Enquanto divide as atenções com a reta decisiva da Copa Paraná, a diretoria do Paraná Clube já começa a estruturar o planejamento esportivo e financeiro para a temporada de 2027. O próximo ano marcará o aguardado retorno do Tricolor à elite do Campeonato Paranaense, um passo considerado estratégico para a retomada de um calendário nacional e a busca por uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro.
Como parte da estratégia para maximizar a arrecadação de bilheteria e otimizar os ganhos financeiros, a cúpula tricolor avalia a possibilidade de transferir partidas de grande apelo para estádios de maior capacidade na capital paranaense. Entre as opções monitoradas estão a Arena da Baixada, casa do Athletico, e o Estádio Couto Pereira, reduto do Coritiba.
A iniciativa de utilizar estádios rivais em ocasiões específicas não é novidade na história recente do clube, mas ganha força diante das projeções comerciais e da negociação em curso para a implementação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
Em entrevista ao podcast Suits & Cleats, Pedro Weber, CEO da NextPlay — empresa que avança nas negociações para a aquisição da SAF do Paraná —, comentou sobre a viabilidade econômica de mandar jogos nessas praças esportivas.
“Já é da cultura do clube estar sempre levando um jogo ou outro para a Baixada ou Couto Pereira. Isso é importante financeiramente também porque traz uma renda acima do que a Vila Capanema”, pontuou o gestor.
Atualmente, o Estádio Durival Britto e Silva (Vila Capanema) possui capacidade máxima estimada em torno de 15 mil lugares. Com a expectativa de públicos superiores em clássicos e partidas decisivas do estadual, a diretoria enxerga nos estádios dos rivais uma alternativa viável para impulsionar o faturamento.
“Hoje a Vila Capanema suporta 15 mil, não mais que isso. Então a gente imagina que no Estadual do ano que vem também, se tiver a oportunidade, a gente possa levar um jogo ou outro para a Arena”, completou Weber.
Recordes de público e projeção financeira
Durante a entrevista, o executivo relembrou momentos marcantes da trajetória paranista em confrontos realizados na casa do rival rubro-negro, citando como exemplo o duelo contra o Internacional, válido pela Série B do Campeonato Brasileiro de 2017.

“Já tiveram vários jogos ali de 40 mil, 35 mil. Até brinco que o recorde da Arena da Baixada ainda é um jogo do Paraná contra o Inter em 2017. Então, o Athletico camuflou depois para bater este recorde”, alfinetou o representante da empresa interessada na gestão do futebol tricolor.
Além dos planos logísticos para o Campeonato Paranaense de 2027, Weber trouxe um panorama positivo sobre as finanças institucionais. Segundo o CEO, o Paraná Clube encerrou o primeiro semestre de 2026 registrando fluxo de caixa positivo.
“Isso é muito relevante, para mostrar que, quando a gente estiver na Série D, a gente vai conseguir sustentar o orçamento, a receita recorrente vai bancar. É isso que a gente tem que vender. Não é o investidor que vai ficar aportando para sempre nos clubes e que essa é a fórmula do sucesso. Não é”, argumentou.
Para o gestor, o modelo ideal de administração esportiva exige responsabilidade fiscal a longo prazo, distanciando-se de dependências exclusivas de aportes financeiros externos ou acúmulo de passivos.
“A gente tem que buscar equilíbrio e que os clubes ganhem eficiência de gestão, com receitas recorrentes, e cresçam assim, e não com aportes ou endividamento, pois isso é finito, uma hora a estratégia vai mudar e não vai haver continuidade no projeto”, concluiu.
Foco total na reta decisiva da Copa Paraná
Enquanto o planejamento estratégico de longo prazo caminha nos bastidores, o foco imediato do elenco está dentro das quatro linhas. Sob o comando do técnico Tcheco, o Paraná Clube intensifica os treinamentos para o confronto de ida das semifinais da Copa Paraná.
O adversário será o Foz do Iguaçu, em partida marcada para este domingo (1), às 15h30, no Estádio do ABC, na região Oeste do estado. O duelo de volta ocorrerá na Vila Capanema, em Curitiba. A regulamentação da competição aponta que, em caso de igualdade no somatório dos resultados dos dois jogos, o finalista será conhecido através de cobranças de penalidades máximas.

Mantendo uma campanha consistente e sem nenhuma derrota na atual edição do torneio regional, o Tricolor garantiu vaga direta na semifinal após encerrar a primeira fase na liderança isolada da tabela de classificação. Do outro lado da chave, a outra semifinal será disputada entre Athletico e Paranavaí.
O clube que levantar o troféu da Copa Paraná terá o direito de escolher entre uma vaga na Copa do Brasil ou na Copa Sul-Sudeste na temporada de 2027, enquanto o vice-campeão ficará com a praça remanescente no calendário nacional.
Fonte:: umdoisesportes.com.br


