Lateral do Athletico condenado em primeira instância deve voltar a ser titular contra o Grêmio

Marcelo Borges
7 min. de leitura
Odair Hellmann deve promover retorno inusitado ...

O técnico Odair Hellmann encontrou uma alternativa polêmica para montar a escalação do Athletico diante do Grêmio, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro. Com escassez de opções e desfalques importantes no setor defensivo, o comandante do Furacão sinalizou que o lateral-esquerdo Léo Derik deverá ser aproveitado entre os titulares para o confronto decisivo.

O duelo acontece na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, e movimenta a reta final da competição nacional. O jogador de 21 anos enfrenta uma situação jurídica delicada fora dos gramados, tendo sido condenado em primeira instância a 13 anos de prisão em regime fechado após acusações de dois estupros movidas por uma ex-ficante. O atleta nega veementemente as acusações e recorre da sentença em liberdade, o que juridicamente o mantém apto a exercer suas atividades profissionais.

Desde que a condenação foi proferida pelo Poder Judiciário, a participação de Léo Derik nas partidas oficiais vinha sendo tratada com cautela pela comissão técnica e pela diretoria do clube paranaense. O lateral não chegou a ser utilizado no time principal logo após a sentença, embora tenha figurado no banco de reservas em compromissos recentes pelo Brasileirã, como nos confrontos contra o Bahia e o Vitória. Antes disso, o atleta acumulou minutos em aparições pontuais pelo grupo alternativo, majoritariamente composto por atletas da categoria sub-20, durante a disputa da Copa Paraná.

Ao longo da temporada atual, a minutagem do lateral-esquerdo tem sido limitada. Com 20 partidas disputadas no total — sendo 17 delas pela equipe principal —, ele não registra nenhuma participação direta em gols. Mesmo antes do desdobramento de seu processo judicial, o atleta já vinha perdendo espaço na equipe titular, tendo começado jogando apenas nove vezes ao longo do ano, divididas entre compromissos do Campeonato Estadual, da Copa do Brasil e da Série A.

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A necessidade de recorrer novamente aos serviços de Léo Derik decorre de uma série de problemas físicos e suspensões que atingiram o elenco rubro-negro. O lateral-esquerdo titular Claudinho passou recentemente por um procedimento cirúrgico após sofrer o rompimento do ligamento cruzado anterior (LCA), o que o tirou do restante da temporada. Para piorar o cenário no setor, o argentino Lucas Esquivel tem sido deslocado para atuar improvisado como zagueiro devido a outras carências no miolo de zaga.

Além disso, o departamento de futebol precisou lidar com a suspensão do lateral-direito Gilberto Moraes e com o fato de o também lateral Gastón Benavídez, recém-recuperado de lesão muscular, ainda não apresentar condições físicas ideais para atuar durante os 90 minutos de uma partida intensa. Diante desse panorama, o técnico Odair Hellmann optou por improvisar o atacante colombiano Steven Mendoza na ala direita. A mudança tática acabou abrindo uma vaga imediata na ala esquerda, pavimentando o retorno de Léo Derik à formação inicial.

Outra alternativa monitorada pela comissão técnica foi o jovem Arthur Monteiro, lateral-esquerdo do time sub-17, que chegou a participar de treinamentos com o elenco profissional ao longo da semana. Embora tenha sido relacionado em algumas ocasiões no primeiro semestre do ano, a diretoria e a comissão optaram por não lançá-lo nesta fase tão crítica e de alta pressão do Brasileirão.

A provável escalação do Athletico para o confronto fora de casa conta com Mycael no gol; uma linha defensiva formada por Arthur Dias, Aguirre e Esquivel; o meio-campo e alas com Steven Mendoza, Juan Portilla, Luiz Gustavo e Léo Derik; além do setor ofensivo composto por Leozinho, João Cruz e Jorge Rivaldo (ou Viveros). Vale destacar que o centroavante Kevin Viveros, principal artilheiro do Campeonato Brasileiro com 21 gols marcados, enfrenta dores persistentes no joelho e passará por uma reavaliação médica no hotel da delegação para definir se terá condições de ir a campo desde o apito inicial.

Posicionamento da comissão técnica e histórico do caso

A reinserção do atleta no grupo principal gerou debates entre torcedores e imprensa. Em agosto, após o empate do Athletico contra o Red Bull Bragantino, o técnico Odair Hellmann foi questionado sobre a utilização de Léo Derik e tratou de blindar as decisões esportivas da gestão do clube, enfatizando que a escolha por relacionar ou escalar o jogador baseia-se exclusivamente em critérios técnicos e nas necessidades emergenciais do plantel.

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“Existe um posicionamento do clube e existe uma decisão técnica. A decisão técnica foi tomada e a gente vai avaliar a cada partida que decisão técnica a gente vai tomar. Ele treina normalmente e as decisões cabem ao treinador tomá-la”, declarou o treinador na ocasião, pontuando que encerraria os comentários públicos a respeito do tema jurídico.

O processo judicial envolvendo Leonardo Derik Dias Gonçalves teve um desdobramento expressivo quando a Justiça proferiu a condenação em primeira instância a 13 anos de reclusão em regime fechado, decorrente de denúncias de dois crimes de violência sexual contra uma ex-companheira. O caso tramita no 2º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Curitiba.

Como a sentença não é definitiva, a defesa do lateral interpôs recursos para reverter a decisão em instâncias superiores, permitindo que ele responda ao processo em liberdade. Em notas divulgadas após a condenação, os representantes legais do jogador expressaram profunda surpresa com o teor da sentença, argumentando que o próprio Ministério Público havia solicitado a absolvição do atleta por falta de provas ao término da instrução criminal. Os advogados sustentam que a antecipação de um juízo de culpa fere o princípio constitucional da presunção de inocência e apostam no reexame técnico do processo pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR).

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Por sua vez, a diretoria do Athletico emitiu um comunicado oficial na época ressaltando que a instituição não é parte integrante do processo judicial e que respeitará o devido andamento legal do caso, aguardando o trânsito em julgado para adotar eventuais medidas definitivas, mantendo-se estritamente dentro das garantias previstas na legislação trabalhista e desportiva brasileira.

Fonte:: umdoisesportes.com.br

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