Trajetória e carreira da embaixadora brasileira que teve o visto revogado pelos Estados Unidos

Marcelo Borges
5 min. de leitura
Foto: Divulgação / Estadao.com.br

A embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, teve o visto revogado pelo governo americano em uma decisão tomada na última terça-feira, 4. A medida foi adotada como uma retaliação à recusa do Brasil em conceder vistos, no mês anterior, a dois diplomatas norte-americanos que planejavam visitar o País antes das próximas eleições. Outro fator que pesou no cenário foi a demora do governo brasileiro em aprovar o nome indicado por Washington para o cargo de embaixador em Brasília.

Natural de Belo Horizonte (MG), Maria Luiza tem 72 anos de idade e possui uma trajetória consolidada no serviço diplomático. Em 1976, concluiu o Curso de Preparação à Carreira Diplomática (CPCD) oferecido pelo Instituto Rio Branco. Dois anos mais tarde, formou-se em Economia pela Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal, complementando sua formação acadêmica em 1982 com uma pós-graduação em Economia realizada na Universidade de Brasília.

Ao longo de sua carreira, a diplomata atuou em três oportunidades na Missão do Brasil junto à Organização das Nações Unidas (ONU), situada em Nova York. Inicialmente, exerceu a função de primeira-secretária entre 1985 e 1988. Posteriormente, retornou como ministra-conselheira de 1997 a 2004 e, por fim, assumiu como representante permanente de 2007 a 2013.

Durante o período em que atuou como representante permanente, chefiou a Delegação do Brasil no Conselho de Segurança da ONU nos anos de 2010 e 2011, chegando a presidir o colegiado em fevereiro de 2011. Além disso, integrou a alta cúpula da organização internacional como chefe de gabinete do secretário-geral das Nações Unidas entre 2017 e 2021.

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Antes de assumir o posto em Washington, Maria Luiza acumulou experiências em diferentes regiões do globo. Atuou como conselheira em La Paz, na Bolívia, entre 1993 e 1996, e exerceu o cargo de embaixadora do Brasil na Alemanha de 2013 a 2016. No mesmo ano, assumiu a subsecretaria-geral para Ásia e Pacífico no Ministério das Relações Exteriores e atuou como sherpa — negociadora-chefe — do Brasil no bloco do Brics.

Ela assumiu a chefia da embaixada brasileira nos Estados Unidos em junho de 2023, durante a gestão do presidente democrata Joe Biden, marcando um momento histórico ao se tornar a primeira mulher a comandar o posto diplomático no país norte-americano.

Desdobramentos diplomáticos

O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou que a diplomata não foi declarada persona non grata, mas ressaltou que novas medidas de retaliação seguem em aberto e que, caso ela decida deixar o território americano, precisará passar por um novo processo de solicitação de visto para retornar.

Informações obtidas por fontes da Associated Press sob anonimato indicam que a embaixadora poderá ser autorizada a retomar integralmente suas funções oficiais caso o governo brasileiro aceite a indicação feita pelo presidente americano, Donald Trump, do ex-presidente da Câmara dos Deputados da Flórida, Danny Perez, para o cargo de embaixador dos EUA em Brasília.

O atrito diplomático também envolveu a negativa de vistos, no mês anterior, ao secretário-adjunto de Estado para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, Riley Barnes, e a um de seus assessores diretos. A decisão ocorreu após a circulação de relatos de que ambos pretendiam fazer críticas públicas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao sistema eleitoral brasileiro.

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Por outro lado, o Departamento de Estado refutou tais alegações, sustentando que os funcionários públicos tinham viagem programada a Brasília entre os dias 27 e 30 de julho para agendas com autoridades governamentais e líderes religiosos, com o objetivo de debater temas como liberdade de expressão, liberdade religiosa e integridade do processo eleitoral.

Em pronunciamento realizado na quarta-feira, 5, o presidente Lula classificou a revogação do visto da representante brasileira como uma atitude irresponsável e impensada por parte do governo norte-americano.

Por meio de nota oficial, a Presidência da República já havia repudiado com veemência a anulação do documento. O Palácio do Planalto apontou que a decisão dos Estados Unidos foi fundamentada em premissas falsas, refletindo o que classificou como uma escalada deliberada de ações hostis motivadas por interesses ideológicos.

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“Fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente”, pontuou o comunicado emitido pelo governo brasileiro.

Fonte:: estadao.com.br

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