Festival de cinema no Rio de Janeiro destaca produções realizadas por crianças e jovens

Marcelo Borges
7 min. de leitura
© Divulgação Festival Internacional Pequeno Cin...

O encanto pela Sétima Arte muitas vezes desperta ainda na infância. Por volta dos 5 anos, as brincadeiras de Miguel Figueiredo Viglio já envolviam montagens de pequenos filmes com tramas de super-heróis. Conforme o interesse crescia, o garoto deu um passo adiante e, aos 7 anos, decidiu participar de um curso de stop motion, técnica de animação executada quadro a quadro.

“Aí comecei a fazer os filmes em stop motion com brinquedos que eu tinha e fui me aprimorando”, relatou.

Hoje, com 14 anos, o jovem tem a convicção de que deseja seguir profissionalmente na área, embora reconheça os desafios da profissão. “É difícil, mas sei que vou trabalhar com uma coisa que eu gosto e com pessoas que também gostam da mesma coisa”, afirmou.

Miguel Viglio é um dos participantes selecionados para o Festival Internacional Pequeno Cineasta (FIPC), evento que ocorre em espaços culturais do Rio de Janeiro, com programação totalmente gratuita para o público.

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No ambiente familiar, Miguel recebe forte incentivo da mãe, Chica Amoreira, que relembra com orgulho as premiações conquistadas pelo filho. Com a obra intitulada Circo dos Horrores — produção com a qual concorre nesta edição do FIPC —, o jovem cineasta acumulou troféus como o de Melhor Filme no festival FECEA, no Rio Grande do Sul, em 2025; o Troféu Geração no Festival do Rio, no mesmo ano; e o prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular no festival É Tudo Criança, em Minas Gerais, em 2026.

A projeção do trabalho também alcançou o exterior. A produção foi finalista no CineClub Dei Picoli, na Itália, em 2025; no Madeira Curtas Short Film, em Portugal, em 2026; e no REC Film Festival, na Alemanha, também em 2026.

Novos talentos e superação de desafios

Outro destaque entre os concorrentes desta edição é Daniel Nini, de 16 anos. O primeiro contato com a atuação teatral despertou o desejo de migrar para o cinema, impulsionado pelo hábito frequente de assistir a longas-metragens.

“Com 10 anos eu me toquei que poderia estar nos filmes e realizar filmes. Aí comecei a ver muita coisa para pegar bagagem cultural e tentar botar em prática os meus próprios roteiros”, explicou.

Nos primeiros passos da carreira, diante da falta de equipamentos profissionais, o celular foi a principal ferramenta de trabalho. “Nessa época eu não tinha câmera, quando eu peguei feito por telefone, pensei que nada ia ser aproveitado, porque o som também não estava com uma qualidade muito boa, mas com a mágica da edição, ainda mais vendo na tela grande, ficou ótimo. Fiquei muito feliz com o resultado”, relatou.

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Com o passar do tempo e o retorno financeiro obtido através de trabalhos como ator, o jovem conseguiu adquirir os equipamentos necessários para aprimorar suas produções.

Protagonismo juvenil no júri

Uma das marcas registradas do evento é a participação ativa de crianças e adolescentes na avaliação das obras. O Júri Oficial é composto exclusivamente por jovens na mesma faixa etária dos concorrentes, com idades entre 8 e 17 anos.

Para Carina Ki, integrante do Júri Oficial, a responsabilidade de julgar os trabalhos é um marco importante na trajetória de quem está começando. A jovem destacou o impacto causado pela qualidade técnica e criativa dos projetos avaliados.

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“Quando eu soube que eram de 13 a 17 pensei que era uma coisa meio experimental porque são crianças fazendo, mas fiquei muito impactada com a criatividade e todas as técnicas que elas usaram. As crianças se esforçaram muito para fazer. Fiquei muito impressionada com o talento delas”, declarou.

A cineasta, produtora e idealizadora do FIPC, Daniela Gracindo, enfatiza que o grande diferencial da iniciativa é inverter a lógica tradicional, permitindo que os próprios jovens assumam as câmeras para relatar suas vivências, sem a intermediação de uma perspectiva adulta.

“Eles ficam se sentindo mais participativos com protagonismo, porque a opinião deles importa. Já muda completamente a postura daquela criança que senta na cadeira sabendo que vai eleger o filme que vai ser premiado. A postura dela na cadeira de cinema é outra”, avaliou.

Trajetória e expansão

A 11ª edição do Festival Internacional Pequeno Cineasta reflete a ampliação do interesse infantojuvenil pela Sétima Arte. O projeto nasceu em 2009, desdobramento de uma oficina criada por Daniela Gracindo durante a produção de uma homenagem ao avô, o ator Paulo Gracindo. A turma inaugural reuniu crianças de 9 a 13 anos para aprender todas as etapas da produção cinematográfica, desde a concepção do roteiro até a finalização.

Ao longo dos anos, as oficinas expandiram-se para diferentes estados brasileiros, como São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de iniciativas internacionais na Argentina e na Guiana Francesa.

“Cada edição que eu faço é uma potência tão grande de troca de cultura, de conexão, de conseguir se aproximar da criança, porque a gente tem esse espaço qualificado onde elas podem e devem se expressar por meio da sétima arte”, pontuou a idealizadora.

Panorama da programação atual

Nesta edição, o festival exibe 68 produções criadas por realizadores de 8 a 17 anos. Os filmes foram selecionados a partir de 467 inscrições provenientes de 41 países e dez estados brasileiros, abrangendo gêneros como ficção, documentário e animação.

As obras refletem a percepção das novas gerações sobre temas complexos e cotidianos, tais como amizade, relações familiares, preconceito, inteligência artificial, cyberbullying e crise climática.

A programação inclui mostras competitivas divididas por categorias etárias — Criança (8 a 12 anos) e Jovem (13 a 17 anos) —, além de mostras especiais voltadas para filmes hispânicos, produções de oficinas e pautas socioambientais.

Além das exibições, o evento promove intercâmbios culturais, como o encontro entre jovens cineastas do Brasil e da Guiana Francesa, oficinas formativas direcionadas a educadores e debates sobre a linguagem audiovisual aplicada ao ambiente escolar.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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