Pesquisadores publicam capítulo sobre solos do litoral paranaense

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: Divulgação / Idrparana.pr.gov.br

A professora Andressa Kerecz, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Campus Matinhos, e o pesquisador Renato Yagi, da Estação de Pesquisa do IDR-Paraná, localizada em Ponta Grossa, contribuíram com um capítulo que aborda os solos da região litorânea do Paraná. O texto integra o livro “Litoral do Paraná: Território e Perspectivas”, publicado pela editora Ilustração. Esta obra representa um merecido reconhecimento à pesquisa científica realizada no Estado, ressaltando a importância das interações entre a sociedade e o patrimônio natural do litoral paranaense.

O livro é composto por uma coletânea de artigos que examinam diversos aspectos da relação entre os habitantes e o meio ambiente na costa paranaense, abordando temas como gestão ambiental, ocupação histórica e o potencial sustentável da região. Este é o oitavo volume de uma série dedicada a investigar as dinâmicas regionais, produto de um esforço colaborativo entre pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Territorial Sustentável (PPGDTS) da UFPR, Setor Litoral.

Análise dos solos litorâneos

No capítulo elaborado pelos pesquisadores, foram classificadas as diferentes classes de solos da área litorânea, relacionando-as com as culturas que geram maior impacto econômico na região. Além disso, foram identificados os impedimentos físicos e químicos dos solos, considerando as condições socioeconômicas locais. Os autores destacaram práticas agroecológicas e orgânicas que podem ser viáveis para a produção agrícola sustentável entre os agricultores familiares que atuam no litoral paranaense.

A cultura da pupunha

Entre os temas abordados na publicação, destaca-se a cultura da pupunha, que ocupa o segundo lugar em termos de valor bruto de produção (VBP) no litoral paranaense, superada apenas pelo cultivo de banana. A introdução dessa cultura no Brasil se deu por meio da pesquisadora aposentada do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), Nancy Morsbach, que em 1984 trouxe as primeiras 100 mudas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e as plantou na Estação Experimental do IAPAR, em Morretes. Na época, o intuito era avaliar alternativas mais sustentáveis para a extração dos palmitos juçara e real.

- Publicidade-

Desde a introdução da pupunha, essa palmeira se tornou uma importante alternativa para pequenos produtores familiares, particularmente nas costas do Paraná e de Santa Catarina. A cultura reduz significativamente o tempo necessário para a colheita dos palmitos, promovendo uma abordagem mais sustentável da agricultura familiar na região litorânea paranaense.

Impacto econômico dos cultivos

No capítulo produzido pelos pesquisadores da UFPR e do IDR-Paraná, os autores revelam que as áreas cultivadas com palmito pupunha e banana representam 75% do VBP regional. Esses locais são formados majoritariamente por cambissolos, que são solos minerais em estágios iniciais de formação, e caracterizam-se por altos índices de alumínio e silte, elementos que podem ser limitantes para a agricultura.

Objetivos da publicação

Com a publicação do livro, os pesquisadores almejam não apenas diagnosticar os desafios que a região enfrenta, mas também oferecer soluções que visem ao desenvolvimento de um litoral paranaense mais equilibrado e inclusivo. A obra tem a colaboração de organizadores que incluem Luiz Augusto Macedo Mestre, Juliana Quadros, Roberto Eduardo Bueno e Ariane Maria Basilio Pigosso. Para aqueles interessados no conteúdo, mais informações estão disponíveis na publicação, que pode ser acessada para download gratuito através do seguinte link:

Download gratuito do livro

Fonte:: idrparana.pr.gov.br

- Publicidade-
Compartilhe esta notícia