Mais de 300 soldados dos Estados Unidos começam a chegar à Colômbia para dar início a uma série de treinamentos conjuntos voltados ao combate ao narcotráfico. A iniciativa faz parte de um plano estratégico de segurança endossado pelo presidente Abelardo de la Espriella, conforme detalhado pelo Ministério da Defesa do país sul-americano.
O chefe de Estado colombiano, reconhecido por sua postura de linha dura e por ser um aliado do governo de Donald Trump, tem buscado alinhar esforços com Washington para enfraquecer os cartéis que atuam na América Latina. A manobra ocorre em um momento em que os Estados Unidos buscam ampliar sua presença e cooperação militar na região diante de novas diretrizes geopolíticas.
De acordo com o planejamento oficial divulgado pelas autoridades de defesa colombianas, as atividades de adestramento ocorrerão em campo entre os dias 30 de outubro e 11 de novembro. O foco principal das instruções será o enfrentamento ao narcotráfico, a repressão à mineração ilegal e a neutralização de drones carregados com explosivos — tecnologia que vem sendo adotada com frequência por facções e grupos criminosos locais.
Em nota oficial, o Comando Sul dos EUA destacou que o objetivo do treinamento é mitigar ameaças regionais, aprimorar a interoperabilidade entre as forças parceiras e elevar o nível de prontidão operacional. A mobilização envolverá operações terrestres e marítimas, contando também com a participação de mais de 400 militares colombianos devidamente fardados.
Além das táticas de combate, o intercâmbio entre os dois exércitos contemplará protocolos de atendimento médico e salvamento voltados para o socorro de feridos em zonas minadas. Artefatos explosivos improvisados continuam a representar um grave perigo em regiões isoladas e de difícil acesso onde organizações criminosas mantêm suas bases de operação.
A base militar de Tolemaida, situada a pouco mais de 100 quilômetros de Bogotá, servirá como o principal quartel-general para o planejamento e a execução dos exercícios práticos.
Os combatentes norte-americanos enviados para a missão integram o Batalhão de Montanha dos Estados Unidos, uma unidade especializada em operações sob condições climáticas severas, relevo acidentado e ambientes de alta altitude. A legislação colombiana estabelece que a movimentação de tropas estrangeiras pelo território nacional precisa passar pelo crivo e aprovação prévia do Senado.
Parceria estratégica e o Escudo das Américas
A Colômbia integra o Escudo das Américas, um pacto hemisférico voltado para a segurança e o combate às redes de drogas, impulsionado pela gestão de Trump e que conta com a adesão de cerca de vinte nações do continente.
Os Estados Unidos historicamente figuram como o principal aliado estratégico da Colômbia no setor de defesa. É rotineiro que os governos compartilhem informações de inteligência em operações colombianas voltadas para a desarticulação de guerrilhas e cartéis armados, conforme relatam fontes ligadas ao setor militar.
Esta é a quarta ocasião em que os dois países realizam os exercícios combinados batizados de Vanguarda do Sul. A edição anterior havia ocorrido em 2022, quando o contingente americano enviado foi menor, mobilizando cerca de 150 efetivos, segundo registros do Exército.
O governo de Abelardo de la Espriella aposta na expansão dos acordos bilaterais com os Estados Unidos para desmantelar o aparato financeiro e militar das organizações criminosas, defendendo inclusive o uso de táticas mais assertivas, como operações de bombardeio contra alvos estratégicos.
Fonte:: estadao.com.br


