Alex de Souza relembra início no Coritiba e detalhes da venda ao Palmeiras

Marcelo Borges
7 min. de leitura
Alex pelo Coritiba em 1995. (Foto: Divulgação/C...

Atual técnico do Athletic na Série B do Campeonato Brasileiro, Alex de Souza construiu uma trajetória marcante no futebol nacional e internacional. Ídolo de clubes como Coritiba, Palmeiras, Cruzeiro e Fenerbahçe, da Turquia, o ex-meia relembrou recentemente os bastidores do início de sua carreira, revelando que a ascensão meteórica e o tratamento diferenciado recebido nas categorias de base acabaram moldando seu comportamento profissional de maneira particular.

Em uma entrevista concedida ao programa Abre Aspas, do ge.globo, Alex abriu o jogo sobre a época em que despontava no futsal e passou a integrar as equipes do Coritiba no Estádio Couto Pereira. Segundo o ex-jogador, o talento precoce com a perna esquerda fez com que ele recebesse regalias e pouca cobrança disciplinar durante a formação esportiva.

“Eu era muito mimado no Coritiba. Isso talvez tenha me atrapalhado. Era aquela coisa de ‘você é um belíssimo jogador de futebol, tem uma canhota muito boa e vai lá jogar bola’. Eu fui aprender a ter comportamentos de time quando cheguei ao time principal, porque a exigência era maior, né? Até porque eu queimo etapas. Quando é para eu subir para o sub-20, eu vou para o principal. Três meses depois, eu me torno titular e cheio de defeitos, cheio de comportamentos que eu não tinha, porque eu nunca tinha sido exigido. Então, assim, era um menino que, ‘pô, ele é bom jogador, deixa ele tocar…’”, relatou o ex-atleta.

Evolução financeira e contratos iniciais

A rápida transição para o futebol profissional também trouxe impactos na vida financeira de Alex. O ex-meia recordou que seu primeiro contrato profissional com o Coritiba previa vencimentos mensais de R$ 700, um montante inferior ao que ele faturava atuando nas quadras de futsal pela Associação Atlética Banco do Brasil (AABB).

- Publicidade-

No entanto, com o acesso do Coritiba à Série A do Campeonato Brasileiro, a realidade mudou rapidamente. Após assinar o primeiro reajuste, que elevou seus ganhos, Alex logo passou a ser convocado com frequência para a Seleção Brasileira Sub-20, patamar em que já recebia salários superiores a R$ 20 mil.

“Assinei o contrato, fui para um bar que tinha na Mauá, no Coritiba, dentro do campo do Coritiba, e fiquei feliz pra caramba com a molecada, que era molecada da minha idade que eles estavam se preparando para jogar as competições deles ali. Fiquei ali, joguei sinuca a tarde inteira, cheguei em casa, contei para meu pai: ‘Eu vou ganhar R$ 7 mil reais.’ Todo mundo ficou feliz. Acabo o ano ganhando R$ 7 mil reais. No ano seguinte, eu já bem na Seleção, vou renovar, pula para R$ 22 mil reais”, pontuou o ex-jogador.

Curiosamente, quando se transferiu do Coritiba para o Palmeiras em 1997, o meia aceitou receber um valor menor para dar o próximo passo na carreira. A proposta do clube paulista era de R$ 13 mil mensais, quantia que ele prontamente aceitou por entender que o desafio esportivo era o ideal para o seu desenvolvimento.

Dinheiro da venda ao Palmeiras em uma mala no estacionamento

A negociação que levou Alex do Coritiba ao Palmeiras envolveu a cifra de R$ 3 milhões. Deste total, o jogador tinha direito a 15%, o equivalente a R$ 450 mil. O pagamento dessa porcentagem ficou marcado na memória do ex-meia de forma inusitada: o montante foi entregue em espécie, dentro de uma mala, por José Carlos Brunoro, então diretor de esportes da Parmalat, empresa parceira do clube paulista.

- Publicidade-

O episódio aconteceu em uma sexta-feira à tarde, no estacionamento do Estádio Couto Pereira, com vista para a Igreja do Perpétuo Socorro, em Curitiba. Diante da cena de ver o dinheiro vivo, Alex confessou ter ficado sem saber como proceder.

“Foi a primeira vez que eu vi dinheiro de verdade, porque o Brunoro, diretor da Parmalat, foi para Curitiba e levou o dinheiro numa mala. Meus 15% vêm numa mala. Nós abrimos a mala no estacionamento do Couto Pereira, de frente para a Igreja do Perpétuo Socorro, numa sexta-feira à tarde. Eu abro o dinheiro, abro, vejo aquele tantão de dinheiro. Eu falei: ‘Agora, como é que eu faço? Vou para casa com esse dinheiro?’”, rememorou.

Para evitar que o jovem atleta deixasse o local carregando uma grande quantidade de dinheiro, a solução veio da própria família. O então presidente do Coritiba e sogro do jogador, Edson Mauad, interveio na situação.

- Publicidade-

“E aí o Edson entra para mim e fala: ‘Não, deixa o dinheiro comigo, coloco aqui no cofre do Couto Pereira, segunda-feira você vem aqui no primeiro horário, a gente coloca o dinheiro no banco e fica assim.’ Essa foi a minha primeira relação com o dinheiro, e eu termino o meu ano de 97 a 2000 no Palmeiras ganhando R$ 13 mil. E aí vou para a Itália, aí realmente os contratos passam a ser maiores, a ter outros valores”, completou.

Consagração no futebol nacional e internacional

A passagem pelo Palmeiras consolidou o nome de Alex no cenário nacional. No clube alviverde, o ex-meia conquistou títulos importantes como a Copa do Brasil, a Copa Mercosul e a Copa Libertadores da América de 1999.

Depois de passagens pelo Flamengo e pelo Parma, da Itália, o jogador viveu outro momento apoteótico no futebol brasileiro ao defender o Cruzeiro. Na temporada de 2003, foi o grande maestro da equipe mineira na conquista da Tríplice Coroa, faturando o Campeonato Mineiro, o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil.

No ano seguinte, transferiu-se para o Fenerbahçe, da Turquia, onde alcançou o status de ídolo histórico. Pelo clube turco, conquistou três vezes o Campeonato Turco, duas Supercopas da Turquia e uma Copa da Turquia, feitos que lhe renderam inclusive uma estátua nos arredores do estádio da equipe.

Alex encerrou sua trajetória dentro dos gramados em 2014, após retornar ao Coritiba no ano anterior para uma última passagem pelo clube que o revelou ao futebol.

Fonte:: umdoisesportes.com.br

Compartilhe esta notícia