Governo lança Tela Brasil, a plataforma de streaming público de audiovisual nacional

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

No sábado, 30 de maio, o governo brasileiro anunciou o lançamento da plataforma Tela Brasil, um serviço de streaming público e gratuito voltado ao audiovisual nacional, sendo frequentemente referida como a “Netflix brasileira”. A iniciativa é coordenada pelo Ministério da Cultura e desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Alagoas, e tem como objetivo oferecer uma vasta gama de filmes brasileiros sob demanda, com acesso integrado ao site Gov.br.

Durante o evento de lançamento realizado na Cidade das Artes, na zona Oeste do Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a importância da plataforma como uma ferramenta de promoção da soberania cultural, permitindo que os brasileiros conheçam melhor a si mesmos. “A Tela Brasil vai contribuir para a elevação da compreensão de um país chamado Brasil. Por que nós somos assim? Por que nós fazemos assim?”, questionou Lula, refletindo sobre a identidade cultural do país.

O presidente ainda expressou sua preocupação com a quantidade de conteúdos de baixa qualidade disponíveis nas plataformas de streaming. “Infelizmente, temos que assistir a um mar de enlatados todas as noites, pois não há alternativas que possibilitem à juventude brasileira ter acesso à pluralidade da cultura nacional”, lamentou. Lula também destacou a importância do setor cultural na economia, ressaltando a geração de empregos e seu impacto no desenvolvimento econômico e profissional do país.

O projeto Tela Brasil recebeu um investimento total de R$ 9 milhões a ser utilizado entre 2024 e 2025. Segundo informações do governo, esse valor serviu para garantir o licenciamento de um catálogo diversificado, o desenvolvimento de tecnologia própria, além de oferecer ferramentas completas de acessibilidade aos usuários da plataforma.

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A ministra da Cultura, Margareth Menezes, que também esteve presente no lançamento, ressaltou que a motivação para a criação da Tela Brasil foi assegurar que o povo brasileiro tenha acesso efetivo ao seu direito à cultura. “Temos um grande desafio na distribuição do audiovisual. Como garantir que toda a população tenha acesso ao que é produzido e que é relevante para o nosso país?”, questionou Menezes, sublinhando a necessidade de uma distribuição mais eficaz do conteúdo cultural.

O acervo da nova plataforma

A Tela Brasil já inicia suas operações com um acervo grandioso, que inclui conteúdos financiados pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e obras armazenadas em instituições que compõem o Sistema do Ministério da Cultura, como a Cinemateca Brasileira e a Funarte. A diversidade é o foco principal da plataforma, englobando produções do cinema negro, cinema indígena, obras dirigidas por mulheres e temas contemporâneos, como justiça climática e sustentabilidade.

O acervo inicial abrange filmes que vão desde clássicos do cinema brasileiro de 1910 até produções mais recentes, chegando até 2025. Ao todo, a plataforma estreia com 555 obras audiovisuais, organizadas da seguinte forma: 267 curtas-metragens; 139 longas-metragens; 85 médias-metragens ou telefilmes; e 64 obras seriadas.

Entre os títulos disponíveis, destacam-se obras icônicas como “A Hora da Estrela”, de Suzana Amaral; “Xica da Silva”, de Cacá Diegues; “Central do Brasil”, de Walter Salles; e “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles. Outras produções notáveis incluem “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), de Glauber Rocha; “Carandiru” (2003), de Hector Babenco; e “Olga” (2004), de Jayme Monjardim. Ademais, o catálogo inicial é composto por 19 títulos que já competiram representando o Brasil no Oscar ao longo dos anos.

*Com informações da Agência Brasil

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Fonte: convergenciadigital.com.br

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