Parada Brasília Orgulho destaca importância do voto consciente contra o preconceito

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Foto: © Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil


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O sol forte da seca brasiliense potencializou a explosão de cores na Esplanada dos Ministérios durante a realização da 27ª Parada do Orgulho LGBT+ de Brasília, que ocorreu neste domingo (26). Com uma concentração marcante em frente ao Congresso Nacional, o evento reuniu milhares de pessoas em um ato que uniu a celebração da diversidade, a reivindicação por direitos civis e uma forte mobilização política voltada para o próximo período eleitoral.

Bandeiras com as cores do arco-íris, fantasias elaboradas, maquiagens expressivas e muitos leques coloridos compunham o cenário na capital federal, transmitindo uma mensagem uníssona de visibilidade, resistência e afirmação da identidade da comunidade. Mais do que uma grande festa ao ar livre, o evento consolidou-se ao longo de suas edições como um espaço crucial para o debate político e social.

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A estilista e performer maranhense Ravenna Wandelookx, que vive em Brasília há 16 anos — exatamente o mesmo tempo em que frequenta as paradas do orgulho na cidade —, destacou a harmonia necessária entre a celebração e a conscientização política.

“A gente tem que ter muita consciência, além da diversão, claro. A gente vem para se divertir, mostrar brilho, se jogar. Mas ter sempre uma consciência de que a gente tem uma vida além disso, e que podemos passar para as pessoas que isso pode ser muito bom, apesar do ódio de cada um”, pontuou a artista durante o evento.


Brasília (DF) 26/08/2026 - Ravenna Wandelookx, fala com a Agência Brasil durante a  27ª Parada do Orgulho LGBT+ de Brasília Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasília (DF) 26/08/2026 - Ravenna Wandelookx, fala com a Agência Brasil durante a  27ª Parada do Orgulho LGBT+ de Brasília Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Ravenna Wandelookx fala durante a 27ª Parada do Orgulho LGBT+ de Brasília – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A visão é compartilhada por Richard Alexandre, um dos organizadores da Parada Brasília Orgulho. Para ele, a manifestação cumpre um papel fundamental na exigência por respeito e dignidade perante a sociedade e o poder público.

“Não é só festa, é muita luta. Mas também a gente se diverte, a gente usa as nossas cores para se divertir, usa o espaço para mostrar que a gente exige, existe, que a gente quer respeito, quer dignidade”, afirmou Alexandre.

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Além das apresentações artísticas nos trios elétricos e dos discursos de lideranças sociais, a infraestrutura da Parada ofereceu diversos serviços gratuitos à população. O público teve acesso a tendas com atendimentos de enfermagem, suporte especializado da Polícia Civil para o registro de denúncias contra práticas de LGBTFobia, e orientações jurídicas da Defensoria Pública, com foco especial em esclarecimentos sobre a inclusão do nome social em documentos oficiais.

Conscientização política e o poder do voto


Brasília (DF) 26/08/2026 - A 27ª Parada do Orgulho LGBT+ de Brasília teve concentração em frente ao Congresso Nacional, na Esplanada dos Ministérios. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasília (DF) 26/08/2026 - A 27ª Parada do Orgulho LGBT+ de Brasília teve concentração em frente ao Congresso Nacional, na Esplanada dos Ministérios. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A 27ª Parada do Orgulho LGBT+ de Brasília teve concentração em frente ao Congresso Nacional, na Esplanada dos Ministérios. – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O mote principal da mobilização neste ano girou em torno do slogan “LGBT, levante e vote”. A campanha tem como objetivo central engajar a comunidade a participar ativamente do processo eleitoral, escolhendo candidatos e representantes comprometidos com a defesa dos direitos humanos, a diversidade e o combate às desigualdades.

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“A gente precisa, cada vez mais, de parlamentares que entendam a nossa pauta, que nos respeitem e que nos protejam, que usem a legislação a favor da proteção da comunidade”, ressaltou Richard Alexandre ao enfatizar a relevância da representatividade institucional.

O coordenador da Parada Brasília Orgulho, Welton Trindade, também chamou a atenção para o avanço histórico obtido pela comunidade ao longo das últimas décadas, lembrando que a primeira edição do evento na capital federal ocorreu em 1998, um período em que a presença institucional e a visibilidade política eram praticamente inexistentes. Segundo ele, o aumento gradual de pessoas LGBT+ ocupando cargos eletivos reflete a força dessa mobilização contínua.

Resistência intergeracional nas ruas


Brasília (DF) 26/08/2026 - A 27ª Parada do Orgulho LGBT+ de Brasília teve concentração em frente ao Congresso Nacional, na Esplanada dos Ministérios. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasília (DF) 26/08/2026 - A 27ª Parada do Orgulho LGBT+ de Brasília teve concentração em frente ao Congresso Nacional, na Esplanada dos Ministérios. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A 27ª Parada do Orgulho LGBT+ de Brasília teve concentração em frente ao Congresso Nacional, na Esplanada dos Ministérios. – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Em meio à multidão que acompanhava os discursos e as apresentações musicais, histórias de dedicação de longa data à militância ganhavam destaque. Aposentada e ativista, Sueli Oliveira, de 67 anos, acompanhava a movimentação enrolada em uma bandeira do Brasil adaptada com as cores do arco-íris.

Lésbica e militante histórica, Sueli relata que participa regularmente de marchas voltadas aos direitos da população LGBT+ tanto em Brasília quanto em São Paulo, rotina que mantém há vários anos. “Sou uma habitué, vamos dizer assim”, definiu com um sorriso.

Para ela, ocupar o espaço público é uma forma indispensável de garantir visibilidade e assegurar que as demandas da comunidade permaneçam em evidência. Sueli reforça que o voto consciente funciona como uma ferramenta democrática essencial para combater o preconceito e a LGBTFobia.

“É o momento em que a gente para pra dizer: atenção, nós existimos, nós temos o direito, como qualquer outro cidadão e cidadã, de estarmos aqui, de votarmos, de amarmos quem nós quisermos”, concluiu.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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