Aumento da área plantada com milho no Paraná atinge 31% na primeira safra

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Foto: Divulgação / Idrparana.pr.gov.br

No Paraná, a área destinada ao cultivo de milho durante a primeira safra teve um crescimento significativo de 31%. Segundo o relatório mensal do Deral (Departamento de Economia Rural) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a cultura ocupou 364,9 mil hectares, em comparação aos 278,3 mil hectares da safra 24/25. A estabilidade dos preços do milho, em relação ao da soja, foi um dos principais fatores que contribuíram para esse aumento.

A safra de soja deste ano alcançou a marca de 21,7 milhões de toneladas, colocando-se entre as três maiores colheitas já registradas no estado. De acordo com Edmar Gervásio, agrônomo do Deral, a expansão da área plantada com milho se deve, em grande parte, ao cenário menos favorável para a comercialização da soja, fato que não era observado em períodos anteriores. “O milho possui uma capacidade produtiva superior à da soja, que atualmente apresenta preços menos atraentes. A estabilidade dos preços levou muitos produtores a optarem pelo milho, resultando em uma produção superior a 4 milhões de toneladas na primeira safra”, destacou Gervásio.

No que diz respeito à segunda safra de milho, a área cultivada avançou sobre a utilizada para o trigo, alcançando 2,9 milhões de hectares, um aumento de 7% em relação à safra anterior, registrando a maior área cultivada pela história. Se não houver nenhum fenômeno climático adverso nas próximas semanas, a expectativa é que o estado produza mais de 17,5 milhões de toneladas.

“As geadas recentes causaram estragos pontuais na região Sul do estado, mas esses danos não são relevantes para a cultura do milho. Caso não ocorra nenhuma nova geada nos próximos 15 dias, muitas dessas áreas terão seu potencial produtivo mais claramente definido. Somando as duas safras de milho, podemos ultrapassar a marca de 21 milhões de toneladas. No tocante à produção de soja, a colheita foi de 21,7 milhões de toneladas, uma das mais expressivas já registradas no Paraná”, comentou o agrônomo.

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Desenvolvimento do cultivo de trigo e o clima favorável

Os cultivos de trigo no estado apresentam um bom desenvolvimento, com mais de 61% da área já plantada. A previsão é que a cultura ocupe um total de 722 mil hectares no Paraná, com uma produção estimada em 2,4 milhões de toneladas. Marcelo Garrido, do Deral, acredita que a previsão de um intenso fenômeno de El Niño, para o segundo semestre, indica um inverno menos rigoroso, o que poderá beneficiar tanto a cultura do trigo quanto o plantio da safra de verão do próximo ano.

Produção de olerícolas em queda

Com relação à produção de olerícolas, a primeira safra de batata foi finalizada, apresentando uma queda na área e na produção, em comparação à safra anterior. Paulo Andrade, do Deral, informou que as chuvas adversas prejudicaram a colheita da segunda safra. A produção estimada teve uma redução de 2% e a produtividade também caiu em 6% em relação ao ano anterior.

A área cultivada com cebola, tanto no Brasil quanto no Paraná, vem apresentando uma tendência de queda. Os primeiros dados referentes à safra 2026/2027 indicam que já foram plantados 212 hectares, o que representa 9% da área projetada de 2,4 mil hectares. A expectativa de colheita é de 93,3 mil toneladas, com início previsto para outubro, dependendo das condições climáticas.

Andrade ressalta que a principal razão para a diminuição da área plantada é a pressão resultante do excesso de produção nos últimos anos, o que resultou em preços mais baixos para os produtores. Contudo, ele destaca que a melhoria nas tecnologias agrícolas – como o uso de híbridos, semeadura direta e irrigação – contribuiu para o aumento da produtividade, que passou de 26.092 kg/hectare em 2018 para 39.075 kg/hectare nesta safra.

Para 2024, o Paraná é responsável por 5,6% da produção total de cebolas do Brasil, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O estado ocupa a sétima posição entre os maiores produtores do país, com as regiões de Guarapuava, Irati e Curitiba concentrando as atividades.

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Perspectivas no mercado do leite e avicultura

No boletim semanal divulgado pelo Deral, foi observado um cenário de valorização em toda a cadeia produtiva do leite, impulsionado pela menor captação do produto nas indústrias. O preço do leite cru, pago aos produtores, teve um aumento de 13% comparado à média de abril, refletindo a situação do mercado.

Além disso, a avicultura se consolida como a principal atividade exportadora do Paraná, que, somente nos primeiros quatro meses do ano, enviou 791,1 mil toneladas de produtos avícolas para o exterior, obtendo uma receita de US$ 1,43 bilhão. Esse volume representa um aumento de 6,2% em relação ao mês anterior, com ganhos que superam em 4,1% os resultados de meses anteriores. A demanda internacional, especialmente da China e do Japão, permanece robusta.

Fonte:: idrparana.pr.gov.br

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