Inadimplência entre as MPMEs atinge 6%, o maior índice desde 2018

Marcelo Borges
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Foto: (Foto: Unsplash)

Em março de 2026, a taxa de inadimplência entre micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) alcançou 6%, um nível que não era visto desde fevereiro de 2018, conforme relatado pelo Banco Central na última segunda-feira (27). Notavelmente, esse aumento na inadimplência é especialmente acentuado nos saldos de maior risco das empresas menores, onde a taxa chega a impressionantes 9,8%, considerada a mais elevada desde que os dados começaram a ser registrados em janeiro do ano passado.

Para fins de comparação, as grandes empresas apresentam uma realidade bastante diferente, com um índice de pagamentos atrasados superior a 90 dias que se limita a 0,6%. Essa disparidade entre as MPMEs e as grandes corporações reforça os desafios enfrentados pelos pequenos negócios no atual cenário econômico.

Além da taxa geral de inadimplência, outros dados revelam o cenário difícil que as empresas de pequeno e médio porte estão enfrentando em relação ao crédito. A inadimplência relacionada ao cheque especial, um recurso amplamente utilizado por pequenos empreendedores, subiu para 20%, após dois meses consecutivos de queda. Este aumento evidencia a pressão financeira mantida sobre esses empresários, que frequentemente dependem desse recurso para manter suas operações.

As linhas de capital de giro também demonstram um aumento preocupante, com a inadimplência atingindo 8,6%, o maior percentual desde outubro do ano anterior. Em contraste, a inadimplência nas modalidades de cartão de crédito observou uma leve diminuição, caindo para 7,5%, após dois meses de crescimento. Essas oscilações nos índices de inadimplência indicam um ambiente financeiro volátil, onde pequenas melhorias em algumas áreas não compensam as dificuldades em outras.

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Em termos gerais, o saldo do crédito disponível para pessoas jurídicas no Sistema Financeiro atingiu a marca de R$ 2,692 trilhões em março. Dentro desse total, as MPMEs receberam uma parcela de R$ 1,226 trilhão, enquanto as grandes empresas obtiveram R$ 1,466 trilhão. Essa divisão ressalta a luta pela obtenção de crédito que as MPMEs enfrentam, ainda mais quando comparadas aos recursos acessíveis para suas contrapartes de maior porte.

O Banco Central também observou que, apesar do aumento na concessão de crédito livre que subiu 19,4% em março em relação a fevereiro, a dificuldade de pagamento entre as MPMEs continua a ser uma preocupação crescente para a saúde econômica do setor. Essa situação exige atenção não apenas dos empreendedores, mas também de formuladores de políticas públicas, já que a recuperação econômica do país está, em grande parte, ligada à geração de emprego e inovação promovidas por essas empresas menores.

O cenário atual de inadimplência apresenta desafios significativos que podem impactar negativamente o crescimento das MPMEs e a economia em geral. Portanto, é necessário que haja um apoio mais robusto e estratégias eficazes para mitigar esses índices, garantindo que os pequenos e médios negócios possuam condições mais favoráveis para operar e prosperar no mercado competitivo.

Fonte: infomoney.com.br

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