Sanções dos EUA aceleram saída de empresas estrangeiras de Cuba

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

A imposição de sanções pelo governo dos Estados Unidos está provocando uma rápida retirada de empresas estrangeiras de Cuba. Após a saída de uma companhia de mineração e grupos hoteleiros, agora um banco internacional decidiu suspender suas transações com a ilha, o que resultará na interrupção do uso de cartões Visa e Mastercard no país.

Nesta quarta-feira, 3, o Banco Central de Cuba informou que os pagamentos com cartões Visa e Mastercard estarão suspensos a partir do próximo sábado, 6. Essa decisão segue a rescisão do contrato entre um banco estrangeiro e a Fincimex, o braço financeiro do conglomerado econômico-militar Gaesa, que foi sancionado por Washington.

“No dia 2 de junho, recebemos a comunicação do banco estrangeiro responsável pelas operações de pagamento em Cuba utilizando cartões Visa e Mastercard, notificando sobre a interrupção de suas relações com a Fincimex S.A.”, declarou o Banco Central cubano em um comunicado oficial.

A interrupção das operações está diretamente ligada à ordem executiva emitida pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que faz parte de uma estratégia mais ampla de pressão contra Cuba. O ex-presidente vem mantendo um bloqueio petrolífero à ilha desde janeiro, e ao assinar um decreto em 1º de maio, reforçou as sanções, alegando que Cuba representa uma “ameaça extraordinária” à segurança nacional dos Estados Unidos.

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Na busca por criar uma política de “pressão máxima”, a administração Trump direcionou suas ações contra o Grupo de Administração Empresarial S.A. (Gaesa), um conglomerado ligado às Forças Armadas cubanas e que controla setores significativos da economia do país. O governo americano alega que as autoridades cubanas tentam contornar as restrições comerciais vigentes desde 1962, utilizando o Gaesa para obter divisas e fomentar a corrupção.

Em decorrência disso, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) do Departamento do Tesouro dos EUA estabeleceu o dia 5 de julho como prazo final para que as empresas estrangeiras que mantêm negócios com o Gaesa ajustem suas operações, sob a ameaça de enfrentarem sanções severas. Essas medidas podem acarretar dificuldades no acesso ao sistema financeiro internacional, restrições para bancos que desejem trabalhar com essas empresas e até o congelamento de ativos.

Impactos e reações

A rede hoteleira espanhola Meliá anunciou nesta quarta-feira que encerrará as operações em 15 hotéis que administra em parceria com o Gaesa. Em um comunicado, a empresa afirmou: “Diante do contexto geopolítico, social, jurídico e econômico atual da República de Cuba, decidimos concluir imediatamente a prestação dos serviços de gestão e comercialização destes hotéis na ilha”.

Dessa forma, a Meliá se junta à rede Iberostar e à Blue Diamond do Canadá, que também informaram recentemente sobre a interrupção parcial ou total de suas atividades turísticas em Cuba. A Iberostar, por exemplo, deixou de administrar 12 estabelecimentos que operavam em associação com o Gaesa, embora continue ativa em outros projetos ao lado do Ministério do Turismo cubano.

As redes Iberostar e Meliá foram pioneiras em investir no setor hoteleiro cubano após a abertura do país ao turismo internacional nos anos 90, como uma resposta à crise gerada pela desintegração do bloco soviético.

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No início de julho, a rede canadense Blue Diamond também anunciou o encerramento de suas atividades em Cuba, enquanto a asiática Archipelago International está avaliando a possibilidade de reduzir sua presença na ilha, conforme

Além disso, as empresas de navegação CMA CGM, da França, e Hapag-Lloyd, da Alemanha, suspenderam temporariamente suas reservas de carga para Cuba devido às sanções americanas. Um porta-voz da Hapag-Lloyd afirmou que a empresa continua reavaliando as implicações das sanções anunciadas recentemente.

No setor de mineração, a canadense Sherritt, que opera na extração de níquel e cobalto desde os anos 90 através de uma joint venture, se tornou em 7 de maio a primeira empresa estrangeira a anunciar sua saída formal de Cuba.

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De acordo com o economista e consultor cubano Daniel Torralbas, o impacto econômico da retirada dessas empresas internacionais será devastador a curto prazo. Ele indicou que a situação poderá transformar 2026 no pior ano econômico em 70 anos para a ilha caribenha.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, um dos críticos mais fervorosos do governo cubano, acusou recentemente os líderes da ilha de se envolverem em práticas de roubo e corrupção através do Gaesa. O Departamento de Estado dos EUA estima que o Gaesa possua ativos avaliados em 18 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 90,3 bilhões) e controle cerca de 70% da economia cubana.

Fonte: estadao.com.br

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