O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou na noite desta segunda-feira (25) que o Estreito de Ormuz precisa ser mantido aberto, “de um jeito ou de outro”, em meio aos recentes ataques americanos direcionados ao Irã.
Rubio fez essa afirmação durante uma conversa com repórteres a bordo do avião oficial em que estava, enquanto sobrevoava Jaipur, na Índia. “Os estreitos precisam estar abertos, eles vão estar abertos de um jeito ou de outro. Portanto, é imperativo que permaneçam abertos”, ressaltou.
Na mesma ocasião, ele mencionou que a definição dos termos para um possível acordo com o Irã poderá levar “alguns dias”. Mais cedo, os Estados Unidos executaram ataques contra instalações de lançamento de mísseis e embarcações iranianas no Estreito de Ormuz, em uma operação que o Comando Central dos EUA (Centcom) classificou como uma medida de “autodefesa”.
“As forças americanas realizaram ações de autodefesa no sul do Irã para proteger nossas tropas das ameaças representadas pelas forças iranianas”, declarou o porta-voz do Centcom, Timothy Hawkins, em um comunicado à CNN, quando questionado sobre as explosões que foram relatadas na área do estreito. Hawkins detalhou que os alvos atingidos incluíam tanto instalações de lançamento de mísseis quanto embarcações iranianas que tentavam instalar minas na região. O Comando Central dos EUA reafirmou seu compromisso em proteger suas forças, agindo com moderação mesmo durante o cessar-fogo vigente.
Possibilidade de Acordo
Os eventos recentes fazem parte de uma dinâmica maior, onde Estados Unidos e Irã parecem se aproximar de um entendimento sobre um acordo que poderia transformar o cessar-fogo atual – que pôs fim a semanas de conflitos – em uma solução mais duradoura. Ambas as partes discutem a criação de um “memorando de entendimento”, que teria como objetivo estabelecer um roteiro claro para a resolução das questões pendentes, embora, segundo o secretário de Estado Marco Rubio, o acordo ainda esteja “em desenvolvimento”.
Rubio destacou: “Ou teremos um bom acordo ou teremos que lidar com isso de outra forma”, enfatizando a urgência e a importância de um entendimento. Contudo, o conteúdo exato desse memorando ainda é incerto. A principal premissa desse acordo é que, uma vez assinado, ele interromperia os combates, o que seria uma notícia positiva tanto para os Estados Unidos quanto para o Irã, especialmente em um período em que o presidente americano, Donald Trump, se prepara para as eleições de meio de mandato, enquanto enfrenta questões econômicas como o aumento dos preços da gasolina e a crise econômica no Irã.
O acordo proposto prevê a reabertura gradual do Estreito de Ormuz e um cronograma de 60 dias para lidar com outras questões, principalmente relacionadas ao programa nuclear do Irã. Rubio afirmou que existe “algo bastante sólido em cima da mesa” quando se fala sobre a abertura do estreito e a participação do Irã em “negociações significativas e com prazos definidos sobre questões nucleares”.
Um alto funcionário do governo americano declarou no domingo (25) que o acordo-quadro concederia às partes um prazo de “60 dias para chegarem a um acordo final”. Segundo esse funcionário, a proposta garantiria que o Irã não pudesse adquirir uma arma nuclear e o obrigaria a eliminar o urânio altamente enriquecido, que o presidente Trump costuma chamar de “poeira nuclear”. Detalhes sobre como o estoque de urânio será descartado ainda serão discutidos nas próximas fases das negociações.
“O ponto crucial dessa estrutura é que, se o Irã não cumprir o acordo, não receberá nada. Sem poeira, sem dinheiro. À medida que o Estreito se abre, o bloqueio deve ser afrouxado proporcionalmente”, explicou o funcionário. “Isto é ‘confiar, mas verificar’ ao extremo”, complementou.
No entanto, a resposta do Irã às conversações e propostas de acordo tem sido cautelosa. Autoridades iranianas e a mídia estatal ofereceram interpretações distintas, ressaltando a complexidade da situação. “Chegamos a um entendimento sobre muitas das questões em discussão. Mas afirmar que isso significa que um acordo está prestes a ser assinado seria prematuro”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei.
Ainda no domingo, Trump comentou que os Estados Unidos não apressariam um acordo com o Irã: “Se eu fizer um acordo com o Irã, será um bom e adequado, não como aquele feito por Obama”, afirmou o presidente em uma postagem na plataforma Truth Social, referindo-se ao acordo anterior que, segundo ele, deu ao Irã um “caminho claro e aberto para uma arma nuclear”.
Fonte: cnnbrasil.com.br


