O presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), assinou uma Medida Provisória que autoriza a liberação de R$ 64 milhões em crédito extraordinário. A iniciativa tem como objetivo principal mitigar os danos causados pelas adversidades climáticas associadas aos efeitos do El Niño em diferentes regiões do país, prestando apoio imediato às populações mais vulneráveis e aos setores produtivos afetados pelas mudanças no regime de chuvas e temperaturas.
Do montante total anunciado pelo governo federal, uma fatia significativa de aproximadamente R$ 40 milhões será administrada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Esses recursos foram estrategicamente direcionados para atender às comunidades que dependem da agricultura familiar e que registraram perdas em suas safras devido aos eventos climáticos extremos. O montante viabilizará a aquisição e a distribuição de mantimentos por meio do Programa de Aquisição de Alimentos, garantindo tanto o suporte aos produtores rurais quanto a segurança alimentar de populações em situação de vulnerabilidade.
A outra parcela do crédito extraordinário, avaliada em R$ 24 milhões, será repassada diretamente à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). O objetivo desta frente de atuação é viabilizar ações emergenciais de suporte às comunidades originárias, assegurando o fornecimento essencial de água potável, gêneros alimentícios e outros insumos básicos indispensáveis para a sobrevivência e o bem-estar nas terras indígenas impactadas pelo fenômeno.
Previsão de intensidade e monitoramento regional
Especialistas e órgãos de meteorologia apontam que o ápice do atual ciclo do El Niño deve ocorrer durante a primavera e o verão do período de 2026/2027 no Hemisfério Sul. Diante deste cenário de alerta, governos estaduais e centros de pesquisa intensificaram o monitoramento climático. No Paraná, o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) já mantém equipes em estado de prontidão para acompanhar de perto a evolução e os desdobramentos do fenômeno no território paranaense.
Reinaldo Kneib, meteorologista vinculado ao Simepar, detalha a dinâmica física que impulsiona as alterações climáticas globais neste período. Segundo o especialista, a direção predominante dos ventos na região do Oceano Pacífico equatorial, que tradicionalmente sopra de leste para oeste, sofreu uma inversão e passou a se deslocar no sentido contrário. Esse movimento empurra as águas aquecidas próximas à Oceania em direção ao oeste da América do Sul, o que pode retroalimentar o aquecimento oceânico e alterar profundamente o regime de tempestades e chuvas em diversas partes do globo.
Riscos para a agricultura e disparidades regionais
Ainda que o El Niño seja um fenômeno climático de ocorrência cíclica, análises recentes apontam que suas consequências podem se manifestar de maneira mais intensa e imprevisível, elevando os riscos operacionais e financeiros para a safra agrícola 2026/2027. O início oficial do novo ciclo produtivo, marcado para 1º de julho, coincidirá justamente com o momento de consolidação do fenômeno, gerando um grau considerável de incerteza no planejamento estratégico do plantio por parte dos produtores rurais.
Os reflexos do El Niño no território brasileiro apresentam forte disparidade geográfica. Enquanto o fenômeno costuma provocar volumes expressivos e acima da média de chuvas na região Sul do Brasil, outras áreas do país, com destaque para as regiões Norte e Nordeste, frequentemente enfrentam cenários prolongados de estiagem severa e condições extremas de seca, exigindo constante atenção das autoridades de proteção civil e gestão de recursos hídricos.
Fonte:: ric.com.br


