As doações de órgãos e tecidos no Paraná experimentaram um crescimento expressivo de 300% ao longo de um período de quinze anos, conforme dados divulgados recentemente pelo Governo do Paraná. A análise comparativa tem como base os primeiros oito meses de 2011, ano que marcou a criação do Sistema Estadual de Transplantes (SET), em contraponto com o mesmo intervalo apurado em 2026.
No recorte temporal compreendido entre janeiro e agosto de 2011, o estado paranaense contabilizou 70 doações efetivadas. Já para o período equivalente no ano de 2026, o montante subiu de forma expressiva para 293 doações confirmadas. Quando se examinam os consolidados anuais fechados, a expansão torna-se ainda mais evidente, saltando de 111 doações registradas em 2011 para 462 ocorrências no decorrer de 2025.
Balanço das operações no ano de 2026
O avanço nos indicadores estaduais reflete-se diretamente na quantidade de procedimentos cirúrgicos realizados para salvar vidas. Somente entre os meses de janeiro e setembro do ano corrente, a rede de saúde do estado já viabilizou a realização de 1.386 transplantes de órgãos e tecidos. Especialistas apontam que a sustentação desses resultados positivos decorre diretamente da atuação técnica, integrada e contínua das Organizações de Procura de Órgãos (OPOs).
Essas estruturas operam de maneira integrada junto aos hospitais públicos e privados, monitorando de perto cada etapa do processo de captação, oferecendo suporte logístico e técnico às equipes médicas e implementando protocolos focados na humanização do atendimento prestado aos familiares dos pacientes.
Acolhimento familiar e redução de negativas
Um dos fatores determinantes para a consolidação desses índices é a baixa taxa de recusa familiar observada no estado, cenário que o poder público atribui à capacitação constante e ao preparo técnico das equipes multidisciplinares envolvidas. Durante o processo de abordagem aos parentes do paciente, profissionais das OPOs e das Equipes Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (e-DOTs) priorizam a escuta ativa e o suporte psicológico, auxiliando na compreensão do diagnóstico e dissipando eventuais dúvidas.
Especialistas da área médica reforçam que a autorização para a doação de órgãos passa a ser, na grande maioria dos casos, o desdobramento natural de um ambiente de acolhimento humanizado e de esclarecimento transparente promovido durante o período de internação hospitalar do potencial doador.
Diante desse cenário, autoridades da saúde reforçam a importância de debater o tema abertamente no ambiente familiar de forma antecipada. Como a legislação brasileira estabelece que a efetivação da doação depende exclusivamente da autorização da família, manifestar o desejo em vida e conversar sobre o assunto com os entes queridos permanece como o passo fundamental para viabilizar novas oportunidades de vida a quem aguarda na fila de espera por um transplante.
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Fonte:: cbncuritiba.com.br


