As arquibancadas da Ligga Arena, em Curitiba, foram palco de momentos de tensão e violência generalizada durante a partida entre o Athletico e o Palmeiras, válida pelo Campeonato Brasileiro. Torcedores relataram diversos episódios de hostilidade, agressões físicas e verbais motivados por divergências políticas entre apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e correligionários de Flávio Bolsonaro, refletindo o clima de polarização que tomou conta da capital paranaense no último final de semana.
De acordo com relatos colhidos no local, as confusões começaram a se desenhar ainda durante o intervalo do confronto, concentrando-se principalmente no setor inferior, nas proximidades do portão 121, área que faz a ligação entre as curvas dos setores Getúlio Vargas e Coronel Dulcídio. Grupos de torcedores rubro-negros passaram a entoar cânticos favoráveis a Flávio Bolsonaro, o que gerou uma pronta reação de torcedores simpatizantes do atual governo federal, que responderam com gestos fazendo o símbolo da campanha petista.
O que era uma troca de provocações verbais rapidamente escalou para empurrões, xingamentos e agressões físicas. Equipes de segurança privada e orientadores de público precisaram intervir para tentar conter os ânimos, mas a situação permaneceu tensa tanto no interior do estádio quanto nos arredores após o apito final.
Relatos de violência e agressões na saída do estádio
A gravidade dos incidentes veio à tona nas redes sociais e em depoimentos de frequentadores da Arena da Baixada que preferiram não se identificar por medo de represálias. Um dos torcedores do clube paranaense afirmou ter sido agredido fisicamente na saída do evento esportivo após participar de coros de apoio a Lula.
“Na saída da Arena, estava tendo coro contra o atual presidente. Logo em seguida, veio a resposta contra o candidato opositor. Eu, como apoiador do atual governo, participei do coro. Nisso, veio um grupo de pessoas para cima de mim”, relatou a vítima, que precisou buscar atendimento médico em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
Segundo o relato, o torcedor sofreu cortes na boca que exigiram pontos cirúrgicos, além de ter um dente quebrado durante a confusão. Ele afirmou que a briga generalizada começou após uma discussão verbal que envolveu ofensas e ameaças diretas por parte de outros frequentadores do estádio.
Mulheres e idosos são alvos de hostilidades nas arquibancadas
Outros relatos publicados nas redes sociais evidenciaram que torcedores de grupos vulneráveis também foram alvos de ataques durante o jogo. A torcedora Amanda Lima utilizou sua conta em uma rede social para denunciar que foi xingada e ameaçada após defender um idoso que estava sozinho no setor 119 e havia sido acuado por manifestantes pró-Bolsonaro.
“Fui hostilizada na Arena da Baixada após eleitores do Bolsonaro atacarem um senhor de idade que estava sozinho. Saí fazendo o ‘L’ exercendo meu direito como cidadã, e eles me xingaram de vagabunda, prostituta, me jogaram coisas e me ameaçaram”, publicou.
A influenciadora digital Gabriela Carbornar também utilizou o espaço público digital para repudiar a falta de tolerância no reduto rubro-negro. Outros depoimentos, como o da psicóloga Brenda Machado, reforçaram que mulheres e crianças acabaram sofrendo agressões colaterais em meio aos empurrões e bate-bocas generalizados motivados por disputas político-partidárias.
Clima político na capital paranaense
A tensão registrada no estádio ocorreu em meio a um fim de semana marcado por intensa movimentação política em Curitiba. A cidade recebeu atos públicos de diferentes matizes ideológicos, incluindo manifestações de apoio a Flávio Bolsonaro que contaram com a presença de chefes do executivo estadual da Região Sul, além de atos convocados por movimentos sociais e sindicais em favor de Lula.
Fora do contexto esportivo, o clima de animosidade também transbordou para as ruas da cidade. No domingo posterior à partida, autoridades registraram episódios de vandalismo na região central, incluindo um incidente no qual manifestantes depredaram um veículo que cruzava uma via pública, com o vidro traseiro quebrado por hastes de bandeiras.
Posicionamento oficial do Athletico Paranaense
Diante da repercussão dos episódios de violência, a diretoria do Athletico Paranaense emitiu uma nota oficial repudiando veementemente qualquer conduta ilícita, atos de discriminação ou comportamento agressivo dentro de suas dependências.
O clube informou que atua de forma rigorosa para apurar todas as denúncias de crimes e posturas antissociais ocorridas na Arena da Baixada. Conforme o posicionamento institucional, torcedores identificados em práticas de violência durante os eventos são imediatamente encaminhados às autoridades policiais presentes no estádio.
Nos casos em que os envolvidos possuem vínculo de sócio-torcedor, os procedimentos internos preveem o encaminhamento automático dos registros para a Câmara de Ética e Disciplina. O colegiado é responsável por avaliar as infrações e aplicar sanções administrativas, que podem resultar na suspensão temporária ou definitiva do direito de acesso aos jogos.
Para coibir novas ocorrências, o clube mantém canais diretos de ouvidoria e comunicação com o público durante os dias de partida. Torcedores podem reportar abusos por meio de códigos QR impressos nas cadeiras do estádio, pelo site matchday.athletico.com.br ou pelo aplicativo de mensagens WhatsApp, através do número institucional (41) 99979-0350.
Fonte:: umdoisesportes.com.br


