Investigação revela que copiloto planejou ataque antes de integrar empresa aérea

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Redação

O copiloto da companhia aérea flydubai envolvido no ataque contra o comandante de um voo com destino a Israel, ocorrido na quarta-feira, 30, já havia arquitetado a ação criminosa antes mesmo de ser contratado pela empresa de aviação. A informação foi divulgada por dois funcionários israelenses que acompanham de perto as investigações conduzidas pelos Emirados Árabes Unidos, conforme relatos publicados pelo jornal Haaretz e repercutidos pelo Estadão.

De acordo com uma terceira fonte ouvida pelo diário, o tripulante, que é natural de Omã, tinha a intenção de direcionar a aeronave contra o Aeroporto Ben-Gurion. O relato indica que ele já havia operado um voo para Tel Aviv no início do ano com o propósito de sequestrar o avião, embora tenha desistido da tentativa por motivos ainda não esclarecidos. A mesma fonte apontou que o indivíduo mantinha algum tipo de relação com uma pessoa que estava a bordo daquela viagem anterior.

Duas das fontes consultadas apontaram o suspeito como Hamam al-Hammami. Embora autoridades israelenses tenham confirmado que ele possui cidadania omanita, o nome oficial não foi divulgado publicamente pelos governos dos Emirados Árabes Unidos e de Omã, tampouco pela direção da flydubai. Os relatos foram obtidos sob condição de anonimato, e as administrações envolvidas optaram por não comentar o caso quando solicitadas.

O procurador-geral dos Emirados Árabes Unidos classificou formalmente o episódio como um ato terrorista, detalhando que o copiloto desferiu golpes contra o comandante utilizando um machado de emergência. Durante os interrogatórios, os dois oficiais israelenses relataram que o suspeito confessou ter buscado emprego na flydubai especificamente após realizar pesquisas sobre empresas aéreas comerciais que operavam rotas regulares para Tel Aviv.

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Novos detalhes publicados pelo periódico italiano Corriere della Sera indicam que o plano do copiloto envolvia desligar os motores da aeronave e colidir o aparelho contra edifícios situados em Tel Aviv. A estratégia arquitetada consistiria em eliminar o capitão de forma sigilosa, sem emitir alertas às autoridades aeronáuticas, alcançando o destino antes de qualquer possibilidade de interceptação por caças da força aérea de Israel. Informações divulgadas pela rede CBS News apontam que uma apuração preliminar conduzida pelas autoridades israelenses concluiu que o agressor agiu sem cúmplices.

A situação foi contornada graças à reação rápida de passageiros e tripulantes, que conseguiram subjugar o copiloto. O comandante Smit Machchhar, de nacionalidade indiana, sofreu ferimentos, mas conseguiu sobreviver ao conseguir destravar e abrir a porta da cabine. Diante da incapacidade do titular, um piloto reserva da própria empresa, que viajava como passageiro, assumiu os comandos e realizou um pouso de emergência no noroeste da Arábia Saudita, local onde o suspeito foi detido pelas autoridades locais. No dia seguinte, quinta-feira, 1º, ele foi extraditado para os Emirados Árabes Unidos. No momento do incidente, a aeronave transportava mais de 170 pessoas, sendo a grande maioria cidadãos israelenses.

Até o momento, o governo dos Emirados Árabes Unidos não formalizou acusações criminais públicas, e permanece incerto se o investigado conta com representação legal constituída. O governo de Omã manteve-se em silêncio sobre o ocorrido.

Em decorrência do caso, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou publicamente que pilotos originários de nações que não mantêm relações diplomáticas formais com Israel, a exemplo de Omã, ficam proibidos de operar voos com destino ao território israelense. Diante das falhas aparentes de segurança, Netanyahu determinou uma revisão completa nos protocolos de operação de companhias aéreas estrangeiras que voam para o país.

Paralelamente, unidades antiterrorismo da Austrália iniciaram investigações para apurar eventuais conexões do copiloto com o país da Oceania. Uma quarta fonte revelou que o suspeito cursou estudos superiores na Universidade RMIT, situada em Melbourne, há aproximadamente dez anos.

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Fonte:: estadao.com.br

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