demais cidadãos que acompanhavam o espetáculo. A companhia reforçou ainda que a inclusão e a acessibilidade continuam sendo pilares fundamentais em sua filosofia de trabalho, devendo ser rigorosamente planejadas e garantidas em todas as etapas de produção de seus futuros projetos nos palcos brasileiros.

Fonte:: tvpop.com.br

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