São Paulo empata com o Corinthians e conquista o campeonato brasileiro feminino pela primeira vez

Marcelo Borges
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Foto: © Paulo Pinto/Agência Brasil

O cenário do futebol feminino brasileiro viveu um momento histórico no dia 3 de outubro de 2026. Após anos de hegemonia incontestável do Corinthians — clube que levou para casa as últimas seis edições, acumulou sete troféus em oito anos e disputou a sua décima final consecutiva no Campeonato Brasileiro A1 —, o São Paulo escreveu um novo capítulo na modalidade. Ao segurar o empate por 1 a 1 com o arquirrival neste sábado, no Estádio do Morumbis, o Tricolor coroou a vantagem conquistada no jogo de ida e garantiu, de forma inédita, o caneco da principal competição nacional.

Além da façanha esportiva em campo, a torcida são-paulina protagonizou um espetáculo à parte nas arquibancadas. Jogando sob seus domínios, o clube registrou um novo recorde de público para partidas entre equipes femininas de futebol na América do Sul. Exatas 49.405 pessoas marcaram presença no estádio para apoiar as atletas e testemunhar o desfecho de uma campanha memorável.

Estádio do Morumbi, jogo final do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino entre São Paulo FC e Corinthians.

O duelo decisivo começou seguindo uma dinâmica semelhante à do primeiro confronto da final. Na ocasião anterior, quando atuava na Neo Química Arena, o Corinthians havia inaugurado o marcador antes dos dez minutos de bola rolando, embora o São Paulo tenha buscado a virada posteriormente para vencer por 2 a 1.

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Desta vez, o roteiro sorriu para o lado tricolor logo aos dez minutos da etapa inicial. A lateral Bia Menezes avançou pelo flanco esquerdo e, contrariando a expectativa geral de um cruzamento para a grande área, arriscou um chute direto para o gol. Mesmo com um ângulo bastante desfavorável, a finalização surpreendeu a goleira Nicole, inaugurando o marcador e colocando as Soberanas em vantagem no placar agregado.

Com o tento, a equipe são-paulina abriu uma margem confortável de dois gols de diferença no agregado, obrigando o time alvinegro a buscar uma reação urgente. O castigo para qualquer desatenção veio aos 18 minutos, quando um lançamento longo que parecia inofensivo foi recuado de maneira equivocada. A arqueira Carlinha tentou o corte, mas acabou chutando a bola diretamente contra o pé de Juliete, cujo desvio foi o suficiente para estufer as redes e igualar o marcador no estádio.

O revés repentino serviu para deixar o sistema defensivo do São Paulo em alerta máximo. Pouco depois, aos 23 minutos, a equipe mandante chegou a balançar as redes novamente por intermédio de Crivelari, que cabeceou para o fundo do gol, mas a arbitragem prontamente anulou o lance por posição de impedimento.

No retorno dos vestiários para o segundo tempo, o Corinthians adotou uma postura mais agressiva, adiantando suas linhas de marcação para sufocar a saída de bola tricolor. A estratégia gerou frutos na forma de erros na defesa são-paulina, resultando em oportunidades claras para as visitantes. A jogadora Jaqueline arriscou um chute de longa distância exigindo defesa firme de Carlinha, e logo em seguida Jhonson recebeu um passe dentro da área, no coração da zaga adversária, mas acabou desperdiçando a chance ao chutar para fora.

O momento de maior tensão na partida aconteceu aos 20 minutos do segundo tempo. Após cobrança de falta originada pelo lado direito, a defensora Robinha cometeu falta em Érika dentro da área. Acionado pelo árbitro de vídeo, o VAR confirmou a penalidade máxima a favor do Corinthians. Caso convertida, a cobrança igualaria o placar agregado e levaria a decisão para a disputa de pênaltis.

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Contudo, a cobrança executada por Gabi Zanotti saiu fraca e direcionada ao canto esquerdo, permitindo que a goleira Carlinha realizasse uma defesa segura, sem conceder rebote e mantendo o zero a zero parcial na partida.

Com o apito final se aproximando e a tensão pairando no ar, os dois times lançaram-se ao ataque em busca do gol da vitória, deixando o confronto aberto, porém sem a organização necessária para criar grandes chances claras de perigo real.

A euforia tomou conta do Morumbis nos minutos finais, quando o sistema de som anunciou o público total presente no estádio. A marca histórica superou inclusive o recorde estabelecido na final da temporada anterior, quando o próprio Corinthians levou mais de 44 mil torcedores à sua arena para acompanhar a conquista do título justamente sobre o São Paulo.

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Após um período de acréscimos que ultrapassou os nove minutos, o árbitro finalizou o duelo e permitiu que a torcida tricolor comemorasse, enfim, a conquista inédita do Campeonato Brasileiro dentro de sua casa lotada.

Embora o resultado tenha interrompido a sequência vitoriosa do clube de Parque São Jorge, ele manteve intacta outra marca importante da competição: pelo décimo ano consecutivo, o troféu do torneio nacional permaneceu no estado de São Paulo, somando os sete títulos corinthianos, além de uma conquista solitária para Santos, Ferroviária e, agora, o São Paulo.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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