Cenário incerto em Israel aponta disputa acirrada entre Netanyahu e Eisenkot

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Redação

TEL-AVIV — Pesquisas de boca de urna divulgadas em Israel apontam para um cenário político profundamente dividido e sem um vencedor claro. O levantamento indica que a coalizão de oposição, encabeçada pelo ex-chefe das Forças Armadas Gadi Eisenkot, tem potencial para conquistar mais cadeiras no Parlamento do que o grupo liderado pelo atual primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. Apesar da vantagem numérica projetada para a oposição, nenhum dos dois blocos principais parece assegurar a maioria necessária para governar sozinho.

As projeções dos principais canais de televisão israelenses estimam que o grupo liderado por Gadi Eisenkot alcance 53 parlamentares. Em contrapartida, o bloco de Binyamin Netanyahu deve garantir 50 assentos, enquanto as legendas árabes somariam 17 cadeiras no total. O Likud, partido de Netanyahu, destaca-se isoladamente com um número expressivo de assentos, mas analistas apontam que o premiê enfrentará barreiras complexas para costurar uma maioria.

Por outro lado, Gadi Eisenkot também encontraria obstáculos severos para consolidar um governo. Para alcançar o patamar exigido, o oposicionista dependeria do apoio de partidos árabes, uma articulação considerada improvável no atual xadrez político do país. No sistema parlamentarista de Israel, a governabilidade exige a conquista de pelo menos 61 dos 120 assentos do Parlamento, o que obriga os partidos a formarem coalizões amplas.

Histórico recente demonstra que o partido vencedor nas urnas nem sempre consegue liderar o executivo. O próprio Binyamin Netanyahu conquistou o maior número de cadeiras nas eleições de 2021, mas fracassou na tentativa de estruturar uma coalizão majoritária, abrindo espaço para administrações rivais na época.

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Durante o dia de votação, a disputa jurídica e política também se fez presente. O Likud solicitou uma extensão no horário de funcionamento das seções eleitorais à Comissão Eleitoral Central, movimento acompanhado por apelos de Netanyahu para que sua base comparecesse às urnas. No entanto, Gadi Eisenkot posicionou-se frontalmente contra a prorrogação. Perto do fechamento oficial, a comissão confirmou que o horário seria mantido sem extensões.

Participação recorde marca o pleito

Apesar da polarização e das incertezas quanto aos rumos do país, o comparecimento às urnas surpreendeu analistas e bateu marcas históricas. A Comissão Eleitoral Central informou que 74,3% dos eleitores aptos votaram até as 20h, configurando a taxa mais alta registrada para esse horário desde o ano de 1988.

Segundo balanço apresentado por Dean Livne, chefe da comissão, mais de 3,29 milhões de cidadãos israelenses compareceram aos locais de votação logo na primeira metade do dia, representando 44,9% do eleitorado total. Contudo, o engajamento apresentou variações geográficas significativas. Dados divulgados nas horas finais do pleito indicavam que a participação nas cinco principais cidades redutos do Likud nas eleições de 2022 estava até dez pontos percentuais abaixo da média nacional.

Ambos os lados intensificaram os apelos de última hora, gerando longas filas em zonas eleitorais de várias regiões. A autoridade eleitoral garantiu que todos os eleitores que estivessem nas filas até o fechamento dos portões teriam o direito de exercer o voto.

Debates internos e impacto de conflitos regionais

Além da disputa pelo poder entre as principais lideranças, o pleito colocou em pauta temas sensíveis da sociedade israelense. Entre as questões mais debatidas esteve a obrigatoriedade do serviço militar para as comunidades de judeus ortodoxos. O assunto divide a opinião pública há décadas, mas ganhou urgência redobrada diante dos recentes conflitos que exigiram mobilizações em massa das forças de segurança.

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Desde os ataques liderados pelo Hamas, a administração de Binyamin Netanyahu conduziu uma ampla operação militar na Faixa de Gaza. Dados divulgados por agências internacionais apontam dezenas de milhares de mortes e o deslocamento massivo da população local. O cenário de hostilidades estendeu-se para frentes no Líbano, no Iêmen e, posteriormente, em confrontos diretos envolvendo o Irã. A postura militar adotada pelo governo gerou fortes reações da comunidade internacional e denúncias de graves violações de direitos humanos, rejeitadas por Tel-Aviv como motivações políticas.

Nesse contexto de desgaste e polarização, Gadi Eisenkot emergiu como uma alternativa de peso na política israelense. Judeu sefaradita com origens familiares no Marrocos, Eisenkot comandou as Forças Armadas entre 2015 e 2019, sob a gestão do próprio Netanyahu. Após os eventos de outubro, ele fundou o partido Yashar em 2025, ganhando projeção entre eleitores que buscam mudanças na condução estratégica do Estado.

Processo de apuração manual

Com o encerramento da votação, o país inicia um processo tradicional e rigoroso de contagem de votos, que emprega pouca tecnologia automatizada nas etapas iniciais. Em mais de 12 mil seções eleitorais espalhadas pelo território nacional, representantes partidários iniciam a conferência manual das cédulas, sob a vigilância de observadores equipados com câmeras corporais.

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Posteriormente, o material apurado é transportado sob escolta para centros regionais de computação de dados, onde os números são consolidados eletronicamente. Devido à minúcia do procedimento de verificação, a divulgação dos resultados definitivos pelas autoridades competentes deve ocorrer apenas nos próximos dias.

Fonte:: estadao.com.br

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