Patinetes elétricos viram armadilhas nas calçadas e preocupam cegos

Marcelo Borges
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Implementados no início de julho como uma alternativa moderna de transporte sustentável e ágil para os centros urbanos, os patinetes elétricos rapidamente se transformaram em uma fonte de dor de cabeça para a população, especialmente para as pessoas cegas ou com deficiência visual. O que deveria ser facilidade de locomoção tem gerado barreiras físicas em calçadas de grande circulação.

O alerta severo sobre a situação foi emitido pelo Instituto Paranaense de Cegos (IPC). De acordo com a instituição, patinetes estacionados de maneira inadequada sobre o piso tátil, obstruindo o alinhamento predial e bloqueando rampas de acessibilidade, comprometem seriamente a autonomia e elevam os riscos à segurança de quem depende do tato e da audição para se orientar.

O direito de ir e vir ameaçado nas ruas

Enio Rodrigues da Rosa, diretor do Instituto Paranaense de Cegos, faz questão de pontuar que a entidade não se opõe à tecnologia ou ao modelo de transporte compartilhado. Contudo, a falta de civismo no descarte dos equipamentos após o uso transforma os veículos em armadilhas cotidianas.


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O cenário crítico é verificado inclusive no entorno da sede do próprio IPC. A organização registra diariamente ocorrências de mau estacionamento nas imediações das avenidas Sete de Setembro e Visconde de Guarapuava, além do trecho próximo à Rua Coronel Dulcídio. Nesses locais, os patinetes são abandonados bem no meio do passeio público e, frequentemente, em cima do piso tátil, rota indispensável para a navegação urbana de pessoas cegas.

SAIBA MAIS

Por se tratar da região onde o instituto está localizado, o fluxo de pedestres com deficiência visual é intenso. Frequentar as redondezas tem exigido cautela redobrada, com relatos recorrentes de tropeços e quedas causadas pelos equipamentos espalhados de forma irregular. Segundo o diretor do IPC, o impacto é ainda mais cruel para quem está em fase de reabilitação e aprendendo a se locomover com o auxílio da bengala branca.

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A desordem não afeta apenas os cegos, mas impacta diretamente toda a parcela da população que lida com mobilidade reduzida temporária ou permanente, como cadeirantes, idosos e pessoas que empurram carrinhos de bebê. Rosa destaca que o problema se soma a uma série de outros desafios urbanos que já compõem o cenário hostil das calçadas para quem possui baixa visão.

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Medidas legais e busca por soluções

Diante da gravidade da situação e do risco contínuo à integridade física dos pedestres, o Instituto Paranaense de Cegos formalizou uma denúncia junto à Promotoria de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que já abriu apuração sobre o caso.

Para a diretoria da entidade, a resolução definitiva do impasse exige um esforço conjunto que envolva campanhas de conscientização direcionadas aos condutores, intensificação da fiscalização municipal e, principalmente, a delimitação de pontos exclusivos e seguros de estacionamento para os patinetes, garantindo que o fluxo nas calçadas e a integridade das rotas táteis sejam respeitados.

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Histórico de fiscalização e restrições

O uso inadequado dos patinetes tem gerado sanções. A Jet, empresa concessionária responsável pelo serviço de micromobilidade na cidade, informou que fiscais realizaram 516 abordagens por irregularidades, o que resultou no bloqueio de 257 contas de usuários infratores.

Paralelamente, a Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs) determinou a proibição total da circulação desses veículos em pontos de grande concentração de pedestres, como a Rua XV de Novembro (via exclusiva para pedestres), o interior do Passeio Público e as praças Rui Barbosa e Osório, situadas na região central. Atualmente, os patinetes continuam disponíveis para locomoção nos bairros Centro, Centro Cívico e Batel.

Dados consolidados da Central 156 mostram que o tema já gerou 61 chamados e reclamações formais, sendo o estacionamento irregular o principal motivo de queixa da população. As regras em vigor estipulam que os patinetes devem transitar exclusivamente por ciclovias, ciclofaixas, ciclorrotas ou vias devidamente sinalizadas com marcação compartilhada. Ao todo, a empresa Jet disponibiliza cem pontos estruturados para retirada e devolução dos veículos.

A Prefeitura foi procurada pela reportagem para se posicionar sobre o impacto dos patinetes nas calçadas da capital, mas até o momento não houve retorno.

Fonte:: cbncuritiba.com.br

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