Advogado-geral da união defende validade de medida provisória que proíbe apostas online no brasil

Marcelo Borges
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Foto: © Rosinei Coutinho/STF

O advogado-geral da União, Jorge Messias, defendeu nesta terça-feira (3) a validade da Medida Provisória 1.394 de 2026, que determinou a proibição das empresas que operam sites de apostas online, conhecidas popularmente como bets, em todo o território nacional. A manifestação ocorreu durante uma audiência pública convocada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para debater os desdobramentos jurídicos e sociais da interrupção das atividades dessas plataformas eletrônicas de azar no país.

Durante sua exposição perante a Suprema Corte, o representante do governo federal argumentou de maneira enfática que a edição da norma de urgência teve como principal motivação a salvaguarda da saúde pública, a preservação da renda das famílias brasileiras e a estabilidade da economia interna diante do avanço desenfreado do setor nos últimos anos.

Para fundamentar a posição do Executivo, o chefe da Advocacia-Geral da União questionou a extensão da intervenção estatal na economia quando o bem comum está em risco. “O Estado pode interromper uma atividade econômica quando a experiência demonstra que sua exploração compromete direitos fundamentais? Sim, pode e deve agir quando os instrumentos de proteção se mostram insuficientes”, declarou durante o debate no tribunal.

Jorge Messias também pontuou que o período em que o mercado de apostas esteve em processo de regulamentação serviu como um laboratório empírico para comprovar a ineficácia de medidas brandas. Segundo o advogado-geral, restrições direcionadas à publicidade, o estabelecimento de novos mecanismos de fiscalização e o controle corporativo se mostraram incapazes de conter os danos sociais gerados pela proliferação dos jogos.

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Na avaliação do governo, insistir em um modelo de liberação controlada diante dos índices crescentes de endividamento e problemas de saúde mental seria um equívoco administrativo e ético. “Não há incoerência em corrigir uma escolha quando os seus efeitos se revelam socialmente gravosos. Incoerente seria conhecer o sofrimento das famílias e insistir no mesmo caminho apenas para preservar patrocínios e receitas empresariais”, complementou perante os ministros e demais autoridades presentes.

Contexto da audiência no Supremo Tribunal Federal

A realização da audiência pública foi uma iniciativa do ministro Luiz Fux, que atua como relator dos recursos judiciais apresentados por entidades do setor, a exemplo da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). As organizações empresariais buscam na Justiça a declaração de inconstitucionalidade e a consequente derrubada da medida provisória que foi editada pelo governo federal em setembro deste ano, paralisando as operações comerciais das empresas do ramo no país.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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