Professores da rede municipal de Araucária visitam estação de pesquisa em Pinhais

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Foto: Divulgação / Idrparana.pr.gov.br

As comemorações alusivas ao Dia do Professor trouxeram uma vivência diferenciada para educadores da rede municipal de ensino de Araucária. Na última quinta-feira (15), o grupo composto por profissionais da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental realizou uma visita técnica à Estação de Pesquisa em Agroecologia do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), situada no município de Pinhais. O objetivo principal da iniciativa foi permitir que os docentes entrassem em contato direto com práticas sustentáveis e agroecológicas, avaliando caminhos e estratégias para integrar esses saberes de forma prática no cotidiano das salas de aula paranaenses.

Durante a programação, os professores tiveram a oportunidade de transitar por diferentes setores da unidade de pesquisa. No laboratório de pós-colheita, por exemplo, os participantes acompanharam detalhadamente o processo de elaboração de farinhas alternativas feitas a partir de frutas como amora, framboesa, mirtilo, kiwi e banana. O método consiste na desidratação dos alimentos por meio de estufas especializadas seguida de trituração, gerando ingredientes nutritivos que podem enriquecer receitas variadas e otimizar o aproveitamento dos alimentos na merenda escolar.

A agroecóloga e bolsista do IDR-Paraná, Clayre Lisot, destacou a relevância de aproximar a agricultura sustentável da realidade escolar. Segundo ela, o debate sobre a diversidade nutricional infantil caminha lado a lado com a produção agrícola regional. Iniciativas como o aproveitamento integral de frutas e a introdução de farinhas alternativas na dieta dos estudantes têm o potencial de ampliar consideravelmente a oferta de nutrientes nas instituições de ensino, estimulando hábitos alimentares mais saudáveis desde a primeira infância.

Práticas de sustentabilidade e preservação ambiental na rotina pedagógica

Além do laboratório de pós-colheita, o roteiro técnico incluiu passagens por pontos fundamentais de manejo sustentável mantidos pelo IDR-Paraná. Os educadores conheceram o meliponário local, a estrutura voltada para a produção de leite orgânico e o minhocário, onde receberam orientações técnicas a respeito de técnicas de compostagem e destinação correta de resíduos orgânicos.

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Para Clayre Lisot, a compostagem representa muito mais do que uma técnica de reciclagem de matéria orgânica; trata-se de um resgate do papel ecológico fundamental do ser humano perante o ecossistema. A especialista ressaltou que a sociedade moderna, à medida que se desenvolve tecnologicamente, tende a se afastar de sua conexão com a natureza. Nesse sentido, inserir conceitos de agrofloresta, compostagem e agroecologia na grade educacional demonstra que a humanidade pode atuar como um agente ativo de regeneração ambiental, em vez de deixar um rastro de degradação e acúmulo de resíduos.

A professora Lizmara de Oliveira, que desenvolve atividades voltadas a um clube de ciências na rede municipal, avaliou a experiência como altamente enriquecedora para a sua prática docente. De acordo com a educadora, a visita forneceu subsídios teóricos e práticos que serão diretamente aplicados em projetos sobre reciclagem e gerenciamento de resíduos com as crianças. Ela enfatizou que a vivência reforça conceitos fundamentais, como a conscientização de que os resíduos descartados continuam integrando o ecossistema terrestre, permitindo abordar a temática ambiental de maneira simples, lúdica e efetiva.

Conexão com a realidade rural e valorização do campo

A programação também contemplou as especificidades da educação voltada para o meio rural. A professora Jessica Jhonson, que atua na Educação do Campo, pontuou que a vivência na Estação de Pesquisa auxilia a estreitar o vínculo entre os saberes tradicionais e o cotidiano dos alunos. A docente observou que, muitas vezes, crianças residentes em zonas rurais acabam tendo pouco contato prático com o manejo agrícola diário, visto que muitas famílias exercem atividades laborais ligadas aos centros urbanos.

Diante desse cenário, a educadora reforçou que as escolas localizadas no campo possuem a missão primordial de se manterem profundamente conectadas com o seu contexto territorial. Conhecer de perto o funcionamento de um minhocário, o manejo de abelhas sem ferrão e os processos de compostagem garante aos professores o repertório necessário para traduzir esses conhecimentos em projetos pedagógicos aplicáveis, despertando nos estudantes o interesse e o respeito pelas atividades desenvolvidas no ambiente rural.

A organização da visita técnica foi liderada pela assessora pedagógica Vanessa Cordeiro, que acompanhou o grupo de educadores. Na avaliação da coordenadora, a iniciativa serviu para estreitar os laços históricos entre as diretrizes da agroecologia e as práticas pedagógicas adotadas na rede municipal de ensino, criando condições propícias para a retomada de projetos ambientais nas escolas de Araucária. Vanessa lembrou que o grupo de estudos voltado à Educação do Campo já mantinha um histórico de parcerias com o setor agroecológico antes do período de restrições sanitárias, e a visita representou um passo importante para revitalizar e expandir essas ações nas unidades educacionais do município paranaense.

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Fonte:: idrparana.pr.gov.br

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