Estudante paranaense desenvolve estufa inteligente de baixo custo para agricultura familiar

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Parana.pr.gov.br

A vivência cotidiana em uma região marcada pela força da olericultura, com destaque para a produção intensiva de tomates em estufas, motivou um jovem estudante do interior do Paraná a buscar soluções tecnológicas para otimizar o manejo agrícola. Aos 16 anos, Luiz Otávio Dalbello Pereira Furquim, matriculado no 2º ano do Colégio Estadual José de Anchieta, situado no município de Santa Maria do Oeste, na região Central do estado, transformou a observação prática de sua realidade em uma inovação na área de robótica ao projetar um protótipo funcional de estufa equipado com sistema de irrigação automatizada.

Batizado formalmente com o nome “Smart Estufa: O futuro do cultivo protegido na olericultura ao alcance do produtor”, o projeto nasceu da necessidade de aprimorar um dos processos mais críticos para o desenvolvimento saudável das hortaliças: a gestão e a aplicação correta de recursos hídricos nas lavouras protegidas. O estudante relata que a inspiração veio diretamente do cenário agrícola que o cerca desde a infância.

“Na minha região, é muito comum a utilização de estufas na olericultura, principalmente no cultivo de tomates. E, por eu viver nesse ambiente, acabou surgindo essa ideia como base”, relata o jovem pesquisador. Conforme explica Luiz Otávio, os métodos tradicionais de irrigação manual muitas vezes dependem de estimativas visuais imprecisas, popularmente conhecidas como o uso do “olhômetro”, o que frequentemente resulta em desequilíbrios hídricos nas plantações, oscilando prejudicialmente entre a escassez e o excesso de água fornecida às raízes.

A resposta para esse desafio tecnológico surgiu durante as aulas regulares de robótica ministradas em sua instituição de ensino. Ao conhecer o funcionamento e a aplicabilidade de sensores eletrônicos capazes de mensurar o grau de umidade presente na terra, o aluno vislumbrado a possibilidade de transferir essa tecnologia para o cotidiano da agricultura familiar. Para materializar a ideia, a estrutura da Smart Estufa foi montada com o auxílio de uma placa controladora Arduino Uno, um sensor específico de umidade do solo, placa protoboard, um módulo relé, fonte de energia por bateria e uma minibomba de água do tipo submersível.

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O princípio operacional do aparato tecnológico é direto e autônomo. O sensor monitora de maneira contínua as condições de umidade da terra onde as mudas estão fixadas. Assim que os índices caem abaixo do parâmetro estipulado na programação, o sistema aciona de forma automatizada a bomba hidráulica, que realiza a rega até restabelecer o nível ideal de umidade para o desenvolvimento vegetal.

Para a validação experimental e os primeiros testes práticos do protótipo, o estudante optou por cultivar alface, uma cultura caracterizada pelo porte menor e por um ciclo biológico consideravelmente mais ágil em comparação ao tomateiro. Na montagem da miniestufa, Luiz empregou materiais alternativos e acessíveis, como colmos de bambu estruturais revestidos com plástico-filme difuso, além de uma bandeja plástica convencional para acomodar o solo e as sementes. Os resultados obtidos foram comparados paralelamente com um grupo controle cultivado sem a estrutura de proteção e submetido exclusivamente à irrigação manual tradicional.

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Além da notável economia no consumo de água e da precisão milimétrica no controle da irrigação, o autor do projeto enfatiza que a viabilidade financeira é um dos pilares centrais para garantir que a inovação possa ser absorvida por pequenos agricultores e trabalhadores vinculados à agricultura familiar. De acordo com o levantamento de custos realizado pelo estudante, a aquisição dos componentes eletrônicos necessários para reproduzir a tecnologia demanda um investimento médio acessível de R$ 141,43.

Com um espaçamento calibrado em 20 centímetros entre as mudas, a estrutura atual tem capacidade para abrigar cerca de dez plantas simultaneamente. Contudo, o projeto foi concebido sob uma lógica modular e escalável. Isso significa que a tecnologia pode ser facilmente expandida de acordo com as demandas específicas de cada produtor rural, permitindo a integração de novos sensores, a substituição da bomba por modelos de maior vazão volumétrica e o reajuste nos códigos de programação do sistema.

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O desenvolvimento da iniciativa contou com o suporte pedagógico e técnico da professora orientadora Célia Batista Padilha. Ela destaca que a criação da estufa inteligente reflete o talento que o aluno já manifestava nas atividades de robótica educacional, canalizado agora para a resolução de problemas socioambientais concretos enfrentados por familiares e vizinhos ligados à produção agrícola local.

“Ele é um excelente aluno na área de robótica, então pensamos em utilizar esse conhecimento também em uma questão de sustentabilidade. Ele queria ajudar familiares que trabalham com estufas. A ideia foi justamente usar a robótica para facilitar a vida do pequeno produtor”, pontua a educadora Célia.

Para a professora, a miniestufa exposta na escola constitui apenas o marco inicial de um plano de expansão mais ambicioso. A meta principal do estudante é aprimorar gradualmente o protótipo tecnológico para futuramente validar sua eficiência diretamente na propriedade rural pertencente ao seu avô.

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Um impulso determinante para a continuidade do projeto ocorreu com a participação recente de Luiz Otávio na Feira Científica de Altas Habilidades e Superdotação (FENAAH/S), sediada no município de Foz do Iguaçu, na região Oeste paranaense. A experiência de expor o trabalho e debater ideias com outros pesquisadores elevou o entusiasmo do jovem inventor, que já projeta passos maiores para o próximo ciclo letivo, pretendendo substituir as bandejas experimentais por um canteiro agrícola de verdade.

“Depois que eu voltei da Feira onde apresentei meu projeto, isso me motivou bem mais a continuar com ele. No ano que vem, quero aumentar um pouco a escala, parar de utilizar bandejas e fazer um canteiro de horta com uma estrutura mais adequada, realmente criar uma estufa e implementar o irrigador automático nela”, projeta o estudante.

A expectativa é que a próxima fase de desenvolvimento proporcione a transição definitiva do modelo em escala reduzida para um ambiente produtivo real, permitindo avaliar o comportamento da tecnologia sob condições climáticas e operacionais autênticas do campo. “Quero fazer uma versão um pouco maior e realmente aplicar de verdade, fazer uma estufa de verdade”, conclui Luiz.

Fonte:: parana.pr.gov.br

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