A recente aprovação por parte dos clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro para a diminuição progressiva no limite de jogadores estrangeiros promete alterar o planejamento de diversas equipes do cenário nacional a partir de 2027. Entre os clubes que deverão sentir mais fortemente os efeitos dessa nova diretriz está o Athletico, que atualmente conta com um plantel repleto de atletas de outras nacionalidades e figura entre os líderes nesse quesito na elite do futebol brasileiro.
Conforme dados levantados no portal especializado Transfermarkt, o clube rubro-negro possui atualmente 11 atletas estrangeiros registrados em seu grupo principal. Esse número coloca a equipe paranaense na terceira colocação geral no ranking de times com mais gringos na primeira divisão, ficando atrás apenas de Botafogo e Vasco, que lideram a estatística.
Pelas regras em vigor no Brasileirão, os clubes podem relacionar até nove jogadores estrangeiros por partida. Isso significa que, com o plantel atual, a comissão técnica athleticana precisa obrigatoriamente deixar pelo menos dois gringos de fora até mesmo do banco de reservas em cada compromisso oficial pelo torneio nacional. No entanto, o cenário se tornará ainda mais restritivo nos próximos anos: o teto máximo de estrangeiros permitidos por súmula cairá para oito em 2027, passará para sete em 2028, descenderá para seis em 2029 e atingirá o limite definitivo de cinco atletas em 2030.
Sob o comando do técnico Odair Hellmann, o plantel athleticano destaca-se pela forte presença de jogadores colombianos. O grupo conta com os zagueiros Carlos Terán e Juan Felipe Aguirre, os volantes Alejandro García e Juan Portilla, além dos atacantes Kerwin Vargas, Stiven Mendoza, Jorge Rivaldo e Kevin Viveros. A colônia estrangeira do Furacão fica completa com os argentinos Gaston Benavídez e Lucas Esquivel.
A necessidade de rodízio já impõe desafios à comissão técnica. Em compromissos recentes, como no clássico estadual diante do Coritiba, o treinador precisou preterir o atacante Jorge Rivaldo, contratado justamente para ser a alternativa imediata ao centroavante Kevin Viveros. Contudo, em partidas seguintes, Rivaldo retornou às relações e demonstrou sua importância ao marcar o gol da vitória athletica por 2 a 1 em confronto direto contra o Bahia.
Além do Athletico, outras importantes camisas do futebol brasileiro — como Botafogo, Vasco, Flamengo, Grêmio e Internacional — superam atualmente o limite de estrangeiros estabelecido para o futuro. Com a transição gradual para o teto de cinco atletas em 2030, equipes como Cruzeiro e Fluminense também deverão enfrentar dificuldades com seus atuais modelos de montagem de elenco.
Coritiba amplia presença estrangeira, mas também sentirá restrições
O Coritiba, representante paranaense que também disputa a elite do Campeonato Brasileiro, tem intensificado os investimentos na contratação de atletas do mercado internacional, embora permaneça abaixo do limite atual de estrangeiros permitidos por partida. Atualmente, o Coxa dispõe de sete gringos em seu plantel: os uruguaios Nicolás Fonseca, Brian Ocampo e Lavega; o argentino Fabrício Bustos; os colombianos Sebastián Gómez e Ararat; e o meia português Josué.
Enquanto reforços como Bustos, Fonseca e Ocampo integraram o grupo durante as janelas de transferências mais recentes, e jovens como Lavega e Ararat chegaram ao longo da temporada, atletas mais consolidados exercem papéis centrais. Josué, principal destaque técnico e líder em assistências da equipe no torneio nacional, atua no clube desde o ano passado, ao passo que Sebastián Gómez defende a camisa alviverde desde 2023.
A tendência é que o clube da capital paranaense mantenha os olhos voltados para o futebol sul-americano, impulsionado pela aproximação institucional com o Grupo Independente Del Valle, que ingressou inicialmente como acionista minoritário da SAF coxa-branca. Dirigentes do grupo empresarial, como Michel Deller e seu filho James Deller — este último mais próximo do cotidiano do clube —, já marcaram presença em partidas decisivas para acompanhar de perto a equipe. Apesar dessa conexão internacional, o Alviverde já tem ciência de que precisará conter a chegada em massa de novos atletas estrangeiros para se adequar às normativas que entrarão em vigor.
Panorama geral dos estrangeiros no Campeonato Brasileiro
O impacto da nova regulamentação reflete o forte apelo do mercado sul-americano e internacional para os clubes da Série A. Atualmente, o Campeonato Brasileiro reúne cerca de 159 atletas estrangeiros distribuídos por 19 equipes participantes. O levantamento estatístico aponta que o torneio já ultrapassou a marca de 175 jogadores de outras nacionalidades utilizados ao longo da temporada por todas as 20 agremiações, superando o patamar registrado no ano anterior. O Mirassol destaca-se como o único clube da elite que não possui jogadores estrangeiros em seu grupo.
O mapeamento exclui atletas que, embora nascidos no exterior, possuem naturalização, dupla cidadania ou laços familiares que lhes garantem status diferenciado perante os regulamentos esportivos brasileiros. Estão nessa condição jogadores como João Costa (Cruzeiro), Jorginho (Flamengo), Matheus Reis (Fluminense), Walter Kannemann (Grêmio), Joel Andersson (Internacional), Maurício (Palmeiras), além de Carlos Coronel e Rafael Tolói (São Paulo).
A nova realidade financeira e regulamentar exigirá dos departamentos de futebol um planejamento minucioso. Clubes com forte presença de atletas estrangeiros, a exemplo do Athletico e dos demais gigantes da Série A, terão de reavaliar suas estratégias de contratação para evitar desfalques e desequilíbrios em seus plantéis à medida que o limite de estrangeiros for reduzido ano a ano até o horizonte de 2030.
Fonte:: umdoisesportes.com.br


