A Polícia Penal do Paraná (PPPR) está expandindo as alternativas de trabalho para pessoas privadas de liberdade (PPL) através de uma colaboração com o Grupo Eternit. Esta iniciativa, parte do Programa Reconstruir, foi implantada na Cadeia Pública de Colombo após a assinatura de um termo de cooperação em 29 de maio deste ano, com as atividades iniciando em 1º de junho.
Atualmente, 16 apenados estão envolvidos na fabricação de cumeeiras e acessórios de fibrocimento. Eles trabalham no setor de produção da empresa, onde são responsáveis pela moldagem manual das lastras de fibrocimento, seguindo modelos e ordens de produção estipuladas. O processo inclui o uso de equipamentos como prensas para esquadrejar as peças e carrinhos para a movimentação dos materiais, além de uma parte da produção que é realizada manualmente.
As matérias-primas empregadas na produção são cimento, calcário, celulose e polipropileno (PP). O polipropileno, utilizado na confecção dos produtos, é oriundo da unidade da Eternit situada em Manaus, enquanto os demais insumos são fornecidos por parceiros nacionais.
A expectativa é que, gradativamente, aumente o número de participantes no projeto. Neste momento, há 16 apenados envolvidos, mas a meta é que esse número chegue a 32 no próximo mês, com a ambição de atingir 50 vagas no futuro. A capacidade de produção estabelecida é de oito toneladas diariamente, o que totaliza cerca de 160 toneladas mensais. Todo material produzido na unidade de Colombo é destinado para abastecer outras fábricas de fibrocimento do Grupo Eternit, que, em seguida, distribui os produtos para diversas regiões do país.
De acordo com Boanerges Silvestre Boeno Filho, chefe da Divisão de Produção e Desenvolvimento da Polícia Penal do Paraná, a localização estratégica da unidade e a possibilidade de expandir o projeto para outras regiões do estado foram fatores fundamentais para a parceria. “A escolha da Cadeia Pública de Colombo considerou a excelente logística da área e o objetivo de descentralizar as oportunidades de trabalho, criando possibilidades para que, em um futuro próximo, mais estabelecimentos penais possam se beneficiar desse projeto”, observou.
Além do salário, os apenados têm direito à remição da pena, conforme a Lei de Execução Penal, que prevê que a cada três dias de trabalho, um dia é reduzido da pena.
Segundo Boanerges, essa iniciativa não apenas proporciona qualificação profissional, mas também prepara os participantes para o retorno ao mercado de trabalho após o cumprimento de suas penas. “Na prática, a Eternit está investindo na formação dessas pessoas, assegurando que retornem ao mercado de trabalho mais qualificadas e com reais oportunidades de integração ao quadro de colaboradores da própria empresa”, acrescentou.
O responsável pela Divisão de Produção e Desenvolvimento da PPPR ressalta que a experiência no ambiente de trabalho gera efeitos que vão além da capacitação técnica. “Mais do que adquirir conhecimentos industriais, o verdadeiro valor dessa atividade está na transformação das pessoas. Ao receberem uma oportunidade real no contexto da fábrica, os indivíduos em cumprimento de pena resgatam sua autoestima e passam a se ver novamente como cidadãos produtivos, capazes de construir um novo futuro”, disse.
Os benefícios dessa iniciativa também impactam positivamente as famílias dos participantes. “Esse efeito benéfico ultrapassa os limites da unidade prisional, influenciando diretamente os lares. Os vínculos familiares se fortalecem, pois a família começa a ter uma nova perspectiva sobre a PPL. Saber que um membro da família está trabalhando, aprendendo e buscando mudar de vida de maneira legítima traz uma nova visão de futuro, pautada no orgulho e na esperança”, destacou Boanerges.
O gestor da Cadeia Pública de Colombo, Ubirajara Cordeiro de Mattos, também enfatiza que a parceria tem proporcionado melhorias na rotina da unidade e no desenvolvimento das PPL. “A adesão do Programa Reconstruir na Cadeia Pública de Colombo marca um avanço significativo para a unidade. O trabalho prisional traz uma rotina mais produtiva aos apenados, desenvolve habilidades profissionais e fortalece o processo de reintegração social. Estamos continuamente observando o comprometimento dos envolvidos e notamos como essa oportunidade contribui para o desenvolvimento de responsabilidade, disciplina e preparação para o retorno ao convívio social. Trata-se de uma parceria que beneficia não apenas a unidade, mas também os apenados e toda a sociedade, ao investir em qualificação e criar novas possibilidades para o futuro”, explicou.
Essa parceria está em consonância com a política de trabalho prisional da Polícia Penal do Paraná, que visa ampliar as oportunidades de qualificação profissional, geração de renda e reinserção social através de convênios estabelecidos com instituições tanto públicas quanto privadas.
Fonte: policiapenal.pr.gov.br


