Ronaldo caiado formaliza candidatura presidencial e critica polarização política nacional

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

O ex-governador de Goiás oficializou sua postulação pelo PSD e direcionou duras críticas aos principais adversários nas pesquisas

Ronaldo Caiado oficializou sua candidatura à Presidência da República pelo PSD durante convenção partidária realizada neste domingo, 26. O político busca se consolidar como uma via alternativa à forte polarização política que atualmente divide o país entre os apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Durante seu discurso direcionado à militância da legenda, o ex-chefe do Executivo goiano questionou a escolha do eleitorado. “Não é possível que o Brasil vai querer optar por aqueles que são os maiores rejeitados da política nacional”, declarou. Em seguida, fez um apelo direto aos eleitores: “Me dê a chance, povo brasileiro, porque eu vou bater o Lula e nós vamos criar um país diferente e devolver o Brasil aos brasileiros de bem”.

Estratégia e críticas aos adversários

Em sua avaliação, Flávio Bolsonaro seria o candidato idealizado e “escolhido pelo Lula” para um eventual segundo turno. Caiado também utilizou forte retórica anticorrupção: “Quem rouba com a mão esquerda ou com a mão direita é ladrão”, acrescentou.

Antes mesmo do início oficial da convenção, em entrevista coletiva, o candidato argumentou que tanto o atual mandatário quanto o senador lideram as pesquisas de intenção de voto sustentando-se por meio de conflitos e crises desnecessárias. Segundo o ex-governador, essa postura serve para desviar a atenção da sociedade dos problemas reais do país. Ele pontuou que o petista buscaria provocar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enquanto o grupo ligado a Flávio se dedicaria a insultar autoridades.

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“Para governar o país, precisa muito de independência moral e coragem pessoal. Coragem para poder, amanhã, libertar o País do sequestro do PT e das facções. De não ter um candidato que seja um ‘kinder ovo’, com uma surpresinha todo dia, que seja um candidato preparado pela oposição para representá-la no segundo turno”, argumentou Caiado.

O político resgatou seu histórico na vida pública para se diferenciar dos oponentes, afirmando que sua trajetória é limpa e sem envolvimento em escândalos como “rachadinha, Mensalão, Petrolão, escândalo do Master e os desvios no INSS”. “Aqui não, banco Master, aqui não tem espaço pra bandido crescer”, enfatizou.

Mudança de tom e alianças partidárias

As declarações marcam uma mudança de postura em relação a Flávio Bolsonaro. Inicialmente, Caiado havia evitado tecer críticas diretas ao pré-candidato do PL após a divulgação de um áudio em que este pedia recursos ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. No entanto, o tom mudou recentemente, com o representante do PSD apontando divergências na atuação de Flávio diante do recente tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil, além de criticar questionamentos levantados sobre a segurança das urnas eletrônicas.

Para viabilizar sua candidatura presidencial, Caiado deixou o União Brasil e filiou-se ao PSD no início do ano. Dentro da nova legenda, ele disputou espaço com o governador do Paraná, Ratinho Júnior — considerado inicialmente o favorito, mas que acabou retirando sua postulação —, e com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

Apesar da disputa interna anterior, Leite e Ratinho Jr. compareceram ao evento e manifestaram apoio a Caiado, assim como José Roberto Arruda, pré-candidato no Distrito Federal. Contudo, o nome do ex-governador goiano ainda não conta com unanimidade na sigla.

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A convenção registrou ausências expressivas, como a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, e o prefeito e governador do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que mantêm alinhamento com a reeleição de Lula. Mateus Simões, vice-governador de Minas Gerais e aliado de Romeu Zema, também não esteve presente.

Outro ponto de atrito foi a ausência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab — que compõe a chapa de Caiado como candidato a vice-presidente —, havia confirmado a presença de Tarcísio. Contudo, a divulgação de uma imagem na qual o chefe do Executivo paulista aparecia ao lado de Caiado gerou desconforto, uma vez que Tarcísio havia participado do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro no dia anterior, 25.

Minimizando o episódio, Kassab garantiu que o PSD terá uma estrutura de campanha em São Paulo e nos demais estados voltada a pedir votos para Caiado, mesmo que lideranças locais estejam engajadas com outras correntes políticas, como as de Lula, Flávio ou Zema.

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Com uma trajetória que inclui cinco mandatos como deputado federal, passagens pelo Senado e dois mandatos como governador de Goiás, Ronaldo Caiado retorna à disputa pelo Palácio do Planalto. Sua primeira tentativa ocorreu nas eleições presidenciais de 1989, quando obteve menos de 1% dos votos válidos.

Fonte:: estadao.com.br

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