A Justiça do estado de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público e tornou ré a policial militar Yasmin Ferreira pelo homicídio de Thawanna da Silva Salmázio. O caso ocorreu na zona leste da capital paulista e ganhou repercussão após investigações apontarem que a agente disparou contra a vítima, que estava desarmada, no dia 3 de abril.
Com a aceitação da denúncia, a policial militar responderá perante o Tribunal de Justiça por homicídio triplamente qualificado. As qualificadoras apontadas pelos promotores de Justiça Rodolfo Justino de Morais e Lucas de Mello Schaefer incluem motivo fútil, emprego de meio cruel e utilização de recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa de Thawanna da Silva Salmázio.
Detalhes da acusação e pedido de indenização
Além de responder criminalmente pelos atos, os representantes do Ministério Público de São Paulo solicitaram formalmente à Justiça a fixação de um valor mínimo de R$ 1 milhão. Essa quantia tem como objetivo a reparação dos danos morais e materiais causados aos familiares da vítima em decorrência da fatalidade.
De acordo com os autos do processo, o episódio teve início no bairro Cidade Tiradentes, localizado na zona leste da cidade de São Paulo. Na ocasião, Thawanna da Silva Salmázio caminhava pelas ruas da região acompanhada por seu companheiro, quando uma viatura da Polícia Militar do Estado de São Paulo passou rente ao casal. O braço do homem acabou esbarrando ou atingindo o retrovisor do veículo oficial durante o trajeto.
O impacto fez com que a viatura parasse para a checagem da situação, gerando uma discussão verbal que rapidamente escalou para um confronto físico. Os policiais militares presentes no local alegaram, em depoimentos iniciais, que foi necessário o emprego de força física moderada para conter o casal durante o atrito.
Uso de força letal e falta de socorro imediato
A investigação conduzida pela promotoria aponta uma narrativa diferente da versão policial. Conforme a denúncia apresentada à Justiça, a reação armada da agente de segurança foi totalmente desproporcional e injustificada para o contexto da abordagem. Utilizando uma arma de fogo de calibre .40, Yasmin Ferreira efetuou um disparo que atingiu diretamente a região abdominal de Thawanna da Silva Salmázio.
O inquérito também detalha momentos de extrema gravidade após o tiro. O companheiro da vítima relatou que, mesmo ferida gravemente e agonizando no chão, Thawanna permaneceu sem receber o atendimento médico de emergência adequado por mais de trinta minutos no local da ocorrência.
Minutos depois, equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas para prestar o socorro e encaminharam a vítima com urgência para o Hospital Tiradentes, situado na mesma região da zona leste. No entanto, devido à gravidade do ferimento provocado pelo projétil, Thawanna da Silva Salmázio não resistiu à intervenção médica e veio a óbito logo após dar entrada na unidade hospitalar.
O processo seguirá agora para as próximas etapas da instrução criminal, onde a defesa da policial militar terá a oportunidade de apresentar seus argumentos, enquanto o Ministério Público buscará comprovar as acusações perante o Poder Judiciário paulista.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br


