Propostas para o esporte no segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula

Marcelo Borges
7 min. de leitura
Foto: © Lívia Villas Boas / CBF

O esporte como política pública integra os planos de governo dos dois candidatos que disputam o segundo turno para a Presidência da República. A relação da área com a educação é mencionada por ambos, mas as divergências se acentuam quando o assunto envolve infraestrutura, financiamento e a abordagem voltada ao esporte feminino.

A exclusão de atletas transexuais é a única menção direta ao esporte feminino no programa do candidato Flávio Bolsonaro (PL), mesmo com a proximidade da Copa do Mundo de Futebol Feminino, que será sediada no Brasil e na América do Sul em 2027.

Flávio Bolsonaro também não faz menção ao programa Bolsa Atleta, que teve seu valor reajustado e alcançou o maior número de contemplados da história, com 11 mil beneficiados em categorias do infantil ao olímpico. O candidato do PL aborda apenas o aperfeiçoamento de bolsas voltadas para atletas de alto rendimento, estruturadas em parceria com a iniciativa privada.

Em contrapartida, o programa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é apresentado como uma ampliação das políticas estruturantes executadas no mandato entre 2023 e 2026. A proposta inclui o Plano Nacional do Esporte (PNEsporte), obras de infraestrutura com a construção de arenas por meio do Programa de Aceleração de Crescimento (Novo PAC), além do reconhecimento dos aspectos culturais do desporto e de seu potencial econômico e turístico.

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As mulheres aparecem como protagonistas no plano do candidato petista, com destaque para a realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino e investimentos voltados para garantir o sucesso do evento em oito capitais brasileiras, além do incentivo ao turismo esportivo.

Abaixo estão disponíveis os planos de governo oficiais apresentados pelos candidatos:

Cidadania e desenvolvimento social

Ambos os candidatos associam o esporte à cidadania, mas partem de premissas distintas. Enquanto Flávio Bolsonaro destaca a relação da atividade com a educação e a segurança dos jovens, transparece a concepção de que a prática funciona como uma ferramenta ou tecnologia social para alcançar esses fins.

“Preparar uma família para a vida envolve o esporte, que tira o jovem da rua e ensina o que a sala de aula sozinha não ensina. Tudo isso faz parte do que é necessário para uma família subir na vida pelo próprio esforço”, aponta o documento do candidato do PL.

De forma similar, Lula considera o esporte um elemento fundamental para a juventude, equiparando-o à educação, ao acesso ao lazer, à cultura e às oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional.

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A diferença mais perceptível está na maneira como a proposta petista atribui ao esporte o papel de vetor de transformação social e de expressão da cultura nacional, classificando-o como um instrumento de inclusão e dinamização econômica, em patamar análogo ao da cultura.

O aspecto econômico também ganha destaque na visão de Lula, aparecendo como uma das indústrias criativas prioritárias para o próximo mandato. “Queremos um país que reconheça a cultura, a economia criativa, e o esporte como forças estratégicas do desenvolvimento nacional, capazes de gerar trabalho, renda, inovação, pertencimento, qualidade de vida e desenvolvimento em todos os territórios brasileiros”, destaca o texto.

Esporte e educação

Flávio Bolsonaro atribui grande relevância à relação entre esporte e educação. Além de incluir a área junto às artes e à literatura na composição da educação integral, ele propõe a abertura de escolas durante os períodos de recesso por meio da iniciativa “Escola nas Férias”, com o objetivo de evitar a ociosidade infantil. O programa, contudo, não detalha a forma de adesão ou os responsáveis pela execução prática.

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O plano do candidato do PL define a prática como um atrativo para a permanência na escola. “O esporte é uma das ferramentas mais poderosas que existem para formar um jovem, e uma das mais desperdiçadas pelo poder público. Ele ensina disciplina, resiliência, trabalho em equipe e mérito, tira a criança da rua e do celular, dá saúde ao corpo e à mente e, para alguns, abre a porta de uma profissão”, pontua o documento.

Por sua vez, o programa de Lula não estabelece uma conexão direta entre o ambiente escolar tradicional e as políticas esportivas para a juventude, mas prioriza a criação da Universidade do Esporte, instituição de ensino superior já aprovada na Câmara dos Deputados. O projeto visa estruturar uma rede nacional de pesquisa, inovação e tecnologia voltada à formação de quadros técnicos e à melhoria da gestão no alto rendimento.

Gestão de equipamentos e parcerias

O candidato à reeleição enfatizou as ações realizadas ao longo de seu último mandato para ilustrar a prioridade dada ao setor, citando iniciativas do Novo PAC para a construção de centros esportivos em centenas de municípios, a consolidação de programas de longo prazo e a aprovação da Universidade do Esporte.

O programa petista menciona unidades do Arena Brasil e a continuidade dos investimentos na manutenção dos equipamentos como metas centrais. Na gestão desses espaços, a proposta defende a atuação conjunta com estados, municípios, organizações não governamentais (ONGs) e projetos sociais, mantendo uma postura crítica em relação a privatizações amplas.

Em contrapartida, as diretrizes de Flávio Bolsonaro para o esporte de alto rendimento apostam em parcerias com a iniciativa privada, clubes e instituições de ensino. O candidato prevê o fomento, por meio de editais, ao uso de tecnologia e ciência de dados por confederações.

Para ampliar o alcance esportivo nas escolas, o candidato do PL propõe parcerias público-privadas voltadas ao uso da infraestrutura escolar na formação de equipes competitivas, na realização de treinos em horário alternativo e na promoção de competições municipais e estaduais para combater a evasão escolar.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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