Ministério Público de SP aciona Justiça por morte durante salto de rope jump

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: © Frame Entre Cordas e Ih Voei

A Promotoria de Justiça de Limeira apresentou, nesta terça-feira (7), denúncias contra quatro indivíduos envolvidos na morte de uma jovem de 21 anos que caiu de uma ponte durante a prática de rope jump, ocorrida em 13 de junho. Três dos denunciados enfrentam acusações de homicídio com dolo eventual, sendo a conduta qualificada por motivo torpe e por utilizar recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Um dos denunciados é responsabilizado pelo mesmo crime, porém por omissão imprópria, na qualidade de garantidora da segurança dos participantes e também por fraude processual.

A vítima, identificada como Maria Eduarda Rodrigues, contratou um salto de rope jump realizado em um viaduto ferroviário desativado, popularmente conhecido como Ponte do Esqueleto.

- Publicidade-

Investigações do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) revelaram que os denunciados organizavam saltos de rope jump para um público de 80 a 100 pessoas diariamente, sem a estrutura adequada e desconsiderando protocolos básicos de segurança.

Conforme os relatos do MPSP, na execução do salto, a jovem foi submetida à modalidade conhecida como “aviãozinho”, onde os operadores levantam o praticante e o projetam da estrutura. No entanto, os acusados a lançaram sem que a corda de segurança estivesse devidamente conectada ao seu peitoral, resultando em uma queda de aproximadamente 30 metros e em sua morte, decorrente de múltiplos traumatismos.

A denúncia do MPSP destaca que os organizadores estavam cientes dos riscos associados à prática, mas falharam em adotar as cautelas necessárias, como verificar a conexão da corda de segurança e realizar a checagem dupla dos equipamentos utilizados.

Além disso, foi ressaltado que o grupo atuava sem uma definição clara de funções e explorava comercialmente a atividade sem atender às exigências legais pertinentes, dando prioridade aos interesses financeiros e à promoção dos saltos nas redes sociais, em detrimento da segurança dos participantes.

O MPSP afirma que a organizadora do evento tinha a responsabilidade de garantir padrões mínimos de segurança e deveria ter interrompido a atividade diante de condições inadequadas, mesmo após ter tomado conhecimento de falhas operacionais similares em situações anteriores.

- Publicidade-

Adicionalmente, o MPSP acusa a organizadora de fraude processual por ter determinado a localização da câmera GoPro utilizada pela jovem e por ter excluído os conteúdos gravados, numa tentativa de dificultar a elucidação dos fatos que cercam o caso. O equipamento, segundo as investigações, permanece desaparecido.

>> União tinha requisitado bloqueio da ponte antes da tragédia durante o salto

Medidas Judiciais

O MPSP pediu a manutenção da prisão preventiva dos três homens envolvidos. Já em relação à mulher, solicitou a conversão da prisão temporária para preventiva. Ao buscar a condenação dos réus, os promotores também requereram que a Justiça estabeleça em R$ 200 mil a reparação por danos causados.

- Publicidade-

Os promotores de Justiça responsáveis pelo caso são Mário Robim da Silva Júnior, Michelli Musse Jacob, João Guilherme Salve, Matheus Bulgarelli de Freitas Guimarães, Renato Fanin e André Camilo Castro Jardim.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhe esta notícia