Governo deve apostar em “canal aberto” para negociar tarifaço, diz Azevêdo

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Cnnbrasil.com.br

Em entrevista recentente, Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), destacou a importância de o governo brasileiro adotar uma abordagem de diálogo aberto e criatividade nas negociações com os Estados Unidos, especialmente frente às novas tarifas propostas pelo governo norte-americano.

A declaração de Azevêdo surge no contexto da divulgação do relatório do Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR), que sugere a imposição de tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros e acusa o Brasil de práticas consideradas desleais em relação a empresas e entidades dos EUA.

O ex-diretor esclareceu que, segundo a chamada Seção 301, o Brasil é um dos países sob investigação. Isso implica que a medida americana deve identificar práticas específicas que possam prejudicar os interesses da indústria americana. Azevêdo observou que o escopo da investigação foi amplamente aumentado, com inclusão de temas como anticorrupção, etanol, propriedade intelectual e desmatamento. “Eles estão lançando uma rede para garantir que a investigação produza um resultado positivo”, afirmou.

Perspectivas para uma negociação aberta

De acordo com Azevêdo, as negociações não precisam ficar restritas aos temas mencionados na investigação. Ele enfatizou que há um vasto leque de possibilidades que poderia ser explorado, abrangendo qualquer área de interesse mútuo entre os dois países. Para ilustrar seu ponto, mencionou a possibilidade de o Brasil reconsiderar seu bloqueio à moratória sobre transmissões eletrônicas na OMC, que, segundo ele, teria causado descontentamento por parte do negociador americano, Jamieson Greer. “O céu é o limite, você pode negociar qualquer coisa”, disse Azevêdo.

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Adicionalmente, ele apontou que setores que atualmente enfrentam tarifas elevadas poderiam ser usados como uma alavanca efetiva nas negociações. Isso permitiria ao Brasil oferecer reduções tarifárias em troca de contrapartidas por parte dos Estados Unidos. “É necessário ter criatividade e manter um canal aberto”, enfatizou Azevêdo, sublinhando que a identificação de oportunidades requer “um diálogo intenso, uma confiança mútua e um desejo genuíno de negociar”.

Dúvidas sobre a viabilidade política das negociações

Apesar de apresentar estratégias para lidar com o impasse, Azevêdo expressou ceticismo sobre a viabilidade de alcançar um acordo significativo no curto prazo. Ele observou que, em um ano eleitoral nos Estados Unidos, a negociação pode não ser a abordagem mais favorável do ponto de vista político.

“Tenho sérias dúvidas de que, em um ano eleitoral, a negociação seja a melhor alternativa dentro de um contexto onde o antagonismo e a criação de um ‘inimigo externo’ podem facilitar a angariação de votos”, concluiu Azevêdo.

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Fonte: cnnbrasil.com.br

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