Cresce a presença de pessoas trans no Poder Legislativo brasileiro

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: © Francisco de Assis/CMN

O cenário político brasileiro registrou um avanço histórico na representatividade da população transexual e travesti com os resultados das eleições para o Poder Legislativo. A consolidação de mandatos já existentes e a conquista de novas cadeiras no Congresso Nacional e nas assembleias legislativas estaduais evidenciam uma ampliação da participação desse grupo nos espaços de decisão política do país.

Na Câmara dos Deputados, a eleição da deputada federal Thabatta Pimenta (PSOL-RN) marcou um novo capítulo para a representação da diversidade de gênero em nível federal. O parlamento também garantiu a reeleição de figuras expressivas e atuantes na política nacional, como Duda Salabert (PSOL-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP), que continuam a levar as pautas da comunidade para o centro dos debates legislativos federais.

O avanço não se limitou à esfera federal. Nos âmbitos estaduais, o mapa político passou a contar com estreias importantes nas assembleias legislativas. Foram eleitas pela primeira vez Natasha Ferreira (PT-RS) e Sofia Favero (PSOL-SP). Elas passam a integrar o grupo de parlamentares estaduais ao lado de nomes que conseguiram a reeleição, a exemplo de Dani Balbi (PCdoB-RJ) e Linda Brasil (PSOL-SE).

No caso específico de Linda Brasil, que alcançou a marca de terceira deputada estadual mais votada no estado de Sergipe, a efetivação da posse ainda aguarda um desfecho definitivo. A situação jurídica depende de uma análise e decisão da Justiça Eleitoral acerca do indeferimento do Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP) que envolve toda a Federação PSOL/Rede no território sergipano.

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A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) manifestou entusiasmo com os resultados obtidos nas urnas, celebrando tanto o crescimento das bancadas eleitas quanto o volume de candidaturas registradas, que somaram 116 postulantes em todo o país durante o pleito deste ano.

Em nota oficial divulgada à imprensa e à sociedade, a entidade pontuou que o impacto vai muito além da contagem numérica de votos ou cadeiras conquistadas. O movimento representa um marco na afirmação da cidadania, no combate ao apagamento histórico e na compreensão detalhada tanto dos avanços alcançados quanto dos obstáculos estruturais que ainda dificultam a inserção de pessoas trans e travestis na política institucional.

A avaliação da Antra aponta que o desempenho eleitoral favorável sinaliza o ponto de partida para uma atuação contínua e firme em prol da consolidação democrática, da efetivação dos direitos humanos e da salvaguarda da população trans e travesti. Para a organização, a conquista de um mandato constitui apenas uma etapa inicial na construção de um projeto político mais amplo.

O comunicado da associação reforça que a ocupação desses espaços amplia de maneira significativa a capacidade coletiva de reivindicar direitos fundamentais, salvaguardar vidas diante de cenários de vulnerabilidade e moldar um modelo democrático verdadeiramente inclusivo, onde a comunidade possua real poder de decisão sobre os rumos da sociedade.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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