Trump quer declarar guerra aos cartéis de droga. Ele acaba de ganhar um aliado na Colômbia

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

Título: Trump ganha novo aliado na Colômbia na luta contra os cartéis de drogas

CONTEÚDO ORIGINAL:

A relação entre os Estados Unidos e a Colômbia passou por um período de tensão. Há apenas cinco meses, o presidente Donald Trump ameaçou tomar medidas militares contra o país sul-americano, referindo-se ao presidente colombiano de esquerda como um “homem doente” e acusando-o de gerir “fábricas de cocaína”. Esse desacordo parecia levar a uma ruptura na aliança, que já durava décadas e era considerada essencial na luta antidrogas dos EUA.

No entanto, a situação mudou com as recentes eleições presidenciais na Colômbia, realizadas no último domingo. A vitória de Abelardo De La Espriella, um outsider de direita apoiado por Trump, trouxe uma nova esperança para os laços entre os dois países. Espriella se comprometeu a combater o narcotráfico com uma abordagem militarizada, sinalizando um retorno ao alinhamento estreito com os interesses dos EUA na região.

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O triunfo de Espriella é parte de um movimento conservador mais amplo que está ocorrendo em toda a América Latina, onde o descontentamento com os líderes estabelecidos se intensifica. Trump agora conta com um aliado crucial em sua tentativa de expandir a influência americana no Hemisfério Ocidental. Este fato demonstrou que o apoio de um presidente dos EUA a uma eleição na América Latina pode acirrar um sentimento populista, em uma região que já tem um histórico de intervenções americanas, mas que também está exaurida pela violência relacionada às drogas.

Com Espriella no comando, a Colômbia, que se destaca como o maior produtor de cocaína do mundo, pode se integrar mais profundamente nas iniciativas militares dos EUA contra o tráfico de drogas. Trump vem insistindo na necessidade de deslocar tropas americanas para combater os cartéis, especialmente em países como o México. Apesar de Espriella ter enfatizado a necessidade de preservar a soberania colombiana e rejeitado uma incursão militar americana direta, ele manifestou apoio ao aumento da colaboração em inteligência e operações.

Essa nova postura foi bem recebida por muitos colombianos desiludidos com a situação da segurança no país, mas gerou receios entre críticos que alertam que uma estratégia exclusivamente militar pode levar a um maior derramamento de sangue, sem resolver o problema subjacente do tráfico.

O presidente Gustavo Petro, que deixa o cargo, teve um relacionamento tenso com Trump, mesmo enquanto outros líderes sul-americanos começavam a se alinhar com a postura do presidente americano. Os EUA, que já derrubaram o ex-ditador Nicolás Maduro na Venezuela, agora exercem influência significativa sobre o país vizinho. A semana passada viu a eliminação de um líder de uma quadrilha transnacional em uma operação militar. O Pentágono também está realizando operações conjuntas contra gangues no Equador, reconhecido como um centro de tráfico de cocaína, enquanto a Bolívia reabre o espaço para a atuação de agentes antidrogas dos EUA, algo que não ocorria há duas décadas.

Senadores, como Bernie Moreno de Ohio, expressaram otimismo em relação à nova liderança colombiana. “Espriella provavelmente se tornará o melhor parceiro dos EUA na América Latina”, afirmou ele em entrevista.

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Trump manifestou sua alegria com a vitória de Espriella em redes sociais, elogiando-o como um vencedor decisivo. A estratégia do novo presidente colombiano inclui projetos ambiciosos, como a construção de grandes prisões e uma ofensiva militar contra o narcotráfico, medidas que levantam preocupações sobre a proteção das liberdades civis.

Espriella argumentou que “não há liberdade sem segurança” e “não há democracia sem autoridade”, um mantra que pode ser interpretado como um sinal de que sua administração se prepare para agir com dureza contra a criminalidade.

Além de promulgar uma possível colaboração mais ampla com os EUA para combate ao tráfico, Espriella também fez questão de saudar as operações militares americanas contra embarcações suspeitas de contrabando, ações que geraram a morte de mais de 200 pessoas e que foram classificadas por especialistas como execuções extrajudiciais. Ele se comprometeu a efetuar ações semelhantes, prometendo abater qualquer aeronave ou embarcação envolvida no tráfico na costa colombiana.

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Kevin Whitaker, ex-embaixador dos EUA na Colômbia, disse que a nova administração de Espriella provavelmente adotará uma abordagem mais agressiva, focando na ação militar em vez de estratégias jurídicas ou de aplicação da lei, que foram as diretrizes preponderantes anteriormente.

Os EUA investiram cerca de US$ 15 bilhões nas forças armadas colombianas ao longo de mais de duas décadas, apoiando a modernização das forças armadas e ajudando os agricultores a diversificarem suas culturas para além da coca. No entanto, apesar dos avanços, a produção de cocaína não apenas se mantém, mas atingiu níveis alarmantes, com o contrabando cada vez mais sofisticado e as organizações criminosas se fortalecendo.

A administração de Petro havia focado em uma abordagem que incluía a alteração da política de drogas, enfatizando a apreensão de cocaína e apoiando os agricultores na transição para culturas legais, mas encontrou resistência a plena adoção de medidas mais severas. Trump acusou Petro de fomentar a violência ligada ao tráfico e impôs sanções econômicas como resultado dessa desaceleração no combate ao narcotráfico.

Agora, com Espriella, a expectativa é que o vínculo com os EUA melhore, com uma disposição maior do novo presidente em atender aos pedidos de Washington. A campanha de Espriella prometeu aplicar medidas mais estritas, incluindo a pulverização de herbicidas em plantações de coca, uma prática que foi interrompida na Colômbia devido a críticas relacionadas à saúde e decisões judiciais.

Uma mudança esperada também envolve a política de extradição, onde Espriella pode ter uma postura mais favorável ao envio de traficantes perigosos para os EUA, um processo que anteriormente foi tratado com mais cautela durante a administração de Petro.

Embora alguns vejam o foco em líderes do tráfico como uma resposta superficial a um problema bastante complexo, a dinâmica de compromisso e expectativa de que Espriella irá reverter as políticas de governo do antecessor está clara. Trump deve reavaliar a Colômbia como um parceiro no combate às drogas, resta saber se essa nova fase irá de fato contribuir para a solução do problema do narcotráfico que assola não apenas a Colômbia, mas toda a região.

Fonte: estadao.com.br

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