Justiça determina bloqueio milionário contra esquema de gás controlado por facção no Rio

Marcelo Borges
5 min. de leitura
Foto: © Marcello Casal/Agência Brasil

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), apresentou denúncia formal contra 12 integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV). O grupo é apontado como o principal responsável pelo controle ilegal da comercialização de botijões de gás de cozinha em diversas comunidades situadas na região metropolitana do Rio de Janeiro, utilizando-se de graves ameaças, violência e extorsões sistemáticas contra comerciantes e moradores locais.

Diante da gravidade dos fatos apurados, a 2ª Vara Criminal Especializada da Capital atendeu aos pedidos apresentados pelo Ministério Público e determinou o bloqueio judicial de mais de R$ 327 milhões. Os recursos financeiros atingidos pela medida pertencem tanto aos investigados quanto às empresas de fachada e negócios utilizados para injetar o capital ilícito no mercado formal e mascarar a movimentação financeira da organização criminosa.

Confira detalhes da operação na publicação original.

Como funcionava o esquema de dominação nos bairros

As investigações conduzidas pelas autoridades revelaram que o esquema criminoso operava com alto grau de planejamento e divisão clara de tarefas. Os participantes mantinham comunicação constante para coordenar a imposição de preços, o cerco a novos territórios e a coerção de trabalhadores do setor. A estrutura contava com ramificações estratégicas que permitiam o controle rígido da cadeia de distribuição do insumo básico em várias localidades.

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Em paralelo à atuação do Ministério Público, equipes especializadas da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) saíram a campo para cumprir mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão expedidos pela Justiça. Entre os alvos da denúncia figura uma das figuras mais proeminentes da cúpula da facção no estado do Rio de Janeiro: Edgar Alves de Andrade, amplamente conhecido pelo apelido de “Doca”.

Segundo os relatórios elaborados pelos investigadores, Edgar Alves de Andrade é apontado atualmente como o principal líder do Comando Vermelho que se encontra em liberdade, exercendo forte influência e direcionando ações criminosas a partir de sua base de operações no Complexo do Alemão, na zona norte da capital fluminense.

A origem das investigações e o impacto na economia local

O inquérito policial que desmantelou a rede criminosa teve início após a coragem de um empresário local. O proprietário de um depósito de gás localizado na comunidade Vai Quem Quer, situada no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, procurou as autoridades policiais para relatar que vinha sofrendo constantes ameaças de morte e iminente sequestro caso não acatasse as ordens impostas pelo tráfico de drogas.

A partir desse depoimento inicial, o trabalho investigativo destrinchou uma teia de abusos que vigorou de forma intensa entre os anos de 2024 e 2025. O esquema ilegal se espalhou por comunidades carentes localizadas não apenas em Duque de Caxias, mas também nos municípios de São Gonçalo, Niterói e em bairros da capital fluminense.

O *modus operandi* da organização consistia em obrigar os comerciantes locais a adquirir botijões de gás exclusivamente de uma única distribuidora alinhada com os interesses da facção. Além disso, os criminosos exigiam o pagamento de taxas mensais de proteção e exclusividade para permitir que os comerciantes continuassem exercendo suas atividades nos territórios dominados.

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Para a população residente nessas comunidades, a consequência direta do monopólio criminoso era a escassez de opções e a imposição de preços abusivos e majorados. Os moradores viam-se sem alternativas, sendo forçados a comprar o gás de cozinha unicamente nos pontos estabelecidos e fiscalizados pelos criminosos armados.

De acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público, toda a violência psicológica, as ameaças de morte e a restrição da liberdade comercial tinham o propósito claro de eliminar qualquer forma de concorrência, moldar as regras do mercado local de acordo com as conveniências da facção e garantir o fluxo contínuo de recursos financeiros ilegais para os cofres da organização criminosa.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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