Líder sul-coreano sugere congelamento atômico em vez de desarmamento imediato na península

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Redação

Os Estados Unidos deveriam direcionar seus esforços diplomáticos para buscar o congelamento, em vez de exigir a eliminação imediata, do programa nuclear da Coreia do Norte. A avaliação foi feita pelo presidente sul-coreano Lee Jae-myung, que também defendeu a oferta de alívio nas sanções internacionais como contrapartida para estabilizar a situação geopolítica na região asiática.

A declaração do mandatário foi concedida durante uma entrevista exclusiva ao jornal norte-americano The New York Times, divulgada na última segunda-feira, 21. Desde que assumiu o comando do executivo em junho de 2025, Lee tem promovido uma guinada significativa na política externa de seu país. Ele reverteu a postura de linha-dura adotada por seu antecessor, Yoon Suk-yeol, optando por estender a mão e oferecer canais de diálogo e negociações sem exigências pré-condicionadas ao regime norte-coreano, que detém artefatos atômicos.

Apesar da abertura diplomática demonstrada por Seul, a capital norte-coreana, Pyongyang, ainda não emitiu nenhuma resposta oficial ou sinalização de que aceitaria retomar as conversas.

O panorama estratégico e as alianças internacionais

O cenário geopolítico atual difere drasticamente dos anos anteriores. Mesmo enfrentando um rigoroso e duradouro regime de sanções econômicas impostas pela ONU, a Coreia do Norte consolidou de fato o seu status como potência detentora de armas nucleares. Autoridades governamentais de Pyongyang têm reiterado publicamente que o arsenal atômico construído ao longo de décadas é permanente, definitivo e irreversível.

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Além disso, o governo norte-coreano conseguiu estreitar laços estratégicos e garantir o respaldo político e militar da Rússia, somando-se à aliança histórica que já mantinha com a China. Essa nova rede de apoios diminui consideravelmente qualquer incentivo ou benefício potencial que o país poderia enxergar na retomada de laços diplomáticos tradicionais com Washington.

Durante a entrevista, o presidente sul-coreano detalhou sua visão sobre como mitigar os riscos atuais. “Acredito que haja um valor significativo em uma troca entre as sanções e a suspensão do desenvolvimento de novas armas nucleares e tecnologia de mísseis balísticos intercontinentais”, declarou Lee ao periódico.

O chefe de Estado foi enfático ao avaliar a ineficácia das exigências tradicionais diante da realidade militar estabelecida na península. “Buscar a desnuclearização nas circunstâncias atuais só garante que nada será alcançado”, pontuou.

Divergências e o histórico de negociações

Em ocasiões anteriores, o líder sul-coreano já havia sustentado que paralisar as capacidades nucleares norte-coreanas nos patamares em que se encontram atualmente — o que envolveria interromper novas linhas de produção e bloquear a importação de componentes fundamentais — representaria, por si só, “uma grande conquista” para a segurança internacional.

Apesar de ser vista por alguns analistas como uma alternativa pragmática para conter a escalada de tensões, a proposta enfrenta forte resistência. Setores críticos argumentam que essa estratégia caminha perigosamente na direção de aceitar de maneira tácita a Coreia do Norte como um Estado nuclear legítimo, permitindo ao mesmo tempo que o governo de Pyongyang desfrute de alívio econômico e sanções abrandadas sem precisar abrir mão de um único artefato de seu arsenal bélico.

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Historicamente, a diplomacia entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte registrou momentos de cúpula direta, como os três encontros mantidos entre Donald Trump e o líder norte-coreano Kim Jong-un durante o primeiro mandato do republicano. Contudo, as conversas entraram em colapso definitivo após a cúpula realizada em 2019 na cidade de Hanói, quando os dois governos não conseguiram alcançar um denominador comum sobre a flexibilização das sanções econômicas nem sobre as concessões exatas que Pyongyang estaria disposta a fazer em troca do desarmamento.

Fonte:: estadao.com.br

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