Estado apresenta anteprojeto com obras de R$ 1,3 bilhão para minimizar cheias do Rio Iguaçu

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Foto: Divulgação / Iat.pr.gov.br

O Governo do Estado do Paraná revelou na noite de quinta-feira (11) o anteprojeto de engenharia que propõe uma série de obras destinadas a reduzir os impactos das cheias do Rio Iguaçu. O investimento previsto para essas intervenções é de R$ 1,3 bilhão, e abrange 20 ações potenciais, como escavações, retificações e dragagens, que visam aumentar a capacidade de escoamento das águas.

A audiência pública que marcou a apresentação do anteprojeto aconteceu no Cineteatro Luz, localizado em União da Vitória, no Sul do Estado, e contou com aproximadamente 400 participantes. Os estudos, elaborados pela Universidade Livre do Meio Ambiente (Unilivre), foram encomendados pela Paraná Projetos e surgiram a partir de uma demanda do Instituto Água e Terra (IAT), uma autarquia vinculada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest). Apenas nesta fase inicial, o investimento alcançou R$ 5 milhões.

“Esta é a primeira vez na história que apresentamos uma proposta concreta para conter as cheias causadas pelo Rio Iguaçu. Trata-se de um projeto robusto, que inclui dimensionamento, valoração e um cronograma, permitindo que busquemos os recursos necessários para implementar as intervenções de maneira gradual”, afirmou o secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável, Everton Souza.

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Souza ressaltou que foram considerados todos os estudos anteriores para chegar a esta modelagem. “Essa modelagem passou por simulações que comprovaram a eficiência das ações propostas”, acrescentou.

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A proposta da Unilivre integra diversas soluções, como a escavação do leito do rio e da corredeira de Porto Vitória, alargamentos de curvas e a construção de canais, túneis (em locais como Morro da Dona Mercedes e Porto Vitória) e um dique de proteção na área urbana. Segundo a universidade, a combinação dessas intervenções poderia reduzir em até 2,70 metros o nível das cheias no Vale do Iguaçu. O prazo estimado para a execução das obras é de 48 meses. A metodologia de contratação será a integrada (RDCi), onde a empresa vencedora será responsável pela elaboração dos projetos básico e executivo, além da execução da obra, o que deve acelerar o processo. A expectativa é que a licitação ocorra nos próximos meses.

“Este é um compromisso que assumimos com União da Vitória e toda a região do Vale do Iguaçu. Temos plena consciência dos prejuízos e do sofrimento que as enchentes impõem às famílias há décadas. Por isso, colaboramos com o Governo do Estado para viabilizar os estudos necessários e seguiremos dedicados na busca de recursos para tornar este projeto uma realidade. Não vamos medir esforços para resolver este problema”, declarou o líder do Governo na Assembleia Legislativa, deputado estadual Hussein Bakri.

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Com o anteprojeto finalizado, o Governo do Estado agora buscará os recursos necessários para a execução das intervenções, podendo contar com o Tesouro do Estado, parcerias com a Assembleia Legislativa, indenizações ambientais e recursos do governo federal, tendo em vista que se trata de um problema que afeta a divisa entre os estados do Paraná e Santa Catarina.

“Estamos testemunhando um momento histórico para o Paraná. Após muitos esforços, conseguimos apresentar uma proposta concreta que beneficiará milhares de paranaenses que enfrentam problemas devido às enchentes. Temos um estudo completo que servirá de guia para um novo Rio Iguaçu”, afirmou José Luiz Scroccaro, diretor de Saneamento Ambiental e Recursos Hídricos do IAT, que foi homenageado durante a audiência por sua contribuição ao meio ambiente em mais de 50 anos de serviço público.

Histórico das Cheias no Vale do Iguaçu

Desde os anos 1970, diversas iniciativas foram propostas para combater ou minimizar os efeitos das cheias do Rio Iguaçu em União da Vitória. Ao todo, quase 20 estudos foram apresentados ao longo desse período, mas nenhum deles foi efetivamente implementado.

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Nos últimos 50 anos, a cidade enfrentou pelo menos quatro grandes enchentes, sendo a mais notória em 1983, quando o nível do rio alcançou 10,42 metros, enquanto o normal é 2,5 metros. Enchentes similares também ocorreram em 1992 e 2014.

Recentemente, em outubro de 2023, a cidade registrou a segunda maior cheia, com o rio atingindo 8,38 metros, resultando em alagamentos que afetaram cerca de 40% da área do município e danificaram cerca de 20 mil residências. As cidades vizinhas, como Porto União em Santa Catarina, também enfrentaram problemas significativos devido às cheias, com moradores sendo desabrigados.

Fonte:: iat.pr.gov.br

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