Governo brasileiro nega visto a funcionários dos Estados Unidos que pretendiam acompanhar o processo eleitoral

Marcelo Borges
3 min. de leitura
Foto: © Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil confirmou oficialmente a decisão de recusar a emissão de vistos de entrada para dois representantes do governo dos Estados Unidos. A medida, anunciada neste sábado, barrou a chegada do subsecretário do Departamento de Estado para a Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, Riley Barnes, e do subsecretário adjunto Samuel Samson, cujos pedidos haviam sido formalmente rejeitados na véspera.

A movimentação diplomática ocorreu após o governo brasileiro tomar ciência de que a diplomacia norte-americana pretendia enviar os dois funcionários ao país com o objetivo de manter encontros com autoridades eleitorais. O propósito alegado da visita seria debater questões relativas à liberdade de expressão associadas ao pleito marcado para o mês de outubro.

No entanto, a iniciativa foi recebida com reservas e cautela por parte de Brasília. O pedido de liberação dos documentos aconteceu imediatamente após a realização de um evento em que figuras políticas brasileiras se encontraram com diplomatas estrangeiros para externar questionamentos a respeito da segurança e da confiabilidade das urnas eletrônicas nacionais.

Diante desse cenário, a administração federal avaliou que a movimentação diplomática estrangeira, em meio ao calendário eleitoral, configurava uma tentativa de instrumentalização política. A avaliação resultou na decisão soberana de negar a emissão das autorizações de viagem para os servidores norte-americanos.

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O contexto dos questionamentos sobre o sistema eleitoral

O debate em torno do sistema eletrônico de votação ganhou novo fôlego no cenário político nacional após declarações públicas do pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL). Durante o encontro com representantes diplomáticos realizado em Brasília, o político difundiu informações infundadas sobre a origem dos equipamentos utilizados nas eleições brasileiras.

Na ocasião, alegou-se sem a apresentação de evidências materiais que as urnas eletrônicas empregadas no país teriam ligação com a empresa venezuelana Smartmatic. A repercussão da declaração falsa exigiu respostas imediatas dos órgãos responsáveis pela condução do processo democrático.

Esclarecimentos da Justiça Eleitoral

Em reação à difusão dos dados incorretos, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) emitiu pronunciamento oficial desmentindo categoricamente qualquer participação da empresa venezuelana Smartmatic no fornecimento de urnas eletrônicas ou de códigos-fonte para o sistema eleitoral brasileiro. A corte reafirmou que todo o projeto tecnológico dos equipamentos é desenvolvido exclusivamente por servidores públicos e especialistas técnicos vinculados à própria Justiça Eleitoral.

Adicionalmente, o tribunal detalhou que a fabricação das urnas ocorre sob rigorosa e direta supervisão dos técnicos do TSE, sendo executada por companhias privadas escolhidas por meio de processos licitatórios transparentes e abertos à concorrência pública, fatores que, segundo o órgão, asseguram a integridade e a confiabilidade de todo o escrutínio nacional.

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Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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