O Estado do Paraná obteve uma significativa redução de 87,5% no desmatamento da Mata Atlântica entre 2020 e 2025, conforme apontado pelo Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) desenvolvido pela Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com a MapBiomas e a Arcplan. Os dados revelam que a área desmatada no Estado caiu de 3.298 hectares (ha) para apenas 411 ha ao longo deste período.
Comparativamente, o Paraná obteve o terceiro melhor resultado do Brasil nesse quesito, ficando atrás somente do Rio Grande do Sul, que registrou uma redução de 92,6%, e de São Paulo, com 88,7%. No total, o Brasil apresentou uma queda média de 59,6% no desmatamento, reduzindo de 21.474 ha (2020-2021) para 8.658 ha (2024-2025). Os dados foram divulgados na quarta-feira, 13, por uma organização não governamental dedicada à causa ambiental.
O secretário estadual de Desenvolvimento Sustentável, Everton Souza, enfatizou que a redução do desmatamento ilegal se tornou uma prioridade no Paraná, liderada pelo governador Ratinho Junior. “Estamos monitorando, fiscalizando e multando, e com isso conseguimos preservar muitas florestas, garantindo um Paraná sustentável para as futuras gerações”, destacou o secretário.
Uma das chaves para essa significativa diminuição no desmatamento é o investimento em tecnologia. O uso de inteligência geográfica tem sido fundamental, com a implementação de geotecnologias avançadas pelo Instituto Água e Terra (IAT), que é o órgão responsável pela fiscalização ambiental no Estado. Isso inclui o uso de imagens de satélite e plataformas de monitoramento que emitem alertas quase diariamente sobre atividades de desmatamento.
Souza explicou que essas tecnologias aumentaram a capacidade de resposta do IAT. Além disso, houve um reforço nas ações de campo através dos escritórios regionais e do Grupo de Operações Ambientais do IAT (GOA). O Estado agora conta com acesso a três plataformas que monitoram desmatamento por meio de imagens de satélite, facilitando a detecção de atividades irregulares em tempo real.
A mais recente dessas ferramentas é a Rede MAIS, cuja adesão se deu em 2023 em parceria com a Polícia Federal. Essa rede colaborativa fornece imagens de alta resolução de todo o Paraná, permitindo um monitoramento eficaz das áreas florestais. Outro recurso importante é o Prodes Brasil, um projeto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que começou em 1988 e que expandiu sua atuação para outros biomas em 2022, monitorando o desmatamento em larga escala através de análises de imagens históricas de satélites.
A Plataforma MapBiomas também se destaca nesse contexto, resultando da colaboração entre universidades, ONGs e empresas de tecnologia, focada no acompanhamento das transformações na cobertura do solo. Este sistema combina imagens de satélite, computação em nuvem e inteligência artificial, aprimorando cada vez mais sua precisão e capacidade de identificação de desmatamento.
Desde 2020, o sistema permitiu a geração de alertas para áreas desmatadas a partir de 1 hectare, evoluindo recentemente para detectar atividades irregulares em terrenos menores, a partir de 0,3 hectare. A engenheira florestal do IAT, Aline Canetti, ressaltou que o uso de tecnologia trouxe uma otimização significativa das ações de fiscalização, com redução de custos e tempo de resposta.
O Paraná também tem implementado políticas públicas voltadas à preservação ambiental, como o ICMS Ecológico, que beneficia financeiramente os municípios que conservam Unidades de Conservação (UCs) e áreas especiais. Em 2025, o governo do Estado repassou R$ 659,6 milhões aos municípios paranaenses, representando um aumento de 3,7% em relação ao ano anterior.
Além disso, o IAT promove ações de desenvolvimento sustentável através do Pagamento por Serviços Ambientais Municipal (PSAM), que incentiva financeiramente a gestão de áreas protegidas. Porém, a luta contra o desmatamento ilegal ainda é desafiadora, e quem for pego praticando essa atividade enfrenta penalidades de acordo com a Lei de Crimes Ambientais.
A fiscalização é uma ferramenta chave na luta contra o desmatamento ilegal, e a sociedade pode contribuir com denúncias de práticas irregulares. O Batalhão Ambiental disponibiliza o Disque-Denúncia 181, e o IAT conta com um canal de Ouvidoria para receber informações sobre crimes ambientais. Quanto mais detalhes são fornecidos, mais eficiente se torna a ação das autoridades para coibir os danos ao meio ambiente.
Fonte:: iat.pr.gov.br


