Adeus a Jackson Nascimento ícone do Athletico e do Corinthians aos 102 anos

Marcelo Borges
5 min. de leitura
Foto: Jackson Nascimento

O futebol brasileiro chora a perda de um de seus nomes mais emblemáticos. Jackson Nascimento, ex-meia-atacante e verdadeiro ícone dos gramados, faleceu nesta quarta-feira (9), aos 102 anos de idade. Ele era o último sobrevivente da célebre formação do Athletico de 1949, equipe histórica que eternizou a alcunha de Furacão para o clube paranaense. Além disso, o ex-jogador deixa seu nome gravado na história rubro-negra como o segundo maior artilheiro de todos os tempos da instituição, acumulando 150 gols marcados com a camisa vermelha e preta.

Natural de Paranaguá e criado na cidade de Antonina, Jackson mudou-se para Curitiba na juventude com o objetivo de estudar no Internato Liceu Rio-Branco. Foi na capital paranaense que sua paixão pelo esporte encontrou solo fértil. Em 1942, deu os primeiros passos no futebol ao ingressar nas categorias juvenis do Athletico, inaugurando uma trajetória brilhante que o transformou no primeiro camisa 10 clássico a desfilar seu talento pelo gramado da Baixada. Ao longo de sua passagem pelo clube paranaense, conquistou o Campeonato Paranaense de 1945 e, posteriormente, participou da inesquecível campanha vitoriosa de 1949.

Uma trajetória de classe e lealdade aos clubes

Reconhecido por sua técnica refinada e elegância em campo, o meia-atacante brilhou intensamente nas décadas de 1940 e 1950. Durante sua passagem pelo Athletico, formou uma parceria memorável e letal ao lado de Cireno, atormentando defesas adversárias. O talento de Jackson, no entanto, ultrapassou as fronteiras do Paraná e chamou a atenção de um dos gigantes do futebol paulista.

Transferido para o Corinthians, Jackson escreveu um capítulo importante no clube paulistano, onde conquistou duas vezes o título do Campeonato Paulista. Apesar do sucesso e do carinho da torcida alvinegra, a forte identificação com suas raízes falou mais alto. Movido pela saudade imensa de seu clube de coração, o jogador recusou uma proposta de extensão contratual em São Paulo e optou por retornar a Curitiba em 1953, vestindo novamente as cores rubro-negras até encerrar sua trajetória nos gramados.

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Memória viva e recordes históricos no Atletiba

A ligação de Jackson com o Athletico transcendia as quatro linhas, sendo parte fundamental de sua identidade familiar. Quando completou um século de vida, em uma entrevista concedida ao portal UmDois Esportes, ele relembrou com carinho a atmosfera que cercava sua relação com o clube. “Todas as vezes que aconteceram mudanças no espírito do clube eu estava junto, apreciando tudo aquilo como se fosse minha família. Meu pai era atleticano, minha mãe era atleticana, meus irmãos todos eram atleticanos. Até os cachorros eram atleticanos”, declarou na época com bom humor.

Na história dos clássicos contra o rival Coritiba, o famoso Atletiba, o legado de Jackson permanece intocado. Ele divide com Marreco o posto de maior artilheiro rubro-negro na história do confronto, com expressivos 15 gols marcados contra o arquirrival, consolidando sua fama de jogador decisivo em partidas de grande rivalidade.

Despedida tranquila e legado eterno

A notícia do falecimento foi confirmada por sua neta, Letícia Klein. Segundo ela, a partida ocorreu de maneira serena e sem sofrimento. “Morreu dormindo e sem dor”, relatou Letícia ao UmDois Esportes. Poucos dias antes, em 24 de agosto, a família havia se reunido em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, para celebrar o último aniversário do patriarca em uma grande festa comemorativa.

“Jackson é eterno. Deixou muitos ensinamentos para nós e teve uma vida privilegiada”, completou a neta, sintetizando o sentimento de familiares, amigos e torcedores que acompanharam a longa e respeitável jornada do ex-jogador. O adeus a Jackson Nascimento encerra um dos capítulos mais dourados da história do futebol paranaense e nacional, mas sua lenda permanece viva na memória do esporte.

Fonte:: umdoisesportes.com.br

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